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Resumo da semana do mercado financeiro

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A semana até que começou no sentido positivo mantendo o bom desempenho do período anterior. Porém, o processo acabou sendo abortado pelo crescimento da tensão geopolítica entre a Coreia do Norte e os EUA. Isso associado com os nossos problemas internos políticos e econômicos, forçou a realização de lucros de curto prazo.

No que tange ao agravamento da crise entre a Coreia e os EUA, ao longo da semana só fez piorar. Começou com a Coreia do Norte dizendo que teria mísseis de longo alcance para atingir os EUA, falou sobre a ilha de Guam no pacífico que poderia ser atingida e antecipou que atacaria até meados de agosto. O presidente Donald Trump, por sua vez, declarou que se as ameaças não cessassem “haveria fogo e fúria jamais visto” e discorreu sobre o arsenal nuclear americano; apoio do exército.

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O Japão e a Coreia do Sul sempre muito prudentes foram duros em suas declarações. O Japão disse que poderia derrubar os mísseis coreanos e a Coreia do Sul ameaçou entrar na confusão. Tudo isso somado alterou completamente o comportamento dos mercados de risco no mundo. E não estamos falando somente de ações, mas também dos juros e câmbio, com os investidores buscando proteção em moeda forte.

No Brasil, além dos problemas relacionados com a tensão geopolítica ainda tivemos que ajustar para as idiossincrasias internas. Ao longo da semana, o governo Temer se atrapalhou novamente lançando “balões de ensaio” sobre tributação. As vozes contra vieram de vários compartimentos da sociedade organizada e de políticos, e obrigou o governo a negar que tencionava criar nova alíquota de IR pessoa física. Os presidentes da Câmara e Senado chegaram a afirmar que proposta dessa não passaria na plenária.

O governo também não obteve sucesso em votações importantes. Caducou a Medida Provisória da reoneração da folha de trabalho, o novo Refis não andou nada, a adoção da TLP sofreu novas críticas e há certa animosidade em aceitar alteração da meta do déficit fiscal, principalmente se for (e deve ser) estendida para 2018. Como temos afirmado, já se fala de meta para 2017 de R$ 159 bilhões e 2018 no mesmo patamar. Isso traria como consequência imediata a possível revisão da classificação de risco do Brasil, principalmente pela S&P, que está próxima de refazer a avaliação do país. Junto com tudo isso, ainda tivemos pressões do “centrão” para que o presidente puna os infiéis da votação da denúncia, pois estão de olho nos ministérios e cargos de segundo escalão.

Na economia, destacamos que a pesquisa semanal Focus veio com elevação da inflação de 2017 para 3,45% e Selic em queda para 7,5% e produção industrial menor de 0,81%. Dado positivo para o saldo da balança comercial que no acumulado do ano mostra superávit de US$ 42,9 bilhões. O IBGE divulgou a inflação oficial medida pelo IPCA de julho em +0,24% (anterior em -0,23%), deixando a inflação do ano em 1,43% e em 12 meses com +2,71%, a menor taxa em 12 meses desde fevereiro de 1999.

A estimativa da safra de grãos pelo IBGE em julho foi estimada em 242 milhões de toneladas, alta de 31,1%. Tivemos ainda a safra de balanços do segundo trimestre afetando pontualmente os preços dos ativos e os investidores estrangeiros seguiram alocando recursos na B3. Até 08 de agosto tinham aportado R$ 882 milhões, e o ingresso líquido do ano subiu para R$ 8,8 bilhões.

No segmento externo, o fator dominante foi a crise geopolítica já descrita que muitos acreditam ser bravatas de ambos os lados e sem grandes consequências práticas. Porém, a prudência acabou contagiando os mercados de risco e mexendo com o equilíbrio dos mercados. Lembramos que os índices americanos vinham em sequência de recordes históricos e já se falava em bolha de tecnologia.

Na China, as reservas internacionais atingiram US$ 3,08 trilhões e o saldo da balança comercial de julho foi de US$ 46,7 bilhões, fruto de exportações em expansão de +7,2% e importações com +11,0%. A inflação pelo CPI (Consumidor) de julho desacelerou para 1,4% anualizada e o PPI (Atacado) em 6,4%. Os gastos fiscais de julho desaceleraram com alta de 5,4% e US$ 202,2 bilhões.

Na Alemanha, a produção industrial de junho inesperadamente encolheu 1,1%, mas mostra expansão anualizada de 2,4%. O saldo comercial do mês no país ficou em alta para 21,2 bilhões de euros. No Reino Unido, a produção industrial de junho surpreendeu de forma positiva, crescendo 0,5%, mas o déficit comercial foi de 12,7 bilhões de libras (previsão era -11 bilhões). O BOE (BC Inglês) alertou sobre a capacidade de regular o sistema financeiro no período pós-Brexit.

Nos EUA, ao longo da semana, vários dirigentes regionais do FED discursaram, só que foi a banda mais suave de dirigentes falando sobre expansão da economia, mercado de trabalho em expansão, taxa de juros e redução do balanço. Charles Evans do FED Chicago disse que devem ser muito cuidadosos com elevações futuras dos juros e não vê necessidade de elevar em setembro se anunciar redução do tamanho do FED.

Na economia americana, alguns indicadores. O crédito ao consumidor de junho expandiu US$ 12,4 bilhões, mas a previsão era maior. A produtividade da mão de obra subiu 0,9% no segundo trimestre de esperada alta de 0,6%. Os estoques no atacado cresceram 0,7% e os estoques de petróleo. Na semana anterior, declinaram 6,5 milhões de barris. A inflação medida pelos preços no atacado (PPI) de junho registrou -0,1% e núcleo em queda de 0,1% e o CPI (Consumidor) subiu 0,1%, abaixo do previsto.

RESUMO DA SEMANA
B3 +0,75% (67396) +0,55% (67358) DOW JONES -1,06% NASDAQ -1,50% DÓLAR +1,66% (R$ 3,179)

PERSPECTIVAS

Na próxima semana, os investidores vão estar ligados primeiramente na tensão geopolítica e seus desdobramentos. Segundo os analistas, não são muitas as chances de efetivamente haver conflito entre os dois países, com a adesão do Japão e Coreia do Sul. A Rússia já se expressou dizendo que o caminho certo para resolver as tensões é a ONU. Há ainda quem diga que isso foi forçado para tirar de foco as investigações de Trump com a Rússia. De qualquer forma, os efeitos já estão aí, com os ajustes dos mercados.

Caso não haja conflito, o quadro que se impõem é mesmo o da recuperação econômica global, sem muito empenho em mudar as políticas monetárias em países desenvolvidos. Os dados de inflação recente nesses países tendem para estabilidade e, em alguns casos, mostram até desaceleração mensal. Assim, seguimos indicando que não há grande necessidade de restringir as políticas monetárias, já que a inflação está longe das metas dos bancos centrais e salários ainda não pressionam.

Há uma nuvem cinza pairando sobre a economia da China, mas fazem muitos anos que ouvimos sobre isso, e nada de ruim acaba acontecendo. Portanto, talvez esse seja o momento correto para constituir posições progressivas em ativos de renda variável, aproveitando que os países emergentes disporão de tempo para melhor dimensionarem suas políticas econômicas. Igualmente, as empresas já estão adaptadas e preparadas para a situação presente ruim. Retornos e produtividade podem começar a melhorar.

Olhando pela ótica da análise técnica, seguimos acreditando que o Ibovespa pode tentar buscar novamente o patamar acima de 68000 pontos, e depois traçar objetivos ainda maiores. Somos de opinião que alguma reforma (Previdência, Tributária e Política) sairá, ainda que emagrecida, mas o suficiente para melhorar o humor dos investidores de mais longo prazo, vazios de aplicações de renda variável.

É claro que ainda teremos muita volatilidade e realizações de lucros de curto prazo. Porém, a tendência primária segue sendo de picos cada vez mais altos e vales cada vez mais rasos.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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