Clicky

Resumo da semana do mercado financeiro

mm TD 728

A semana foi mais positiva para os mercados de risco no país. O governo conseguiu tirar a crise política um pouco do foco; apesar de continuar bem latente. O presidente Temer emplacou agenda positiva de eventos, mesmo considerando votações importantes sobre sua denúncia durante todo o período.

Inclusive, ao longo desse período, o presidente Temer promoveu várias cerimônias importantes como o Plano Safra, a regularização fundiária, discussões sobre a troca da TJLP pela TLP (Taxa de Longo Prazo) e conseguiu a aprovação da Reforma Trabalhista pelo Senado, com votação superior à prevista. De quebra, ainda tivemos a notícia que a Petrobras aprovou a abertura de capital da BR Distribuidora, com a colocação de até 40% do capital. Destacamos aprovação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) de 2018 e ampliação de recursos para a saúde.

A CCJ rejeitou denúncia contra Temer e a plenária ficou marcada para 02 de agosto. Ainda do lado político, o maior destaque foi mesmo a condenação do ex-presidente Lula pelo Juiz Sérgio Moro em primeira instância, no processo do triplex e propina da OAS. Lembramos que o ex-presidente ainda tem outros processos na primeira instância, e a segunda instância tem mais confirmado que mudado a decisão de Moro.

Na área econômica, a pesquisa semanal Focus do Bacen veio bem, com a inflação de 2017 encolhendo para 3,38% (anterior em 3,46%) e PIB caindo leve para +0,34% (anterior 0,39%). A produção industrial subiu para 0,84% e a Selic caiu para 8,25%. O saldo da balança comercial da primeira semana de julho mostrou superávit de
US$ 1,04 bilhão, deixando o acumulado do ano com saldo positivo de US$ 37,3 bilhões.

O IBGE anunciou que a safra de 2017 será excepcional, com crescimento da ordem de 30,1% e tonelagem de grãos estimada em 240,3 milhões. Divulgou ainda as vendas no varejo no mês de maio com queda de 0,10% e no ano com -0,8%. No comparativo com maio de 2016, expansão de 2,4%. As vendas no varejo estão ainda 19,4% menores que no pico ocorrido em outubro de 2012. O IBGE anunciou que o volume de serviços de maio cresceu 0,1%, mas mostra queda no ano de 4,4%.

A receita bruta nominal expandiu 0,3%, mas mostra queda no ano de 4,4%. Não dá para falar abertamente em melhora do varejo e de serviços, mas parece estar arrefecendo a queda. Complicado foi o relatório Prisma prevendo déficit primário do Governo Central em alta para R$ 145,3 bilhões, vindo de R$ 142,0 bilhões e a dívida bruta indo no final do ano para 75,6% do PIB e chegando em 2018 a 78,7%. O Bacen anunciou o fluxo cambial na semana anterior negativo em US$ 1,19 bilhão, mas ainda positivo no ano em US$ 6,3 bilhões. O IBC-Br de maio veio pior que o esperado com queda de 0,51% e queda em 2017 de 0,05%. Boa parte disso atribuímos a desaceleração do segmento agropecuário.

Bom para os mercados no Brasil foi o comportamento positivo de commodities ajudando na recuperação de Petrobras, Vale e siderúrgicas. Na B3, os investidores estrangeiros até 11 de julho, tinham colocado liquidamente recursos no montante de R$ 407,7 milhões, deixando o saldo positivo do ano em R$ 5,3 bilhões.

No segmento internacional, o tom foi dado pelos bancos centrais, especialmente o FED. Pelo FED, Janet Yellen falou duas vezes no período e vários dirigentes regionais também discursara. O tom geral foi de economia em recuperação, incertezas geradas pela política fiscal de Trump (segundo Yellen insustentável), preocupação com inflação abaixo da meta e emprego alto não mexendo muito com nível de salários. A expectativa é de mais uma alta de juros em 2017 e redução do tamanho do balanço do FED que pode ocorrer em setembro.

Janet Yellen disse que presidentes de bancos centrais costumam se consultar, mas que não existe nenhuma coordenação. Aliás, essa foi uma grande preocupação dos agentes dos mercados, já que vários bancos centrais começaram a se manifestar sobre possível encolhimento nos programas de flexibilização monetária. Nos EUA, vendas no varejo de junho em queda de 0,2% produção industrial subindo 0,4% e inflação pelos preços ao consumidor estável e anualizada em 1,6%.

No Japão, o BOJ divulgou relatório melhor sobre a economia, mas ainda assim a aprovação do primeiro ministro, Shinzo Abe, segue no pior patamar histórico, em 29,9%.

Na China, o PBOC (BC Chinês) voltou a irrigar o mercado financeiro e a moeda yuan segue ao redor de 6,78 por dólar. O saldo comercial de junho ficou em US$ 42,8 bilhões, com exportações crescendo anualizadas 11,3% e importações +17,2%. A inflação chinesa pelo CPI (Consumidor) ficou em 1,5% anualizada para junho e o PPI (atacado) em 5,5%.

No Reino Unido, seguem as dúvidas sobre o Brexit, com Theresa May apelando aos opositores para se manter como primeira ministra. A taxa de desemprego no Reino Unido no trimestre encerrado em maio caiu para 4,5%. Na zona do euro, a produção industrial de maio teve alta de 1,3% e crescendo anualizada 4,0%.

Na Alemanha, a inflação de junho pelo CPI subiu 0,2% e taxa anualizada de 1,6%, exatamente como prevista. Angela Merkel que vem ganhando espaço para as próximas eleições segue insistindo em manter diálogo com os EUA sobre comércio, apesar das diferenças existentes. O presidente Macron da França cobrou mais empenho da Alemanha em se comprometer com a zona do euro.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA +5,00 (65436) DOW JONES +1,05 NASDAQ +2,58 DÓLAR -2,99% (R$ 3,185)

PERSPECTIVAS

Seguimos na dependência do que poderá ocorrer na política, depois de toda deterioração das últimas semanas. Uma agenda econômica parida as pressas deu algum gás aos mercados retirando um pouco o lado político de cena, que continuou fervilhando, mas sem fazer preço para os ativos. Bom exemplo pode ser obtido na recuperação da Bovespa e queda do dólar e juros. Porém, fica difícil acreditar que o governo consiga montar outras agendas positivas para a próxima semana. Porém, o recesso do Congresso afasta um pouco as pressões.

O mesmo acontece como mercado internacional que teve uma semana razoavelmente tranquila e declarações mais suaves que as esperadas por parte de Janet Yellen, outros dirigentes do FED e bancos centrais. Aliás, esse é outro ponto que pode fazer a diferença no próximo período. Qual será a real postura dos bancos centrais no que tange à redução nos programas de flexibilização monetária?

De nossa parte, não vemos justificativa para iniciar elevação dos juros (mesmo nos EUA), dadas as condições da inflação, ausência de pressões maiores sobre salários, etc. Igualmente, não parece tão justificável reduzir o tamanho de bancos centrais, sobretudo se isso for feito concomitantemente com a elevação dos juros. De qualquer forma, o quadro que se apresenta para a economia global é bem mais favorável, e isso parece estar se refletindo na precificação mais alta dos ativos.

No Brasil, ainda podemos acrescentar que os resultados do segundo trimestre das empresas deve ser melhor que o trimestre passado, e certamente bem melhor que o segundo trimestre de 2016.

Fazendo uso da análise técnica como instrumento auxiliar, diríamos que seria oportuno que o índice conseguisse ultrapassar o patamar ao redor de 65200 pontos, para abrir objetivo de curto prazo em 662000 pontos e, em seguida, tentar alcançar o patamar perdido quando da divulgação dos áudios de Joesley Batista. Lá pelos idos de 67600 pontos.

Seguimos recomendando prudência em operações de curto prazo, ao mesmo tempo em que acreditamos no sucesso da montagem de carteiras bem estruturadas com empresas maduras e com políticas definidas de distribuição de benefícios.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


Assuntos desta notícia

Join the Conversation