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Resumo da semana do mercado financeiro

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A semana para os mercados ficou comprometida em função do feriado americano de 04 de julho (Dia da Independência) com bolsas fechando mais cedo na véspera e fechadas no dia. Como sempre, os mercados perdem o referencial de preços dos ativos e muito da liquidez, demorando mais para engrenar novamente. No Brasil, ficamos ainda mais comprometidos pela prudência operacional dos investidores e o quadro político de desdobramentos insuspeitos.

A semana foi marcada no cenário internacional pela divulgação de indicadores de atividade industrial e de serviços melhores na Europa. Todos acima de 50 pontos, o que significa dizer expansão da atividade. Isso corrobora com as indicações que a zona do euro está se recuperando e amplia a expectativa que o BCE (BC Europeu) possa em futuro próximo mexer no programa de flexibilização monetária. Na Alemanha, o PMI industrial subiu para 59,6 pontos no maior patamar dos últimos 74 meses. No país, as encomendas à indústria subiram 1,0% em maio, mas o esperado era +1,9%, e a produção industrial expandiu 1,2% no mês.

Na zona do euro, o PMI industrial de junho foi para 57,4 pontos e a taxa de desemprego ficou estável em maio em 9,3%, o menor nível desde março de 2009. As vendas no varejo de maio, ainda na zona do euro, expandiram 0,4% e maio contra maio de 2016 +2,6%. No Reino Unido, o PMI da atividade industrial caiu para 54,3 pontos, o menor em três meses. A produção industrial de maio encolheu 0,1%. Nos EUA, os gastos com construção (leia-se investimentos) ficaram estáveis em maio, quando a previsão era de alta de 0,3%. A criação de vagas na economia em junho superou expectativas e cresceu para 222000 (previsão era 174000) e o desemprego subiu para 4,4%. O déficit comercial reduziu para US$ 46,5 bilhões, em queda de 2,3%. As encomendas à indústria encolheram 0,8% em maio.

Ainda nos EUA, tivemos a divulgação da ata do FED da última reunião que deu forte enfoque à redução do tamanho do balanço do FED, sugerindo que isso pode acontecer a qualquer momento, principalmente após setembro. Contudo, deve ocorrer de forma programada e bem gradual. Notamos que há certa perplexidade dos membros do FOMC sobre a economia próxima do pleno emprego e inflação bem abaixo da meta.

Nada definido sobre a sucessão de Janet Yellen no FED (Trump ainda não definiu), mas existem dois nomes mais cotados, ambos bem aceitos pelos agentes dos mercados. Porém, cabe acrescentar que haverá boa mudanças dos membros (alguns já mudaram e Fisher sai), o que deixa o quadro de ajuste um pouco mais conturbado. Trump cobrou que a ONU seja mais rígida com a Coreia do Norte, que nessa semana fez novos testes balísticos de longo alcance.

Fizeram coro na ONU o Japão e União Europeia, mas a Rússia e a China seguem advertindo que a solução não pode vir pela força. Trump cobrou que a Rússia interrompa o apoio aos regimes hostis como Síria e Irã. A União Europeia indicou que o Reino Unido não vai manter benefícios de comércio livre após o Brexit. Na Itália, para evitar crise maior, o governo assumiu o controle do Banco Monte Dei Paschi.

No cenário local, o lado político, só para variar um pouco, mostrou larga conturbação com a denúncia do presidente Temer pela PGR, o acolhimento pela CCJ para julgar, a eleição de Sergio Zveiter como relator e prazo correndo por cinco sessões. Ao longo da semana, o que era dado como certo (CCJ votar contra e plenário também) embaralhou bastante. O noticiário indica que o relatório deve ser desfavorável ao presidente e o PSDB (sempre ele) parece mais próximo do desembarque da base de apoio. Clima ainda mais pesado no final da semana com políticos falando abertamente sobre saída de Temer e Rodrigo Maia assumindo.

Vários políticos foram soltos ou aliviados pela Justiça. Loures foi para casa, Aécio assumiu novamente suas funções de senador e seu processo de cassação arquivado na Comissão de Ética. Decisivamente não foi uma semana boa para a Lava Jato. O doleiro Funaro (temido pelo Planalto) iniciou processo de delação premiada e Geddel Lima (quarto ministro de Temer envolvido) prestou depoimento depois de ser preso.

Na economia, tivemos alguns dados importantes sendo anunciados e comemorados pelo governo. A produção industrial anunciada pelo IBGE para maio cresceu 0,8% e no comparativo com igual período de 2016 subindo 4,0%. Bens de capital cresceu 3,9% em maio, o que parece bom sinal, com a produção aumentando em 17 de 24 ramos considerados. A CNI (Confederação da Indústria) mostrou faturamento real do segmento em maio expandindo 5,5% e horas trabalhadas com +1,6%. O emprego industrial cresceu 0,1% no mês.

O saldo da balança comercial de junho foi de US$ 7,19 bilhões, acumulando no semestre superávit de US$ 36,22 bilhões. Situação positiva para a inflação com o IPCA mostrando deflação de 0,23% em junho e acumulando alta no ano de 1,18%. Em 12 meses, inflação de 3,0%. Foi o menor mês de junho desde o Plano Real.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA -0,92 (62322) DOW JONES +0,30 NASDAQ +0,21 DÓLAR -0,88% (R$ 3,283)

PERSPECTIVAS

Na nossa visão, o lado político segue embaralhando a conjuntura econômica local e a semana ultrapassada foi pródiga em mostrar isso. Basta ver que o CDS (Credit Default Swap) do Brasil voltou a subir para o patamar de 248 pontos e notamos aumento de remessa para o exterior de empresas que podem fazer essa operação.

De outra feita, depois da divulgação dos áudios de Joesley Batista, o Brasil parece ter parado. Ainda é cedo para diagnosticar isso, mas essa é a sensação ao conversar com formadores de opinião e empresários. Podemos encontrar justificativa na passagem das reformas para segundo plano, enquanto o presidente Temer busca se manter no poder, essa sim a preocupação maior.

Reformas eventualmente desidratadas podem ser aprovadas, mas insuficientes para reposicionar a economia nos trilhos. Os empresários, por sua vez, já estão avaliando quem poderá assumir a presidência em 2019 e, se eventualmente estaria comprometido com as reformas que são essenciais. Porém, até isso está embaralhado e daí pode surgir o tal “Salvador da Pátria”, que seria extremamente danoso para o ajuste da economia.

Nesse ambiente nublado, ainda podemos acrescentar que perdemos a fase de elevada liquidez do mercado financeiro internacional, e de juros muito baixos e/ou negativos em diferentes países. Agora, a conjuntura global parece estar migrando para menor flexibilização monetária e taxas de juros mais altas.

Novamente usando o apoio da analise técnica (que em tais horas ajuda a clarear os horizontes do mercado), diríamos que o Ibovespa não deveria perder o patamar de 62200 pontos sob pena de retornarmos ao patamar de 61000 pontos. Ao contrário, caso o índice consiga ultrapassar a faixa de 63350 poderia ir buscar o objetivo ao redor de 64200, que seria um ponto para seguir recuperando.

Seguimos recomendando prudência nas operações de curto prazo, mas podem surgir bons momentos para compras progressivas e montagens de carteiras de mais longo prazo.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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