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Resumo da semana do mercado financeiro

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Mercados mais uma semana afetados basicamente por dois fatores principais. De um lado, o agravamento da crise política interna e, de outro, pela volatilidade nos preços de commodities, especialmente o petróleo que mexe com as ações de Petrobras. Isso acabou afetando a Bovespa, mas mexeu com o dólar que bateu R$ 3,35 e taxa de juros.

No plano político, o presidente Temer passou a semana viajando, mas a crise não foi e ficou fazendo seus estragos no país. O governo “cochilou” e teve rejeitada na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) a Reforma Trabalhista, e isso mostrou a fragilidade da base de apoio, implicando em dificuldades para outras aprovações, inclusive a principal, a da Previdência. Irado com isso, o governo parte para represália aos políticos, o que só deu mais força para o grupo do PSDB que quer se afastar de Temer. Renan Calheiros é que sai fortalecido.

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Já no Judiciário, tivemos a mudança para prisão domiciliar (com tornozeleira) de Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, e de outros implicados. O próprio senador teve seu julgamento adiado. Também tivemos lances importantes no STF com julgamento se a JBS ficaria com o relator da Lava Jato, Fachin, e sobre homologação de delações. O chefe da PGR, Rodrigo Janot, por sua vez, segue preparando a denúncia contra o presidente Temer e parece ter armado mais uma arapuca no fatiamento e novo tratamento para políticos envolvidos no Caixa 2 do financiamento de campanhas, mas sem dinheiro de propina.

No plano econômico, o principal evento foi mesmo o anúncio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) indicando postura mais suave do Bacen, e trazendo de volta a possibilidade de redução da Selic em 1,0% na próxima reunião. Porém, as projeções macro seguem muito fracas, exceto no que tange à inflação de dados externos.

Segundo o relatório, a inflação de 2017 está em 3,80%, o PIB segue apontando +0,5% e o PIB industrial melhorou para +0,3%. Em compensação, a formação bruta de capital fixo caiu para -0,6% no ano (anterior em -0,3%), consumo das famílias encolhendo para zero (de +0,5%) e consumo de governo com -0,6% (de +0,2%). Os gastos com juros subiram para US$ 22,5 bilhões e o dólar considerado nas projeções ficou em R$ 3,30. O PIB agropecuário segue salvando o ano com expansão estimada em 9,6% (anterior em +6,4%). O IPCA-15 de junho veio acima do esperado em +0,16%, mas a inflação em 12 meses está em 3,52%, reforçando a queda de juros.

A FGV divulgou que a confiança da indústria caiu em junho para 90,0 pontos (-2,3 pontos), e saldo da balança comercial até a terceira semana de junho era positivo em US$ 3,58 bilhões, acumulando superávit no ano de US$ 32,6 bilhões. A Receita Federal anunciou que a arrecadação de maio foi de R$ 97,7 bilhões, menor que o mês anterior em 17,5%. No ano, a arrecadação está em
R$ 544,5 bilhões, maior em 0,35%. As desonerações do ano montam a R$ 35,2 bilhões. O governo comemorou dados positivos do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego) em 48,5 mil vagas e o Bacen divulgou o fluxo cambial até 16 de junho negativo no mês em US$ 3,4 bilhões (financeiro com -US$ 5,7 bilhões), mas ainda positivo no ano em US$ 8,4 bilhões.

No segmento internacional, a preocupação com relação aos EUA ficou menos evidente depois de Trump ter detonado os acordos de Obama com Cuba. Na semana, o presidente esteve mais quieto, deixando com seu secretário do Tesouro a tarefa de falar sobre a aprovação do orçamento e elevação do teto da dívida que esperam sejam aprovadas até o final de agosto. No entanto, prosseguem os mistérios sobre a reforma fiscal, guardada a sete chaves. A aprovação do governo Trump é que caiu para o nível mais baixo desde janeiro, ficando em 36%.

Durante a semana, vários presidentes de FEDs regionais falaram quase sempre com viés mais suave sobre escalada dos juros, e querendo observar o comportamento da inflação que gira abaixo da meta. Houve presidente (Kaplan de Dallas) dizendo que era até possível que não houvesse mais elevação nesse ano de 2017. Apesar disso, todos versaram sobre a necessidade de reduzir o tamanho do balanço do FED e alguns se manifestaram favoráveis a começar antes do final do ano e sem correlação com juros.

Em termos de indicadores de conjuntura, tivemos as vendas de imóveis usados crescendo 1,1% em maio (previsto era -0,5%), os pedidos de auxílio desemprego com alta na semana de 3000 posições para 241000, o índice de indicadores antecedentes de maio em alta de 0,3% e o índice de atividade industrial de Kansas subindo para 11 pontos, quando o esperado era 8,0 pontos. O PMI composto caiu para 53,0 pontos em junho e as vendas de casas novas com +2,9% em maio.

Na zona do euro, o índice de confiança do consumidor de junho subiu para -1,3 pontos e o BCE (BC Europeu) segue reafirmando a política de flexibilização monetária como necessária. Mesma postura observada pelo BOE (BC Inglês) de que ainda não é momento de começar a reduzir juros. Na Alemanha, a inflação medida pelo PPI de maio anualizada ficou em 2,8%, Angela Merkel se fortaleceu politicamente e diz que não desistirá de um acordo de livre comércio entre União Europeia e EUA.

No Japão, o presidente do BOJ, Kuroda foi enfático em afirmar a política de distensão monetária, mesmo com a avaliação positiva do governo sobre a economia, situação que não acontecia desde o mês de dezembro. Tivemos PMI (atividade) saindo para diferentes países em junho, todos em desaceleração mais acima de 50 pontos, o que demonstra expansão da atividade.

RESUMO DA SEMANA
IBOVESPA -0,87 (61087) DOW JONES +0,05% NASDAQ +1,85 DÓLAR + 1,52% (R$ 3,341)

PERSPECTIVAS

A tendência da Bovespa seria de acalmar um pouco não fossem as tensões políticas existentes e que só fazem piorar. Podemos acrescer conturbações no segmento de commodities, mais especificamente no petróleo, onde parece não haver consenso entre os membros da OPEP de voltarem a cortar produção para equilibrar preços.

Porém no plano externo, notamos mudanças importantes que fizeram com que os investidores acalmasse. Há expectativas de que economias importantes da zona do euro e Ásia mostrem maior consistência de recuperação, e o que é melhor, com políticas monetárias ainda distensionadas, já que a inflação segue baixa e menor que a meta em quase todos os países.

Nos EUA, Donald Trump saiu um pouco de cena e ajudou na acomodação dos mercados possibilitando que indicadores de bolsa voltassem a bater recordes históricos. Isso se verifica na bolsa de Tóquio em patamares elevados.

Falando de Brasil, a situação segue crítica no que tange ao ambiente político e, isso tem determinado a volatilidade dos mercados e pressões sobre a taxa cambial que voltou a atingir patamar de
R$ 3,35. Porém, temos quadro bastante favorável para a inflação e queda da Selic em 1,0% que na próxima reunião do Copom, voltou ao radar.

Nossa visão é de que os mercados de risco já estariam razoavelmente ajustados para os fatos conhecidos e a tendência dos mercados seguirá o noticiário diário. Significa dizer que se o noticiário político melhorar, os mercados irão junto e vice versa. O problema está na imprevisibilidade, com retaliações de todos os lados entre os poderes e dentro deles, a denúncia que pode atingir mais fortemente o presidente e seus principais assessores e as reforma que entraram em compasso de espera.

Buscando apoio na análise técnica, nossa zona de conforto estaria melhor quando o índice conseguir ultrapassar o patamar acima de 62300 pontos com consistência e acenar com novos objetivos perdido ao redor de 64000 pontos. Apesar disso, seguimos recomendando postura prudente no curto prazo, buscando ajuda em operações com derivativos para minimizar riscos de exposição. Para horizontes temporais mais dilatados para retorno, achamos que existem boas chances de compras de ações de empresas maduras e com boa governança.

Alvaro Bandeira
Economista-Chefe Home Broker Modalmais
Fonte: https://www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado


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