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Resumo da semana do mercado financeiro

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

A semana foi bastante complicada para os mercados locais por diversas razões. Feriado numa quinta feira espremendo a sexta-feira no final de semana e preparação do vencimento de opções. Aliás, o período embutiu também o vencimento do derivativo de índices para o prazo junho. Com o mercado de commodities sob intensa volatilidade, ações da Vale, siderúrgicas e Petrobras tiveram também larga volatilidade. Isso foi estendido também para o setor bancário, função de expectativas com a MP de leniência de instituições financeiras e absolvição do presidente do Bradesco.
Do lado político, algum progresso com a reforma trabalhista na segunda comissão (a CAS de assuntos sociais), faltando ainda passar na CCJ, antes de seguir para plenária. Tivemos ainda muitas repercussões da decisão do TSE de absolver a chapa Dilma/Temer, e a reunião do PSDB de não sair da base de apoio do governo Temer, mas dividindo ainda mais o partido. Prevaleceu (temporariamente) a posição dos caciques do partido, caso não surjam fatos novos envolvendo o presidente Temer.
Eduardo Cunha voltou a ser inquerido, Sérgio Cabral apenado com 14 anos e dois meses, bloquearam recursos de Adriana Ancelmo e Andrea Neves (irmã do senador) não conseguiu relaxamento de prisão em julgamento no STF. Fachin foi defendido pela presidente do STF Carmem Lúcia que divulgou carta dura e o presidente Temer foi obrigado a se explicar em rede social sobre o episódio e afirmar que não comprometeria a Lava Jato.
Do lado da economia algumas notícias positivas, mas que pretensamente ficaram ainda mais depois de declarações super otimistas de membros do governo. O IBGE anunciou as vendas no varejo do mês de abril em alta de 1,0% (ampliado +1,5%) mas com queda no ano de 1,6% e em 12 meses com -4,6% (ampliado -6,3%). O saldo da balança comercial em duas semanas de junho mostrava superávit de US$ 2,22 bilhões.
O relatório Prisma Fiscal projetou déficit primário de R$ 142 bilhões para 2017, menos que o anterior com R$ 145 bilhões. Apesar disso o presidente Temer na busca de se manter no poder abriu o “saco de bondades” para políticos, empresários e até para a classe média. O IBGE também anunciou o volume de serviços prestados de abril em queda de 5,6% comparativamente a igual período de 2016, mas o mês com ampliação de 1,0%. Em 12 meses -5,0%. A receita bruta nominal registrou alta de 0,5%. O fluxo cambial até 09/06 ficou negativo em US$ 1,3 bilhão (financeiro também negativo em US$ 3,0 bilhões), mas no ano está positivo em US$ 10,5 bilhões. O IBC-Br de abril, prévia do PIB pelo Bacen, registrou expansão de 0,28%, mas cai 0,44% em 2017 e 2,75% em 12 meses.
Nos mercados, a incerteza dominou com volatilidade do dólar (chegou a vazar R$ 3,33), juros variando sem grande consistência e Bovespa (B3) com fortes oscilações e mudanças de sinais. Já os investidores estrangeiros inverteram a mão e passaram a retirar recursos do mercado. Até 12/06 foram sacados R$ 654 milhões, mas no ano segue sendo ainda bem positivo em R$ 5,0 bilhões.
No que tange ao setor externo Theresa May primeira ministra do Reino Unido segue fraca e tentando formar governo com apoio do Partido Unionista, mas dizendo que vai iniciar o Brexit nos próximos dias. Porém, aparentemente teremos saída da União Europeia mais suave. Também não se pode descartar tentativas de até retirar a primeira ministra. Já na França o presidente Macron ganha força e deve conseguir maioria das cadeiras no parlamento.
Na Alemanha o presidente do Bundesbank contestou declarações do presidente do BCE Mario Draghi e disse que a zona do euro necessita de política monetária mais normal. Na Alemanha deflação no mês de maio pelo CPI (consumidor) de 0,2% e taxa anualizada de 1,5%.
Na zona do euro a produção industrial cresceu em abril 0,5% e com taxa anualizada de 1,4%. No Reino Unido a taxa de desemprego no trimestre encerrado em abril ficou em 4,6%. Na China tivemos a divulgação de indicadores importantes. A produção industrial anualizada mostrou expansão de 6,5% (previsão +6,4%), as vendas no varejo cresceram 10,7%, pouco inferior ao previsto e os investimentos em ativos fixos do ano até abril com alta de 8,6%. Porém os EUA dominou a cena internacional.
O secretário de Justiça americano Jeff Sessions foi arguido pelo parlamento, não respondeu muitas questões e não comprometeu Trump no episódio com os russos e eleições. Já o secretário Mnuchin voltou a falar das reformas previstas e que o novo teto da dívida deveria ser aprovado até agosto. Falou também da reforma tributária e de investimentos. Porém tudo isso será mais complicado de ser aprovado (alguma semelhança com o Brasil).
Indicadores de conjuntura dos EUA voltaram a não ser tão positivos, com vendas no varejo em queda de 0,3% em maio, deflação de 0,1% para o CPI e PPI estável em maio e estoques nas empresas declinando 0,2%. A confiança do consumidor de Michigan de junho caiu para 94,5 pontos, vindo de 97,1 pontos. Apesar disso o FED foi mais importante com a decisão de elevar juros em 0,25% para intervalo entre 1,00% e 1,25% e coletiva de Janet Yellen um pouco mais dura, principalmente com relação ao ajuste (Tapering) do tamanho do balanço do FED. Isso deve começar no final do ano de forma muito gradual e previsível de redução de US$ 10 bilhões mês.

RESUMO DA SEMANA

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

BOVESPA -0,94 (61626) DIA -0,48 DOW JONES +0,53 NASDAQ -0,90 DÓLAR EST. (3,291) DIA +0,33

PERSPECTIVAS
Pelo menos na teoria poderemos ter quadro mais confortável para os mercados na semana que está começando, e isso estimular um pouco os mercados de risco pelo mundo. Lamentavelmente estamos falamos do exterior, pois por aqui a situação segue tensa no âmbito político. Mais para o final da semana FHC, uma das cabeças coroadas do PSDB, sugeriu que Temer antecipasse eleições diretas, dada a baixa credibilidade do governo e voltou a incendiar.
Fica restando os EUA com Trump problemático e com dificuldades de aprovar reformas, orçamento 2017/18 e tudo que está circulando por lá de possível obstrução de justiça. Essa parece ser a pedra no sapato que pode gerar prudência nos investidores. Ainda por cima Trump abriu mais um conflito ao detonar os acordos com Cuba.
Aqui fica restando o imponderável da situação política local inibindo atuações e trazendo reduções de posições de estrangeiros, mesmo com indicadores de conjuntura um pouco melhores no curto prazo. Ocorre que os mercados já terão ultrapassado os vencimentos para o prazo junho, e melhor volatilidade pode ser intuída.
Do ponto de vista da analise técnica é de fundamental importância que a zona de 62200 pontos do índice possa ser rompida para cima, acenando com o objetivo de 64000 pontos. Caso isso não ocorra ficamos na expectativa de perda do patamar de 61000 pontos e maior fragilidade. Vamos ter que avaliar o noticiário político.


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