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(Texto atualizado com mais informações)
SÃO PAULO/BRASÍLIA, 16 Mai (Reuters) – O Banco Central
manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 6,5 por
cento ao ano, contrariando expectativas da maioria do mercado de
um corte de 0,25 ponto percentual, argumentando que o cenário
externo tornou-se mais desafiador.

Veja abaixo comentários de especialistas:

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JOSÉ FRANCISCO GONÇALVES, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO FATOR:
"Eu não esperava. É uma situação daquelas que os membros do
comitê podem argumentar que trabalharam no limite do julgamento.
É o 'feeling' de cada um.
O peso do chamado choque externo foi maior do que a piora da
atividade e da inflação, tanto corrente como nas expectativas. O
ponto foi o choque cambial e não tenho a menor dúvida que eles
não quiseram se arriscar. Agora, a Selic fica parada neste
patamar e dependerá do efeitos do câmbio sobre a inflação, e
isso está em aberto diante da atividade fraca. Continuou achando
que a Selic só volta a subir em 2019."

MARCO CARUSO, ECONOMISTA, BANCO PINE:
"A decisão é muito baseada no cenário de riscos. Os
condicionantes, excluindo o balanço de riscos, ainda
trabalhariam a favor de um corte. Eles preferiram 'play safe',
já que teve uma chacoalhada no balanço de riscos. Segue válido
que, se não tiver um chacoalhão muito maior, se a gente não
tiver um segundo chacoalhão, fica prevalecendo um cenário de
Selic muito baixa."

CARLOS LOPES, ECONOMISTA, BANCO VOTORANTIM:
"Apesar de não ter sido a nossa projeção nem nossa
expectativa, a decisão não chega a surpreender. Essa discussão
estava na mesa, o BC havia sinalizado lá atrás que cabia mais um
corte, dadas as condições econômicas, principalmente inflação,
balanço de riscos e expectativas. O cenário externo evoluiu pior
que o esperado, tanto para o mercado, quanto para o BC.
Agora, a gente chega num ponto em que o próximo movimento é
pra cima. Ainda estamos muito longe do movimento, talvez na
primeira metade do ano que vem. Mesmo que seja no início do ano
que vem, é um horizonte bastante longo."

CELINA VANSETTI-HUTCHINS, DIRETORA-GERENTE PARA BANCOS NAS
AMÉRICAS DA AGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO MOODY’S
“A decisão do Banco Central de manter a Selic na mínima
histórica de 6,50 por cento encoraja reduções dos juros
bancários, uma vez que o custo de captação dos bancos diminui.
Ao mesmo tempo, a continuidade da demanda limitada por crédito
provocará uma redução gradual do spread bancário à medida que a
concorrência entre as instituições se intensifica.”

LUKA MACHADO BARBOSA, ECONOMISTA DO ITAU UNIBANCO MACRO
RESEARCH
"O Copom decidiu terminar o ciclo deixando a taxa básica
inalterada a 6,5 por cento ao ano (esperávamos um corte final de
25 pontos básicos). As autoridades basearam sua decisão, de
acordo com o comunicado, na mudança do balanço de riscos
determinada por uma alteração no cenário externo. Saberemos mais
sobre o pensamento das autoridades na divulgação da ata do
Copom. Ainda, parece que este é o piso da Selic e o próximo
movimento, quando acontecer, será para cima."

DAVID BEKER, CHEFE DE ECONOMIA E ESTRATÉGIA DO BANK OF
AMERICA MERRIL LYNCH NO BRASIL
"O BC fez o que tinha que ser feito. Tinha muita gente no
mercado que achava que ele tinha que manter mas apostava no
corte por causa da linguagem. Obviamente quando você lê o
comunicado, você tem uma mudança importante no externo que
explica essa decisão.
De acordo com a visão do mercado e do BC, a taxa de juros
está abaixo da neutra. Então não é que a inflação baixa pesa
menos do que o externo, porque mesmo com a taxa nesse nível, ele
já está agindo para ajustar isso.
Acho que o cenário é que eles vão manter os juros até o fim
do ano. Hoje a gente tem ele subindo no começo do ano que vem,
sujeito a mudança dependendo do cenário eleitoral. Em relação a
subida, acho que depende tanto do cenário externo quanto do
eleitoral, mas eu diria que no fim das contas a discussão aqui é
se o próximo governo vai implementar uma agenda de reformas."

MAURÍCIO MOLON, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO SANTANDER
“O Banco Central teve uma atuação de quem não quer adicionar
volatilidade ao mercado… mantendo a taxa de juros mais elevada
do que se esperava, ele acha que isso pode ter algum efeito de
proteção da volatilidade de mercado e da taxa de câmbio… e no
momento, tudo o que a gente quer é conter este processo de
volatilidade que está trazendo incerteza.”
“A Selic deve ficar em torno de 6,5 por cento até o segundo
semestre do ano que vem. A gente está com uma folga… você tem
muita folga de fatores de produção, um ponto de partida muito
baixo da inflação e apenas no segundo semestre do ano que vem
que a autoridade monetária olhando para frente vai ver uma
inflação em linha com a meta, o que pode requerer trazer a taxa
de juros para o patamar considerado neutro.”
“Começa o processo de alta no segundo semestre do ano que
vem e conclui no primeiro trimestre de 2020, segundo nosso
cenário. Então, a taxa termina o ano que vem em 7,5 por cento
mas, com esse processo de normalização, chega mais ou menos em 8
por cento ou 8,5 por cento em 2020.”

(Por Patrícia Duarte, Iuri Dantas e Bruno Federowski; Edição de
Aluísio Alves)
(([email protected]; +55 11 5644-7732; Reuters
Messaging: [email protected]))


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