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O referendo no Reino Unido será realizado no pior momento possível para a União Europeia (UE), fragilizada por uma crise de refugiados, economia em frangalhos e desemprego ainda elevado, mas também por um crescente populismo e euroceticismo que pode ser agravado por um “Brexit” que obrigaria o bloco a refletir sobre seu futuro.

Para Fabian Zuleeg, diretor-executivo do Centro de Política Europeia (EPC, na sigla em inglês), o referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE “vem em um momento muito ruim” para os 28 países do bloco, diante de todos os incêndios que tem que ser apagados atualmente.

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“A eventual saída do Reino Unido da UE é mais um sinal da fragmentação, da fraqueza do sistema europeu, e o referendo se somou às múltiplas crises que a União já sofre”, afirmou à Agência Efe este especialista.

Estas foram nos últimos anos as principais crises desde a do euro e da dívida da Grécia, ou ainda o drama dos refugiados, e serviram de argumento a partidos eurocéticos para fomentar e encorajar a crise de identidade da UE.

“Uma saída do Reino Unido permitiria a estes partidos reivindicar que fazer parte da UE não é irreversível e que um país pode reafirmar a soberania nacional”, disse Zuleeg.

“Um ‘sim’ a favor da permanência na UE limitaria até certo grau a atual moda de realizar referendos em diferentes Estados-Membros, e um ‘não’ encorajaria aqueles que exigem em outros lugares consultas”, disse à Efe o analista do German Marshall Fund dos Estados Unidos Michael Leigh.

Ele considera que uma vitória do campo “pró-UE” demonstraria que a opinião pública “retém sua própria capacidade de decidir sobre assuntos importantes sobre a base do bom senso e do interesse econômico, e isso pode ter um certo efeito dissuasório sobre os outros populistas na Europa e além”.

O analista político do centro de estudos Open Europe, Pawel Swidlicki, acredita que um voto em prol da permanência “criaria obstáculos para os movimentos populistas, mas não os afastaria por muito tempo, tendo em vista os problemas que ainda existem na UE”.

Em Bruxelas, os presidentes das principais instituições, como Comissão Europeia, Parlamento Europeu e Conselho Europeu, advertem há meses sobre as tendências populistas e nacionalistas que não só são próprias do Reino Unido, mas também de França, Holanda, Alemanha, Áustria, entre outros.

Na Holanda já surgiu o debate sobre um “nexit”, acrônimo em inglês de “Netherlands” (Holanda) e “exit” (saída).

Embora segundo a última pesquisa um em cada quatro holandeses diga que deveria haver um referendo, se houvesse uma votação a maioria se oporia a uma ruptura com os parceiros do bloco.

Leigh também afirmou que a atual onda de populismo na Europa “é parte de um fenômeno global” que inclui os EUA e “continuará sendo um desafio para os partidos políticos nos países ocidentais”, abandone ou não o Reino Unido a UE.

“O referendo britânico faz parte da turbulência política geral na UE (…), de modo que enfrenta grandes desafios seja qual for o voto dos britânicos”, opinou Swidlicki.

Muitos cidadãos consideram a UE incapaz de solucionar seus problemas, indicam todos os especialistas, e sentem que em cada momento crítico da União a resposta automática é “mais Europa”.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse recentemente que “visões euroentusiastas líricas e ingênuas” de uma integração total da UE não são a resposta adequada para os problemas dos 28 países do bloco.

“Atualmente há pouco apoio público para ‘mais Europa’ na maioria dos países-membros. O público está muito mais interessado em empregos e na segurança pessoal do que em novos projetos ou sistemas ambiciosos em nível da UE”, afirmou Leigh.

Um recente estudo do centro de pesquisas Pew revelou que quase a metade dos cidadãos (47%) de dez países da UE indagados, vê com olhos desfavoráveis a UE, e 42% opinam que Bruxelas deve devolver alguns poderes aos governos nacionais.

Cerca de 70% acreditam que um “brexit” seria ruim para a UE.

“Qualquer que seja o resultado do referendo, precisamos debater sobre o futuro da UE”, admitiu o presidente da Eurocâmara, Martin Schulz.

“Devemos falar sobre o que pode ser feito em nível da União e daí em nível dos países, mas este processo do referendo, a negociação, é a maneira equivocada de fazê-lo, porque não produz considerações de longo prazo sobre o futuro do bloco comunitário, nem gerou até agora nenhum tipo de reforma real na UE”, afirmou Zuleeg.

Com Ag.EFE


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