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Por Aluisio Alves
SÃO PAULO, 13 Jun (Reuters) – O Quod, bureau de crédito
controlado pelos maiores bancos do Brasil, deve iniciar suas
operações até o fim do ano com uma base estimada em cerca de 100
milhões de pessoas, o que deve lhe garantir uma vantagem em
relação aos concorrentes, disseram executivos à Reuters.
Controlado por Itaú Unibanco , Santander Brasil
, Bradesco , Banco do Brasil e
Caixa Econômica Federal, o Quod vai concorrer com gestoras de
crédito como Serasa Experian, Boa Vista SCPC e SPC Brasil.
"A base robusta de dados é, sem dúvida, um diferencial",
disse o presidente-executivo da companhia, Rodrigo Abreu,
durante o Ciab, congresso anual de tecnologia do setor bancário.
Além da base própria de dados, o Quod deve iniciar as
operações em um cenário em que o chamado Cadastro Positivo
estará operando em sua potencialidade. Criado em 2013, o
Cadastro Positivo, tido como um fator para derrubar as altas
taxas de juros oferecidas por bancos, jamais deslanchou.
Para especialistas, o principal entrave para o sistema que
avalia o histórico de crédito do potencial tomador é o seu atual
modelo de adesão, que ainda hoje depende de aprovação prévia do
interessado em tomar crédito, o chamado "opt in".
Mas caso a Câmara dos Deputados aprove um projeto que está
na pauta, a lógica será invertida e todos os correntistas de
bancos vão entrar de imediato na base de dados, a menos que se
manifestem em contrário, o 'opt out'. Com a mudança, os
analistas entendem que o Cadastro Positivo finalmente deve ter
volume suficiente de dados para funcionar adequadamente.
Como o Quod já terá acesso à base de correntistas dos cinco
maiores bancos do país, responsáveis por cerca de 90 por cento
dos ativos do sistema financeiro nacional, a empresa inicia suas
operações com bastante vantagem em relação às rivais.
O sistema do Quod será administrado pelo grupo
norte-americano de tecnologia LexisNexis, que já opera dentro
bureaus de crédito nos Estados Unidos. O modelo prevê acesso de
bancos ao histórico de financiamento de potenciais tomadores de
empréstimos, o que lhes permite oferecer juro menor aos clientes
de menor risco.
Segundo o presidente-executivo global da LexisNexis, Rick
Trainor, a entrada em vigor do Cadastro Positivo em condições
semelhantes aos de mercados nos quais a companhia já opera, como
os Estados Unidos e o México, pode fazer o país ampliar a
proporção de crédito em relação ao PIB, ao mesmo tempo em que as
taxas médias de inadimplência recuam.
"Nos países em que o cadastro positivo funciona, mesmo em
emergentes, a proporção do crédito é muito maior", disse
Trainor.
Pelas contas da LexisNexis, o índice médio de inadimplência
acima de 90 dias é de 1,7 por cento nos EUA e de 2,2 por cento
no México. Segundo dados mais recentes do Banco Central, o
índice no Brasil era de 4,7 por cento em abril.
O lançamento do Quod, que deve começar a operar até o fim de
2018, acontece em meio à multiplicação no país das fintechs,
plataformas independentes que têm crescido ofertando crédito e
outros produtos e serviços financeiros mais baratos do que o
setor bancário tradicional.
Na semana passada, o presidente do portal de finanças
pessoais GuiaBolso, Thiago Alvarez, disse à Reuters que só sua
unidade de empréstimos, Just, deve originar cerca de 1 bilhão de
reais em 2019.
Com o Quod, além de terem uma central de dados própria, os
bancos terão maior capacidade de aplicar inteligência às
informações de seus próprios clientes.
Segundo Trainor, além dos próprios bancos, o Quod também vai
oferecer seus serviços para varejistas, fornecedores e vários
outros setores da economia que oferecem produtos para receber
pagamentos posteriormente, seja para pessoas ou para empresas de
pequeno porte.
"Há todo um universo de possibilidades de criar novos
produtos e oferta de mais crédito quando há acesso a melhores
informações de risco", disse Trainor.

(Edição Alberto Alerigi Jr. e Raquel Stenzel)
(([email protected]; + 55 11 5644-7712;
Reuters Messaging:
[email protected]))

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