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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por José Roberto Gomes
SÃO PAULO, 13 Abr (Reuters) – A programação de embarques de
açúcar pelo Brasil neste início de safra 2018/19 no centro-sul
está 60 por cento aquém do observado no começo do ciclo
anterior, resultado de uma oferta doméstica menor e de uma
demanda pelo produto nacional mais tímida, segundos dados de
line-up e especialistas consultados pela Reuters.
A expectativa é de que esse cenário perdure ao longo da
temporada, o que poderia reduzir o peso do país no comércio
global da commodity, embora não a ponto de lhe retirar a
liderança.
Conforme monitoramento da agência Williams relativo à
primeira semana da nova safra, iniciada oficialmente em 1º de
abril, dez embarcações estavam programadas para carregar 393,5
mil toneladas de açúcar nos portos do país ao longo dos próximos
dias.
Há um ano, porém, no início do ciclo 2017/18, eram 23
navios, com carregamento de 950,4 mil toneladas do produto.
"Basicamente, o ponto principal por trás disso é a redução
forte na produção de açúcar (no Brasil). Vamos ver nesta safra
line-ups sistematicamente menores que os do ano passado",
comentou o sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento, Julio
Maria Borges.
O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar, e o
centro-sul, região que responde por mais de 90 por cento da
fabricação nacional da commodity, deve reduzir a produção entre
5 milhões e 6 milhões de toneladas na temporada vigente, de
acordo com algumas consultorias.
O recuo esperado é reflexo da preferência das usinas pelo
etanol, cujo consumo interno vem forte desde meados do ano
passado após altas tributárias maiores sobre a gasolina, seu
concorrente direto –tanto a produção quanto a comercialização
do biocombustível já surpreenderam positivamente na última
safra.
Borges, entretanto, lembrou que o próprio preço do adoçante
deprimido no mercado internacional "não estimula a exportação
neste momento".
A referência para o açúcar bruto, negociado na Bolsa de Nova
York e principal tipo exportado pelo Brasil, está
atualmente no menor patamar em quase dois anos e meio dada a
ampla oferta global, puxada por grandes safras na Índia,
Tailândia e União Europeia (UE).

"No ano passado, o pessoal estava plenamente concentrando no
açúcar, e neste ano é mais no álcool, que é prioridade por causa
do preço", resumiu o vice-presidente da ED&F MAN Capital
Markets, Michael McDougall.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

DEMANDA MENOR
De acordo com McDougall, a demanda internacional pelo açúcar
brasileiro também tende a ser menor nesta safra em razão das
salvaguardas impostas pela China e da maior exportação pela UE.
Em maio do ano passado, a China introduziu uma taxa extra de
45 por cento para a importação de açúcar de diversos países
sobreposta aos 50 por cento que já estavam sendo pagos. A medida
atingiu fortemente o Brasil, que costuma ser o maior fornecedor
para os chineses.
As exportações brasileiras de açúcar ao gigante asiático,
que chegavam a 6 milhões de toneladas em anos passados,
minguaram para apenas 115 mil em 2017/18, segundo o grupo da
indústria Unica.
Quanto à UE, McDougall citou uma exportação 1 milhão de
toneladas maior após o fim de um regime de cotas em outubro do
ano passado, que impulsionou a produção no ciclo a um recorde de
25 milhões de toneladas.
A UE fabrica principalmente açúcar branco, e a maior oferta
proveniente do bloco fez com que o prêmio desse produto sobre o
bruto diminuísse consideravelmente.
Trata-se de outro fator por trás da menor procura pela
commodity do Brasil, uma vez que para o importador está
compensando comprar o açúcar já refinado do que adquirir o bruto
para um posterior processamento.
Nesta sexta-feira, o prêmio do branco sobre o bruto
está em torno de 85 dólares por tonelada, abaixo dos
mais de 100 dólares observados meses antes do término das cotas
na UE.

(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


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