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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 8 Dez (Reuters) – A produção de ração animal no
Brasil ficou abaixo das projeções iniciais em 2017, mas ainda
assim deve bater recorde anual, diante de uma grande safra de
milho e soja e de exportações de carnes que só não foram
melhores por conta de escândalos políticos e sanitários que
atingiram a indústria frigorífica brasileira, estimou a
associação Sindirações.
A expectativa inicial era de que o setor pudesse atingir uma
produção de 69 milhões de toneladas neste ano, mas deverá fechar
um pouco abaixo disso, em 68,6 milhões de toneladas, com um
crescimento de 2 por cento na comparação com 2016, ano em que a
indústria foi afetada por uma quebra de safra.
Para 2018, apesar da expectativa de uma safra menor de
milho, principal componente da ração, o Brasil poderá atingir a
marca de 70 milhões de toneladas, com um crescimento de 2 a 3
por cento, disse o vice-presidente-executivo do Sindirações,
Ariovaldo Zani.
"Esperamos continuar crescendo a taxas de 2 a 3 por cento em
2018, considerando uma tendência de ânimo econômico, muito
embora em ano eleitoral… Tem que estar no radar que será ano
de instabilidade política agravada por pesquisas que revelam uma
certa tendência de radicalização à direita ou à esquerda, o que
traz turbulência econômica", disse Zani à Reuters, antes do
jantar de final de ano da associação.
Embora as exportações de carnes tenham influência no setor,
o mercado interno de proteína animal responde pela maior parte
da demanda por rações, acrescentou Zani.
Outra conjectura para 2018 é a safra de milho e soja, que
deve ser menor ante 2017, quando o clima perfeito levou a uma
produção recorde, aliviando custos para a indústria de ração e
de carnes, que caminham em sintonia.
Zani disse que apesar da expectativa de uma colheita menor
das principais matérias-primas da ração, há estoques que
poderiam compensar eventuais problemas climáticos.
Contudo, "tem que estar no radar" a exportação de milho. No
caso de uma aceleração dos embarques, "especuladores" que
negociam o cereal que responde pela maior parte da produção de
ração poderiam segurar o grão em busca de preços mais altos,
afetando o desempenho da indústria.
"Se a demanda pelo milho brasileiro exceder em muito ou
alcançar um novo recorde, pode inflacionar o preço do grão aqui
e outra vez diminuir a rentabilidade ou comprometer o setor de
ração", disse ele, lembrando-se de uma situação vivida em 2016.

2017
As indústrias de carnes e de ração sofreram os impactos dos
desdobramentos da operação Carne Fraca da Polícia Federal, que
investigou apurou um esquema de corrupção envolvendo fiscais
sanitários e empresários e resultou na suspensão temporária de
importações por alguns países. As indústrias também foram
afetadas pela delação de executivos da JBS , que
prejudicou os abates na maior processadora de carnes do mundo, e
até mesmo pelas discussões relacionadas ao tributo Funrural,
declarado constitucional pela Justiça em março, o que gerou um
passivo bilionário para agricultores.
"O setor este ano nos pregou peças, quando a gente ficou
convencido de que poderia ser pior, começou a recuperar", disse
o executivo do Sindirações, ressaltando que a leve melhora da
economia e a grande oferta de grãos, que reduziu custos,
ajudaram no crescimento da produção de ração em 2017.
Além disso, exportações de carnes se recuperaram após a
poeira dos escândalos ter assentado.
"Quando veio a Carne Fraca achamos que o impacto seria
avassalador… E mais recentemente houve uma recuperação das
exportações e do consumo doméstico, que é grande no Brasil… O
orçamento da família brasileira está tão comprometido que ela se
privou (na recessão), quando o dinheiro começou a aparecer ela
foi comprar comida."
A produção de 68,6 milhões de toneladas de ração projetada
para este ano não inclui o sal mineral, cujo setor deve
registrar um crescimento de apenas 0,4 por cento, para 2,8
milhões de toneladas, segundo o Sindirações.
Em rações, o segmento de alimentação para galinhas poedeiras
foi o grande destaque, com crescimento de 9 por cento ante 2016.
Mas o segmento que responde pela maior parte de produção de
ração (frangos de corte) deve fechar o ano com aumento de apenas
0,5 por cento ante o ano passado, para 32,3 milhões de
toneladas.
O também importante mercado de ração para suínos deve fechar
o ano com alta 1 por cento, a 16,5 milhões de toneladas. No caso
de bovinos, o destaque ficou por conta do gado de leite (alta de
6,3 por cento), que compensou estagnação da produção de ração
para bois confinados.

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(Edição de Raquel Stenzel)
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