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(Texto atualizado com mais informações)
Por Aluisio Alves e Ana Mano
SÃO PAULO, 16 Abr (Reuters) – O primeiro escalão de
executivos da BRF deve ser mantido após a eleição do
novo conselho de administração, dado o entendimento de grandes
acionistas de que as mudanças mais necessárias na empresa são de
estratégia, disseram três fontes com conhecimento direto do
assunto à Reuters.
"Os executivos atuais não têm culpa pela situação atual da
empresa", disse a fonte, sob condição de anonimato. "Além disso,
eles têm uma visão muito clara do que precisa ser feito."
Mergulhada numa crise profunda, com alto endividamento e
alvo de uma investigação por fraude sanitária, a BRF, maior
exportadora de carne de frango do mundo viu suas ações na B3
perderem mais da metade do valor desde o início de 2017,
precipitando uma forte disputa entre dois grupos de acionistas
pelo futuro da empresa.
A sucessão de crises levou um dos grupos, formado pelos
fundos de pensão Previ (dos empregados dos Banco do Brasil) e
Petros (dos funcionários da Petrobras), além do fundo europeu
Aberdeen a pleitear a mudança do conselho da BRF, assunto que
será votado numa assembleia de acionistas no próximo dia 26.
Esses investidores, que em conjunto detêm cerca de 27 por
cento do capital da BRF, querem reduzir o poder do grupo rival
liderado pelo empresário Abilio Diniz, hoje presidente do
conselho da empresa. Ele tem como aliado o fundo brasileiro
Tarpon , e juntos detêm cerca de 12 por cento das
ações da BRF.
Tentativas de formar uma chapa unificada fracassaram e o
Aberdeen sugeriu a adoção do voto múltiplo, sistema que dá aos
investidores poder de voto proporcional ao número de assentos no
conselho.
Segundo a fonte, esse modelo não é o ideal para a BRF, uma
vez que reduz as chances de composição de um conselho mais
"harmônico". Mas isso não deve impedir a adoção de mudanças
estratégicas importantes".
Essas mudanças, que serão sinalizadas ao mercado pouco
depois da eleição do novo conselho, devem incluir um foco a
tornar a BRF numa empresa mais ligada a alimentos e menos a
proteínas, ao se concentrar em produtos com melhores margens.
"Há também trabalho a fazer em termos de reposicionamento
geográfico e de táticas comerciais", afirmou a fonte, sem no
entanto detalhar se isso envolverá vendas de ativos.
Uma abertura de capital da subsidiária OneFoods, voltada
para o mercado muçulmano, ficará para um segundo momento,
acrescentou a fonte.
O conflito entre dois grupos no conselho têm há tempos sido
uma preocupação de investidores, com o grupo comandado por Diniz
influenciando na maior parte das decisões importantes da
companhia.
De acordo com a fonte, uma das ênfases do novo conselho será
justamente dar maior autonomia aos executivos, após terem
recebido as novas orientações estratégicas do novo conselho.
Consultada sobre a reportagem, a BRF afirmou que não iria
comentar sobre o assunto.
José Drummond Jr. assumiu como presidente global da BRF em
dezembro, no lugar de Pedro Faria. Dois meses antes, Lorival Luz
Jr. havia assumido a diretoria financeira e a área de relações
com investidores do grupo.
Uma segunda fonte afirmou que a nova diretoria ainda não fez
"qualquer tipo de apresentação dos atuais executivos. Não dá
para avaliar ainda se já começa a dar resultado a nova gestão".
Entretanto, na avaliação da fonte, "se eles estão lá, algum
mérito têm. É preciso dar um voto de confiança". O comentário
foi ecoado por uma terceira fonte, que afirmou que "de fato, a
gestão atual merece muito crédito por manter o foco, apesar de
todo o barulho no nível do conselho".
Faria chegou a ser preso em março na segunda etapa da
operação Carne Fraca, da Polícia Federal, por suspeita de ter
atuado para impedir denúncias de fraude em exames laboratoriais
sobre a qualidade de produtos de frango para exportação. A
Polícia Federal entendeu que a alta administração da BRF sabia
de fraudes cometidas pela empresa entre 2012 e 2015.
A segunda etapa da Carne Fraca fez em meados de março o
Ministério da Agricultura suspender temporariamente produção e
certificação sanitária de produtos de aves da BRF exportados do
Brasil para a União Europeia. A medida afetou 10 de 35 unidades
produtivas da BRF no Brasil.
A segunda fonte comentou que entre as situações mais
urgentes a serem lidadas pela BRF enquanto se prepara para
escolha de um novo conselho é "lidar com o possível fechamento
do mercado europeu para o frango". Segundo a fonte, "a empresa
tem que estar ativa. Tem que evitar a todo custo o banimento".
O ministro da agricultura, Blairo Maggi, deve fazer na
terça-feira uma apresentação à imprensa sobre as negociações do
país com a União Europeia em torno das exportações de carne de
frango. A apresentação acontecerá enquanto a Comissão Europeia
avalia na terça e quarta-feiras se imporá restrições ao produto
brasileiro.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))

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