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SÃO PAULO, 17 Jan (Reuters) – Os preços do café robusta
(conilon) no mercado brasileiro já acumulam queda de 8,2 por
cento em 2018 e estão no menor patamar desde agosto de 2015,
resultado da ampla oferta doméstica, novamente em um nível
considerado "normal" pela indústria do país.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia
Aplicada (Cepea), a saca de 60 kg da variedade, importante para
o blend (mistura) com o arábica, está cotada em torno de 327
reais.
"A pressão vem da maior oferta doméstica, da menor demanda e
do recuo nos valores externos da variedade. No caso do mercado
internacional, o movimento de baixa, verificado desde meados do
ano passado, está atrelado à expectativa de aumento da oferta
global de robusta, em decorrência das maiores produções no
Brasil e no Vietnã", destacou o Cepea relatório.
No Brasil, o tombo nas cotações ocorre após a recuperação
das lavouras do Espírito Santo, principal produtor nacional de
robusta. Entre 2015 e 2016, o Estado foi castigado por secas e
registrou quebra de produção, levando a saca da variedade a
superar os 500 reais em alguns momentos.
No ano passado, contudo, o Brasil colheu 10,72 milhões de
sacas de robusta, alta de 34 por cento sobre 2016, segundo a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e a expectativa no
setor é de que esse volume cresça novamente em 2018.
"A oferta está muito boa, pois aquele produtor que achava
que os preços iam se recuperar está vendendo o que segurou,
tendo em vista que teremos uma safra bem melhor do que tivemos
em 2017", disse à Reuters o presidente do Centro de Comércio de
Café de Vitória (CCCV), Jorge Nicchio.
"Esperávamos essa queda (nos preços) lá para fevereiro,
março, perto da colheita, que começa em abril. Mas houve
antecipação, pois o produtor está vislumbrando uma colheita
melhor –e os preços podem cair ainda mais", acrescentou.
A Conab divulga na quinta-feira a primeira estimativa para
a produção de café no Brasil em 2018. Agentes do mercado
disseram recentemente à Reuters esperar uma safra total recorde.

NORMALIDADE
Em meio a essa oferta maior, o suprimento de robusta foi
considerado como "normal" neste início de ano pela Associação
Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Entre 8 e 12 de janeiro, o Índice de Oferta de Café para a
Indústria (IOCI), medido regularmente pela Abic, alcançou 7,49
pontos. A escala vai de 1 a 9 e, quanto maior, melhor a
disponibilidade do produto.
A oferta de robusta alcançou novembro do ano passado o nível
de normalidade pela primeira vez após a seca no Espírito Santo.

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De lá para cá, a oferta oscilou, figurando em algumas
ocasiões na categoria de suprimento seletivo, mas longe do
observado na virada de 2016 para 2017, quando, ainda na esteira
dos problemas no Espírito Santo, o IOCI da variedade chegou a
bater em quase 2 pontos, indicando oferta crítica.
O Brasil, maior produtor global, chegou a autorizar
importações de café robusta junto ao Vietnã no início de 2017
para atender à demanda, uma medida posteriormente suspensa pelo
presidente Michel Temer.

(Edição de Luciano Costa)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


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