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Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central indicou que a piora no cenário internacional e a retomada mais consistente da atividade são fatores que contribuem para o fim deste ciclo de queda da taxa básica de juros.

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"A evolução da conjuntura em linha com o cenário básico do Copom, a recuperação mais consistente da economia e uma piora no cenário internacional favoreceriam a interrupção do processo de flexibilização", mostrou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira, em trecho sobre a discussão dos membros do comitê sobre os próximos passos.

Na semana passada, o BC desacelerou o passo e cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, à nova mínima recorde de 6,75 por cento ao ano, e sinalizou o fim do ciclo de afrouxamento na Selic devido à melhor recuperação da atividade econômica no país.

O BC avaliou que a evolução da economia global tem sido favorável, mas apontou que a trajetória prospectiva da inflação de preços e salários em economias centrais pode tornar o processo de normalização da política monetária nesses países "mais volátil e produzir algum aperto das condições financeiras globais".

"(A ata) foi mais na linha da pausa (do corte nos juros) e achei que ele explicou melhor que não impede algum corte residual", afirmou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, acrescentando que deve mudar seu cenário para manutenção da Selic em março, ante corte de 0,25 ponto previsto antes.

O BC também mostrou que os membros do Copom divergiram sobre qual comunicação deveria ser adotada para a próxima reunião, em março. Enquanto alguns manifestaram preferência por manter "elevado grau de liberdade", outros defenderam sinalizar de modo mais claro o possível fim do ciclo de afrouxamento na Selic, com liberdade de ação mantida, mas em menor grau.

A conclusão de todos, no fim, foi por indicar o encerramento do ciclo "caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico", mas mantendo espaço para queda "moderada" adicional nos juros caso haja alteração nesse quadro.

Se de um lado o Brasil conta com capacidade para absorver eventual revés no cenário externo, de outro os membros do Copom voltaram a ponderar sobre o risco que isso representaria num contexto de frustração das reformas e ajustes na economia brasileira.

Os mercados mundo afora têm reagido com volatilidade aos sinais de fortalecimento da economia dos Estados Unidos. O temor é de que o Federal Reserve, banco central do país, poderá ser mais duro ao elevar a taxa de juros para enfrentar as pressões inflacionárias.

O movimento tornaria os títulos dos Estados Unidos mais atrativos, potencialmente atraindo recursos atualmente aplicados em outras praças financeiras, como a brasileira.

Diante desse quadro e dos sinais dados pelo BC no comunicado de sua decisão, o mercado já havia consolidado apostas de que os juros básicos ficarão inalterados em março. O grupo de economistas que mais acerta as projeções na pesquisa Focus, o Top 5, também passou a adotar essa visão, ante expectativa de nova redução de 0,25 ponto na Selic.

Na ata, o BC também repetiu que a porta não está totalmente fechada para nova redução da Selic no próximo mês. Uma investida nesse sentido, contudo, dependerá de mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos.

Nesse sentido, o BC foi mais explícito ao apontar quais fatores pavimentariam o caminho para mais uma tesourada nos juros.

"De um lado, a continuidade do ambiente com inflação subjacente em níveis confortáveis ou baixos, com intensificação do risco de sua propagação, abriria espaço para essa flexibilização adicional", informou.

"O mesmo ocorreria no caso de alterações no balanço de riscos que resultem em menor probabilidade de aumento de prêmios de risco e consequente elevação da trajetória prospectiva da inflação", completou o BC, numa provável referência à aprovação da reforma da Previdência.

Na leitura de parte dos agentes econômicos, apenas a votação da reforma da Previdência poderia levar a mais um corte da Selic em março. Mas essa possibilidade tem sido encarada com ceticismo, já que o próprio governo admite não possuir apoio suficiente para garantir a vitória da matéria na Câmara dos Deputados, onde será votada até o fim deste mês.
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