Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por José Roberto Gomes
SÃO PAULO, 13 Mar (Reuters) – A produção de açúcar por
usinas do centro-sul do Brasil deve cair 10 por cento na safra
2018/19, que se inicia oficialmente em 1º de abril, com o setor
sucroenergético privilegiando o etanol, mais rentável, em meio a
um cenário de estagnação na oferta de cana.
Conforme uma pesquisa da Reuters com consultorias e
participantes do mercado, as unidades da principal região
produtora do maior player global do segmento devem fabricar
31,69 milhões de toneladas de açúcar em 2018/19, bem abaixo dos
35,20 milhões esperados para o ciclo atual (2017/18).
Em sondagem anterior realizada pela Reuters, em dezembro,
esperava-se uma produção de 32,98 milhões de toneladas.

O menor interesse pelo adoçante deve-se ao cenário de preços
internacionais deprimidos dada a perspectiva de ampla oferta.
Espera-se que a produção na Índia, segundo maior fabricante,
salte para um recorde de 29,5 milhões de toneladas, levando o
balanço de oferta mundial a um superávit considerável de mais de
5 milhões de toneladas.
Desde o início de 2018, a referência do açúcar bruto
na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) já caiu mais de 15 por
cento.
Mas esse não é o único fator a pesar contra a produção da
commodity no centro-sul. A perspectiva favorável para o etanol,
com preços fortalecidos e demanda firme, também deve fazer com
que as unidades produtoras aloquem maior parcela de cana para o
biocombustível na safra 2018/19.
Os participantes da pesquisa da Reuters estimam, em média,
uma produção de 27 bilhões de litros, 9,3 por cento acima dos
24,7 bilhões considerados para o atual ciclo e superior também
aos 26,15 bilhões estimados anteriormente.
"O consumo forte de etanol na entressafra é um indício de
que devemos ter mais um ano de maior demanda pelo
biocombustível, o que deve dar sustentação para um mix voltado
para o hidratado. Isso, claro, se os preços do petróleo se
mantiverem no patamar atual ou acima", comentou o analista João
Paulo Botelho, da INTL FCStone.
Pelos dados mais recentes da União da Indústria de
Cana-de-açúcar (Unica), as vendas de hidratado, concorrente
direto da gasolina, saltaram 37,5 por cento em fevereiro e já
acumulam alta de 6,1 por cento desde o início da safra 2017/18,
em abril do ano passado.
A comercialização de álcool vem aquecida desde meados de
2017, após altas tributárias maiores para a gasolina e uma nova
sistemática de formação de preços de combustíveis pela Petrobras
.
Além disso, há no radar do setor o RenovaBio, a nova
política nacional de biocombustíveis, que deve impulsionar o uso
dessas fontes no país e cujo primeiro decreto, referente à sua
governança, pode ser assinado pelo presidente Michel Temer em
evento nesta semana em Ribeirão Preto para marcar a abertura da
nova safra.

MetaTrader 300×250

OFERTA DE CANA
Enquanto a produção de açúcar e etanol deve oscilar
expressivamente entre uma safra e outra, a oferta de cana para
processamento tende a permanecer perto da estabilidade no
centro-sul, reflexo da falta de investimentos em renovação das
plantações, disseram os especialistas ouvidos pela Reuters.
"Sem expansão da área plantada e com a renovação abaixo do
necessário, a idade média do canavial vem aumentando,
prejudicando a produtividade", afirmou à Reuters o presidente da
Copersucar, Paulo Roberto de Souza.
De acordo com a pesquisa da Reuters, o centro-sul do Brasil
deve moer 588,64 milhões de toneladas de cana em 2018/19,
ligeiramente acima dos 585 milhões de toneladas previstos para a
atual safra.
"O clima tem sido favorável. Março está tendo um pouco de
chuvas mais pontuais, nenhum relato de chuvas generalizadas, mas
também não temos notícias de que está faltando. O verão está
satisfatório", comentou Eduardo Sia, analista da Sucden.
Já Fábio Meneghin, sócio-analista da Agroconsult, avalia que
o volume de cana a ser moída e o nível de Açúcares Totais
Recuperáveis (ATR) poderão variar um pouco para cima ou para
baixo a depender do desenrolar climático.
"Estamos em período de La Niña, onde apesar da ocorrência de
boas chuvas no centro-sul, o inverno poderá ser mais rigoroso",
alertou.
A Agroconsult é uma das mais otimistas quanto à moagem de
cana e à produção de açúcar, citando um certa melhora nos tratos
culturais. A consultoria prevê fabricação de 32,90 milhões de
toneladas de açúcar no ciclo.
Veja na tabela abaixo as estimativas de consultorias para a
safra de cana 2018/19 no centro-sul do Brasil. As projeções para
moagem e produção de açúcar são em milhões de toneladas,
enquanto as de etanol, em bilhões de litros.

FONTE MOAGEM AÇÚCAR ETANOL
Agroconsult 600,00 32,90 27,50
Archer 580,00 30,50 26,50
Consulting
Copersucar 585,00 31,00 27,50
Datagro 580,00 32,60 25,30
INTL FCStone 592,50 32,40 27,10
JOB Economia 600,00 31,00 28,50
(Prelim.)
Sucden 583,00 31,45 26,60
MÉDIA 588,64 31,69 27,00

Maior 600,00 32,90 28,50
estimativa
Menor 580,00 30,50 25,30
estimativa

Unica 585,00 35,20 24,7
2017/18
*A Datagro informou que atualizará suas projeções no evento de
quarta-feira em Ribeirão Preto.

(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia