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Por Andrew Osborn
MOSCOU, 7 Jun (Reuters) – Vladimir Putin tem poucas
esperanças de acabar com as sanções ocidentais contra a Rússia e
é visto por muitos no Ocidente como um pária, por isso a Copa do
Mundo deste mês é um momento bem-vindo sob os holofotes globais.
Aos olhos do presidente russo, a competição envia uma
mensagem de desafio ao mundo e ao seu próprio povo que combina
com sua retórica: a Rússia está progredindo apesar do empenho do
Ocidente para contê-la.
"Para Putin, sediar a Copa do Mundo ilustra o fracasso das
sanções e o fracasso dos esforços ocidentais para isolá-lo",
disse o professor Sergei Medvedev, da Escola Superior de
Economia de Moscou, referindo-se às sanções ocidentais impostas
à Rússia depois que o país anexou a Crimeia da Ucrânia em 2014.
"Apesar de tudo isso, (sua mentalidade é) ainda temos a
Crimeia, estamos desenvolvendo nossa agenda e mesmo assim vejam,
todos vieram à Copa do Mundo", disse Medvedev.
Putin não quer que os russos pensem que seu país está
isolado porque isso poderia minar sua narrativa da Rússia como
uma grande potência influente que tem voz na decisão de questões
globais.
Trinta e duas seleções competirão no torneio de 14 de junho
a 15 de julho, sediado na Rússia pela primeira vez na história
da Copa do Mundo a um custo oficial de 11 bilhões de dólares.
Uma autoridade de alto escalão do governo russo, que não
quis ser identificada por não ter autorização para falar à
mídia, disse que o torneio é o mais recente de uma série de
eventos que mostram que as tentativas ocidentais de isolar
Moscou estão fracassando.
"Se isto é isolamento, estamos gostando", ironizou o
funcionário.
Pesquisas apontam que a mensagem de Putin, segundo a qual a
Rússia está em alta apesar de um Ocidente hostil, ressoa entre
os eleitores. Ela é amplificada por autoridades governamentais
que passaram meses se queixando de um complô ocidental para
desacreditar a Copa do Mundo russa.
"Quanto mais forte é a campanha antirrussa antes da Copa do
Mundo, mais as pessoas ficarão genuinamente maravilhadas quando
virem que não há arame farpado nos estádios", disse a porta-voz
do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, aos
repórteres no mês passado.
Uma insinuação feita em março pelo chanceler britânico,
Boris Johnson, de que Putin usará o Mundial para fortalecer a
imagem de seu país como Adolf Hitler fez com a Olimpíada de 1936
na Alemanha nazista foi vista como uma prova de que o Ocidente
quer estragar a festa russa.
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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