Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Ron Bousso
LONDRES, 16 Mai (Reuters) – Uma década atrás, a notícia de
que as maiores empresas de petróleo e gás do mundo possuíam
menos de 12 anos de produção restantes em suas reservas poderia
ter causado um pânico e uma derrocada em suas ações.
Mas conforme consumidores tentam migrar dos combustíveis
fósseis para fontes limpas de energia, investidores e executivos
dizem que o tamanho das reservas não é mais o melhor padrão para
medir o valor e a saúde de uma companhia.
O custo de desenvolvimento das reservas existentes e o
montante de carbono que elas produzem agora se tornaram mais
importantes, segundo eles, o que tem levado a uma profunda
mudança na estratégia das empresas.
"A qualidade das reservas e a viabilidade comercial das
reservas ultrapassaram de longe a quantidade nos últimos anos",
disse o líder global de óleo e gás da EY, Adi Karev.
https://tmsnrt.rs/2vAiFLX?eikon=true
O setor de petróleo vem emergindo de uma de suas mais longas
e profundas derrocadas, após o preço da commodity começar a cair
em 2014.
As maiores companhias listadas em bolsa, como ExxonMobil,
Royal Dutch Shell, Chevron, ConocoPhillips, Total, BP, Equinor
(ex-Statoil) e Eni, adaptaram-se.
Elas economizaram ao cortar vagas e aumentar investimentos
em tecnologia e agora conseguem fazer mais dinheiro com o barril
a 60 dólares do que conseguiam antes com os preços a 100
dólares.
Mas elas também cortaram investimentos em exploração de
novos recursos e desenvolvimento de novos campos, o que levou a
uma queda nas reservas.
Uma análise da Reuters e da Guiness Asset Management sobre
os relatórios anuais dessas oito empresas mostra que o tamanho
de suas reservas de óleo e gás, quando consideradas em conjunto,
caiu para 91 bilhões de barris em 2017. Esse é o menor nível
desde 2005, quando elas ficaram no mesmo patamar.
As reservas da Exxon Mobil, a maior das empresas, encolheram
em 16 por cento desde o início da derrocada nos preços em 2014.
As da Shell caíram 6,5 por cento desde então, apesar de ela ter
pago 54 bilhões de dólares na aquisição do Grupo BG em 2016.
BP e Chevron viram suas reservas subirem em 5 por cento
desde 2014, enquanto a Eni foi a única a ampliar
significativamente suas reservas, acima de 20 por cento, graças
à descoberta do gigante campo de gás de Zohr na costa do Egito.
A vida cumulativa das reservas –o número de anos pelo qual
uma empresa pode sustentar sua produção corrente com as reservas
existentes– das oito empresas caiu para 11,7 anos em 2017, o
menor nível em ao menos 20 anos, embora a queda seja também
resultado de uma forte alta na produção. A Reuters não tem
acesso a dados anteriores a 1998.
Para as reservas da Exxon, o recuo foi de 17 anos em 2014
para 15 em 2017, enquanto a Eni caiu de 10,6 para 10,1 anos,
apesar de suas descobertas. Na Shell, o recuo foi de 12 para 9
anos no período.
"Há uma clara deterioração (nas reservas) e isso será um
problema em algum momento", disse o gestor do fundo de energia
da Guiness Asset Management, Jonathan Waghorn.
Com veículos elétricos em alta e a previsão de que a demanda
de petróleo alcance seu pico no horizonte, o foco nas reservas
tem mudado para a qualidade, ao invés de quantidade.
"Algumas reservas são mais eficientes que as outras", disse
à Reuters o presidente-executivo da petroleira norueguesa
Equinor, Eldar Saetre.
"Em algum ponto nós veremos uma indústria de petróleo e gás
encolhendo, o quando é que não sei, mas quando acontecer será
realmente importante que os melhores barris venham e esse será
cada vez mais um fator de competitividade", adicionou.
Algumas empresas já estão mudando suas estratégias para se
adaptar ao novo foco.
Uma das áreas que tem atraído as petroleiras nesse contexto
são as reservas do pré-sal no Brasil, que possuem custos baixos
e onde há grandes reservatórios, além de infraestrutura
existente. Todas as grandes empresas já estão e diversas outras
ampliaram fortemente sua produção na bacia.
"Nós estamos agora chegando ao ponto em que o foco na
eficiência e a produção com baixo nível de reservas serão o que
os investidores esperam", disse Karev, da EY.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 5644 7519))
REUTERS LC RS


Assuntos desta notícia

Join the Conversation