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Por Tom Miles
GENEBRA, 18 Mai (Reuters) – A República Democrática do Congo
enfrenta um risco de saúde pública "muito elevado" devido ao
Ebola porque a doença foi confirmada em um paciente em uma
cidade grande, informou nesta sexta-feira a Organização Mundial
da Saúde (OMS), que alterou sua classificação ante avaliação
anterior de "risco elevado".
O perigo para países da região passou agora de "moderado"
para "elevado", mas o risco global continua "baixo", disse a
OMS.
A reavaliação veio depois do primeiro caso confirmado em
Mbandaka, cidade de cerca de 1,5 milhão de habitantes do
noroeste do país. Todos os relatórios anteriores da doença
partiram de áreas remotas, onde um surto de Ebola pode ser
contido mais facilmente.
"O caso confirmado em Mbandaka, um grande centro urbano
localizado junto a um grande rio nacional e internacional, a
estradas e a rotas aéreas domésticas, aumenta o risco de
disseminação dentro da República Democrática do Congo e para
países vizinhos", alertou a entidade.
O vice-diretor-geral de Prontidão e Reação de Emergência da
OMS, Peter Salama, disse a repórteres na quinta-feira que a
avaliação de risco estava sendo revisada.
"Certamente não estamos tentando causar nenhum pânico na
comunidade nacional ou internacional", afirmou.
"O que estamos dizendo é que o Ebola urbano é um fenômeno
muito diferente do Ebola rural porque sabemos que as pessoas das
áreas urbanas podem ter muito mais contatos, então isso
significa que o Ebola urbano pode resultar em um aumento
exponencial de casos de uma maneira que o Ebola rural tem
dificuldade para fazer".
Ainda nesta sexta-feira a OMS convocará um Comitê de
Emergência de especialistas para obter conselhos sobre a reação
global ao surto e decidir se ele constitui uma "emergência de
saúde pública de interesse internacional".
O cenário mais temido é um surto em Kinshasa, uma cidade
superpovoada onde milhões vivem em favelas insalubres sem acesso
a esgoto.
Jeremy Farrar, especialista em doenças infecciosas e diretor
da instituição de caridade global Wellcome Trust, disse que a
epidemia tem "todas as características de algo que pode ficar
muito feio".
"À medida que surgem mais indícios da separação de casos no
tempo e no espaço, agentes de saúde se infectam e as pessoas vão
a enterros e depois viajam distâncias bem grandes, (o quadro)
tem tudo que nos preocuparia", disse ele à Reuters.
O comunicado da OMS disse terem surgido 21 casos de Ebola
suspeitos, 20 prováveis e 3 confirmados entre 4 de abril e 15 de
maio, um total de 44 casos, incluindo 15 mortes. Além do caso
confirmado, Mbandaka teve três casos suspeitos.
(Reportagem adicional de Kate Kelland, em Londres)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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