Clicky

MetaTrader 728×90

Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 4 Mai (Reuters) – As condições para o Brasil
reverter anos de investimentos deficitários em infraestrutura
estão mais favoráveis e não seria impraticável que o país
atingisse suas metas de aportes de 2,1 trilhões de reais no
setor nos próximos oito anos, avaliou um especialista da Grant
Thornton, responsável por estudo inédito antecipado à Reuters.
O montante representaria um investimento médio em
infraestrutura e energia de 3,6 por cento do Produto Interno
Bruto (PIB) ao ano, na hipótese de um aumento médio anual da
economia de 3 por cento até 2025.
Esse índice de aportes indicado pela Grant Thornton
significaria quase o dobro do percentual do PIB investido em
infraestrutura entre 2011 e 2015, segundo dados do Banco
Mundial. Os investimentos, estimados pela consultoria com base
em planos do próprio governo, seriam mais de duas vezes o total
aplicado no setor no Brasil de 2001 a 2015 –que somou 1 trilhão
de reais.
"É fundamental que a gente chegue perto desse valor. Apesar
de a cifra ser grande, não é infactível, imaginando-se que o
Brasil entra em novo ciclo…", disse à Reuters Paulo Funchal,
sócio de Transações da Grant Thornton, ao apresentar o estudo
que aponta que o país vem de déficits de centenas de bilhões de
reais nos últimos anos no segmento.
De outra forma, sem investimentos adequados, o país poderia
parar e enfrentar até escassez de energia elétrica, acrescentou
ele, que não acredita nesta hipótese diante na atual conjuntura.
Segundo ele, a retomada da economia, influenciada pela taxa
Selic no menor nível histórico (6,5 por cento), a inflação sob
controle, uma adequada gestão do déficit fiscal e o
estabelecimento da Taxa de Longo Prazo (TJP), em substituição à
TJLP, são questões que colaboram para os investimentos em
infraestrutura.
Isso sem falar que nos últimos anos o setor tem ganhado cada
vez mais participação do segmento privado, com quase 70 por
cento do total de investimentos em 2017, e maciços aportes
estrangeiros, especialmente da China.
Dos 2,1 trilhões de reais previstos até 2025, o setor de
óleo e gás responderá por quase 50 por cento, seguido por
energia elétrica (361 bilhões de reais); telecomunicações (338,7
bilhões de reais); saneamento (168,2 bilhões de reais) e
logística terrestre (132,6 bilhões) e portuária (51,3 bilhões de
reais).
Após o Brasil ter ficado na 114ª posição no mundo em
investimentos em infraestrutura em 2017, segundo estudo da
companhia de seguros francesa Coface, citado pela Grand Thorton,
Funchal demonstra otimismo de que finalmente o Brasil deixe de
"perder o bonde" de investimentos em setor tão importante para
um país que está entre as dez economias globais, sendo também
exportador relevante de commodities.
"Para o Brasil não perder esse momento, as condições
econômicas nunca foram tão positivas…", ressaltou o sócio da
Grant Thornton, uma das cinco maiores empresas globais de
auditoria e consultoria de investimentos, com atuação em mais de
135 países.
Ele citou ainda as chamadas debêntures de infraestrutura,
lançadas há poucos anos, com emissões totais de 9,1 bilhões de
reais em 2017. Com juros baixos, disse Funchal, esse instrumento
deve ser cada vez mais importante para financiar o setor e pode
atingir cerca de 15 bilhões de reais em captações já neste ano.
"Os juros devem viabilizar as debêntures de infraestrutura.
Vai ter migração do poupador que utilizava títulos públicos, ele
vai buscar melhor rentabilidade nas debêntures…", disse
Funchal, lembrando que o setor de energia tem utilizando
bastante esse instrumento.

DE ONDE VEM?
Num país fadado a expandir a liderança global na exportação
de commodities como soja e carnes nos próximos anos,
investimentos em portos, ferrovias e rodovias –em grande parte
ainda não pavimentadas no país– são fundamentais.
E a aposta é de que os estrangeiros, especialmente chineses,
que precisam de matérias-primas a custos competitivos,
impulsionem os investimentos no país.
"Os chineses vão fazer aquela ferrovia que vai cruzar o
país, eles têm visão de longo prazo…", destacou o
especialista.
Além disso, o sócio da Grant Thornton comentou que há
grandes empresas estrangeiras querendo adquirir companhias
nacionais para desenvolver projetos de infraestrutura.
Ele citou ainda o modelo de parcerias, como o estabelecido
entre a chinesa Shandong Kerui Petroleum e a brasileira Método
Potencial –em um contrato de quase 2 bilhões de reais para a
construção de uma unidade de gás da Petrobras– como alavanca
dos investimentos no setor.
Questionado sobre riscos eleitorais, ele comentou que em
geral os candidatos a presidente têm uma visão que aponta para a
manutenção de controle das contas públicas, um sinal importante
de que um processo auspicioso pode continuar.

MetaTrader 300×250

(Por Roberto Samora; edição de Luciano Costa)
(([email protected] 5511 5644 7751 Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia