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Por José Roberto Gomes
SÃO PAULO, 15 Mai (Reuters) – Em meio a uma forte seca, o
Paraná dará início à colheita da segunda safra de milho 2017/18
nos próximos dias em um cenário pior do que o observado às
vésperas da "safrinha" 2015/16, quando outra estiagem também
provocou quebra de produção no Estado.
Perdas ainda maiores no segundo maior produtor brasileiro
poderiam dar um impulso adicional aos preços do milho, que estão
firmes no mercado interno em razão dos receios envolvendo a
colheita deste ano em todo o Brasil.
Conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral) do
Paraná, 16 por cento das lavouras de milho no Estado estão em
condições ruins até agora neste ano, contra 3 por cento em igual
momento de 2016. Já o percentual de milho em boa condição estava
em 75 por cento naquele ano, ante 40 por cento atualmente.
"Hoje a seca é geral. As duas grandes regiões produtoras, a
oeste e a norte, estão sofrendo de forma muito igual… A safra
está em um cenário pior que a de 2016", afirmou à Reuters o
analista de milho do Deral, Edmar Gervásio.
Naquele ano, o Paraná colheu cerca de 5 toneladas por
hectare, queda de 13 por cento ante a temporada anterior,
segundo dados do Ministério da Agricultura.
"O reflexo dessa estiagem na produção ainda não é possível
de ser determinado, mas está pior, sim", acrescentou Gervásio,
lembrando que geadas também impactaram a safra de dois anos
atrás.
A situação também é grave porque, após o atraso no plantio,
parte significativa das plantações paranaenses está em estágios
de desenvolvimento que demandam maior umidade (floração e
frutificação), ao passo que em igual período de 2015/16 o milho
no Estado estava em uma fase mais avançada de maturação e,
portanto, menos suscetível a perdas por seca.
"É um risco adicional. Como a gente tem uma boa parcela em
fases que precisam de mais recursos, basicamente água, o impacto
tende a ser maior do que se estivesse na germinação ou na
maturação", destacou Gervásio.
Nos últimos 60 dias, as chuvas no oeste e no norte do Paraná
ficaram até 155 milímetros abaixo da média, conforme o Thomson
Reuters Agriculture Weather Dashboard.
Pela estimativa mais recente do Deral, de abril, o Paraná
reduziu a área plantada e deve colher 12,24 milhões de toneladas
de milho "safrinha" neste ano, 8 por cento abaixo de 2016/17,
quando as condições climáticas foram praticamente perfeitas.
O volume ainda supera os cerca de 10 milhões de toneladas de
2015/16, mas Gervásio alertou que as próximas revisões do Deral
devem ser para baixo.
"É seguro dizer que será bem menor que esses 12 milhões de
toneladas", comentou ele.

CHUVA À VISTA
As precipitações devem retornar ao Paraná ainda nesta semana
e acumular mais de 100 milímetros em partes da região oeste até
o fim de maio, de acordo com a previsão do Thomson Reuters
Agriculture Weather Dashboard.
São chuvas que farão o Estado retornar para perto da média
histórica de precipitações, mas que precisarão se confirmar para
ao menos limitar as perdas de produção já consumadas para o
milho "safrinha", disse Gervásio.
As preocupações com a seca e a própria previsão de uma safra
menor neste ano em todo o Brasil vêm sustentando os preços
internos da commodity.
Só em 2018, o milho acumula alta de cerca de 25 por cento,
sendo cotado acima de 40 reais por saca, em um movimento que
tende a pesar sobre as indústrias de carnes, grandes
consumidoras de rações feitas a partir do cereal.
Mas não só os produtores de milho depositam suas fichas nas
chuvas dos próximos dias: os de trigo também.
Com pouca água nas últimas semanas, o plantio do trigo no
Paraná, principal produtor nacional, vinha avançando lentamente,
no menor ritmo em ao menos dez anos.
"Mas em mais uma semana isso deve se resolver, até porque
para a maior parte dos municípios está se fechando a janela (de
semeadura)", afirmou Carlos Hugo Godinho, agrônomo do Deral,
comentando que as precipitações esperadas devem proporcionar o
avanço da semeadura, finalmente.
Em torno de 35 por cento da área prevista com o cereal no
Estado já foi plantada, contra 47 por cento há um ano, segundo o
departamento.
O Deral prevê um salto de 48 por cento na produção de trigo
deste ano, para 3,3 milhões de toneladas, ante 2,2 milhões em
2016/17, quando diversos problemas climáticos, incluindo uma
forte geada no inverno, prejudicaram as lavouras.

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(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 55 11 5644 7762; Reuters
Messaging: [email protected]))


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