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Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 13 Out (Reuters) – Mercosul e Canadá irão anunciar
em dezembro a abertura de negociações sobre um acordo de livre
comércio, durante a reunião ministerial da Organização Mundial
do Comércio (OMC) em Buenos Aires, disseram à Reuters duas
fontes envolvidas nas negociações.
Do lado sul-americano, os mandatos para negociar já foram
aprovados pelos quatro governos dos países membros do bloco
(Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). Pela parte canadense,
de acordo com uma das fontes, falta apenas o passo final, que
seria a consulta formal ao gabinete do primeiro-ministro Justin
Trudeau.
A avaliação das fontes brasileiras é que o acordo com o
Canadá tem potencial para andar rapidamente. Há interesses dos
dois lados, ao mesmo tempo em que não há grandes sensibilidades,
como no caso da agricultura para a União Europeia.
"Nas conversas preliminares nunca identificamos obstáculos
intransponíveis", disse a fonte.
As primeiras conversas começaram em 2010, por iniciativa do
Canadá. Em 2012, o governo brasileiro aprovou na Câmara de
Comércio Exterior (Camex) o mandato para iniciar as negociações,
mas o processo não foi adiante.
"Naquele momento outros sócios não estavam tão
interessados", explicou a fonte. "Agora os países têm mais
afinidade e mais interesse em buscar outros acordos."
Uma reunião será marcada para novembro, em Brasília, para
fechar os últimos detalhes do mandato de negociação — uma
plataforma de onde se parte para começar a negociar.
O governo canadense pediu que se atualizasse questões
relativas a cláusulas ambientais e outros temas relacionados ao
que chamam de "progressive trade", o que foi aceito sem
problemas pelo Mercosul.
Apesar do comércio pouco significativo do bloco com o
Canadá, a possibilidade de acordo entusiasma os negociadores do
Mercosul pela possibilidade de crescimento. Dados levantados do
Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que
em 2016 a corrente de comércio foi de apenas 5,88 bilhões de
dólares entre o Mercosul e o Canadá. Com os Estados Unidos, por
exemplo, foi de 59,8 bilhões no mesmo ano.
"É pequeno porque o Canadá é um país com população pequena.
São apenas 36 milhões de pessoas. Mas é um mercado com alto
poder aquisitivo, e um mercado não explorado", disse uma das
fontes.
O bloco tem superávit com os canadenses. Em 2016, foram
exportados 3,6 bilhões de dólares e importados 2,3 bilhões. O
grosso do comércio regional é com o Brasil, que em 2016
concentrou 4,2 bilhões de dólares da corrente de comércio e 2,37
bilhões em exportações. No caso do Brasil, a exportação de
produtos manufaturados domina a pauta de comércio, representando
53 por cento das exportações.
Nas conversas com os setores produtivos, o governo
brasileiro identificou oportunidades não apenas na área
industrial, mas também na agricultura. "Eles têm muita produção
agrícola mas, até por conta do clima, diferente da nossa", disse
a fonte.
De acordo com os negociadores, as tarifas canadenses são de
um modo geral baixas, com exceção da agricultura, onde há um
grande potencial para melhorar. Nas demais, há questões não
tarifárias, de normas técnicas e sanitárias, que costumam ser
menos complicadas de resolver.
Esta semana, durante a reunião ministerial da OMC em
Marrakech, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes,
teve um encontro com ministro do Comércio Internacional do
Canadá, François-Philippe Champagne, para tratar do acordo. Em
nota, o Itamaraty afirmou que os ministros "reconheceram que
existe um forte potencial para o desenvolvimento de uma relação
comercial mais ambiciosa através do aumento dos fluxos de
comércio e investimento".
Consultado pela Reuters, o governo do Canadá afirmou,
através de um porta-voz de Champagne, que o país "reafirma que
existe uma oportunidade no acordo com o Mercosul e que irá
continuar com as conversas exploratórias".

(Edição de Tatiana Ramil e Pedro Fonseca)
(([email protected]; +55.61.34267000;
Reuters Messaging:
[email protected]))

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