Clicky

MetaTrader 728×90

Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 4 Jan (Reuters) – O ex-presidente José Sarney e o
senador licenciado Edison Lobão têm articulado nomes para
suceder diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) cujos mandatos vencem neste ano, incluindo o
diretor-geral do órgão regulador, Romeu Rufino, que fica no
cargo até agosto, disseram à Reuters três fontes com
conhecimento do assunto.
A movimentação dos políticos maranhenses, ambos do MDB,
partido do presidente Michel Temer, evidencia a forte influência
da sigla sobre o setor de energia no Brasil, mesmo após o
escândalo de corrupção revelado por autoridades nas
investigações da Operação Lava Jato.
Sarney e Lobão, que foi ministro de Minas e Energia nos
governos Lula e Dilma, foram denunciados ao Supremo Tribunal
Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sob
acusação de envolvimento em suposta organização criminosa que
negociava propinas na Petrobras e no setor elétrico.

Segundo as três fontes, que falaram sob anonimato, os
caciques do MDB pretendem colocar no comando da Aneel o
engenheiro civil André Pepitone, que já é diretor da agência
desde 2010.
Embora Rufino ainda tenha meses de mandato, as movimentações
já estão em curso devido à importância extra que o principal
cargo da agência reguladora deve ganhar neste ano, conforme o
presidente Temer tenta viabilizar um plano de privatizar ainda
em 2018 a Eletrobras, maior elétrica do Brasil.
"Tem uma articulação do Lobão e do Sarney para colocar como
diretor-geral o André Pepitone", disse uma das fontes.
Procurados por meio de suas assessorias, Lobão e Sarney não
comentaram de imediato. Eles têm negado as acusações de
envolvimento em corrupção.
Não foi possível encontrar o diretor André Pepitone para
comentários imediatamente.
O atual diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, foi indicado
pela ex-presidente Dilma Rousseff.

MetaTrader 300×250

VAGA ABERTA
Os políticos do MDB também pretendem indicar nomes para
outras vagas na diretoria da Aneel, que já tem um posto em
aberto devido ao fim do mandato do diretor Reive Barros no final
de 2017.
Além dessa vaga e da diretoria-geral, também vencem em
agosto os mandatos do próprio André Pepitone e do diretor Tiago
de Barros Correia.
Duas das fontes disseram que o senador por Rondônia Valdir
Raupp, também do MDB, tem tentado bancar o nome de um executivo
da Eletrobras de seu Estado, Efraim Cruz, para assumir uma das
posições na Aneel.
Lobão e Sarney também têm se movimentado para emplacar a
indicação de Sandoval de Araújo Feitosa, hoje superintendente de
fiscalização de serviços de eletricidade na Aneel.
"Isso está dentro de uma estratégia do senador Lobão e do
Sarney para ter três pessoas lá (na agência). O diretor-geral, o
Sandoval, e estão apoiando também esse pedido do Valdir Raupp",
disse uma das fontes.
Procurado por meio de sua assessoria, Raupp não comentou.
Sandoval Feitosa não foi encontrado para comentar.

PERFIL TÉCNICO
Segundo duas das fontes, existe em paralelo um movimento dos
investidores no setor elétrico para apoiar um nome técnico para
ao menos uma das vagas na diretoria.
As elétricas têm tentado algum apoio político para indicar
Marco Delgado, diretor da Associação Brasileira de
Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee).
"Os agentes do setor consideram que é importante ter uma
pessoa com perfil técnico, sem vinculação política", disse a
fonte.
Não foi possível contato com Delgado para comentários.
Hoje dirigente de uma associação de grandes consumidores de
energia, a Abrace, o ex-diretor da Aneel Edvaldo Santana avalia
que a definição de nomes para a diretoria da agência torna-se um
assunto crucial devido à perspectiva de privatização da
Eletrobras e a planos do governo de promover uma reforma na
regulamentação do setor elétrico.
"Para tudo isso que se pretende fazer, vai depender de uma
Aneel forte. É fundamental para o sucesso de tudo isso", disse.
Criada em 1996 para fiscalizar e regular o setor elétrico, a
Aneel tem uma diretoria colegiada formada por cinco
profissionais, que têm reuniões públicas semanais para discutir
processos.
A indicação formal de diretores cabe ao presidente da
República, com posterior sabatina dos escolhidos pelo Senado
Federal.

(Edição de Roberto Samora; MPP)
(([email protected]; 5511 5644 7519;
Reuters Messaging: [email protected]
– Twitter: @AnaliseEnergia))


Assuntos desta notícia