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Por Philip Pullella e Steve Scherer
ROMA, 13 Jun (Reuters) – A Itália convocou o embaixador na
França e rejeitou enfurecidamente o criticismo francês de suas
políticas de imigração na quarta-feira, escalando um impasse
diplomático entre as potências europeias vizinhas.
O ministro da Economia da Itália, Giovanni Tria, também
cancelou uma reunião com seu colega em Paris, um dia após o
presidente francês, Emmanuel Macron, afirmar que Roma havia
agido com "cinismo e irresponsabilidade" ao fechar os portos aos
migrantes.
"Não temos nada que aprender sobre generosidade,
voluntarismo, hospitalidade ou solidariedade, de ninguém",
afirmou o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, no
Senado.
Salvini, que também é vice-premiê e líder do partido Liga,
anti-imigração, pediu que a França se desculpe e disse que não
está preparado para receber críticas de um país que regularmente
para migrantes na fronteira entre os dois países.
A disputa está centrada no navio assistencialista Aquarius,
que tanto Itália quanto Malta se recusaram a deixar atracar em
seus portos. A embarcação levava 629 migrantes e agora se dirige
à Espanha, escoltada por duas embarcações italianos.
O caso tocou um dos assuntos mais controversos na política
europeia –como compartilhar a responsabilidade pelos migrantes
que tentam adentrar o bloco vindos de zonas de guerra e países
pobres, principalmente do continente africano e do Oriente
Médio.
A Liga, de Salvini, recebeu sua maior votação na história
nas eleições de março, em parte por conta de suas promessas de
deportar centenas de milhares de migrantes e conter o fluxo de
outros novos, e formou uma coalizão com o Movimento 5 estrelas,
que é anti-sistema.
Mais de 1,8 milhão de pessoas chegaram à Europa desde 2014,
e a Itália abriga mais de 170 mil que pediram asilo, além de
estimado meio milhão de migrantes não registrados.
Governos anteriores acusaram outros Estados da UE de ter
ignorado os pedidos da Itália para ajudar a receber os migrantes
e compartilhar os custos de seus cuidados.
A França tentou adotar um tom mais conciliador na
quarta-feira, com a porta-voz do Ministério das Relações
Exteriores Agnes von der Muhll dizendo estar "completamente
ciente do fardo que as pressões migratórias impõem à Itália", e
que a França estaria comprometida em colaborar com Roma sobre
imigração.
Os ministros da Economia dos dois países conversaram por
telefone, segundo uma autoridade do Ministério das Finanças da
França, e concordaram em remarcar a reunião cancelada.
Mas o ministro das Relações Exteriores da Itália, Enzo
Moavero, manteve a artilharia ao dizer a um diplomata francês
que os comentários de Macron eram "injustificáveis" e
comprometiam as relações entre os dois países.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702))
REUTERS AC


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