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SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) – Setores industriais do país
afirmaram nesta quarta-feira que pretendem recorrer à Justiça
contra medidas anunciadas pelo governo de Michel Temer para
encerrar a greve de caminhoneiros que paralisou o país no fim de
maio.
A Fiesp, federação das indústrias do Estado de São Paulo,
vai entrar na quinta-feira com pedido de mandado de segurança na
Justiça contra tabelamento do frete, que segundo o presidente em
exercício da entidade, José Ricardo Roriz Coelho, já gerou
aumentos no custo do transporte da ordem de 30 a 150 por cento.
"Somos contra qualquer tipo de tabelamento. Isso é coisa de
20, 30 anos atrás, não é justo resolver o problema dos
caminhoneiros fazendo tabelamento de frete", disse Coelho,
ponderando, porém, que os caminhoneiros fizeram reinvindicação
justa sobre a melhoria de suas margens de lucro, pressionadas
pela queda no volume de carga nos últimos anos.
"Mais uma vez, para resolver os problemas de outros setores,
a indústria é que está pagando a conta. Não é justo a sociedade
pagar preço mais caro por ineficiência no sistema de
transporte", acrescentou Coelho.
Em Brasília, porém, o presidente da Confederação Nacional
dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, disse que o
governo não mudará os valores da tabela de frete previstos na
Medida Provisória acertada com a categoria para por fim à greve.
Ao sair de uma reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu
Padilha, para avaliação de cumprimento das medidas adotadas pelo
governo, o presidente da CNTA admitiu que pode haver ajustes na
tabela de fretes, mas não nos valores.
A reunião ocorreu horas após o ministro da Agricultura,
Blairo Maggi, dizer que a Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT) se comprometeu a revisar os valores da tabela.
De acordo com Maggi, o valor do frete mais do que dobrou, em
alguns casos.
"Isso (tabela de frete) terá que ser renegociado e repensado
junto aos caminhoneiros, até porque se parar a indústria de novo
eles não vão ter carga", disse o presidente da Fiesp.
Em outra frente, as usinas siderúrgicas, representadas pelo
Instituto Aço Brasil (IABr) decidiram buscar liminar na Justiça
para suspender a redução da alíquota do programa de compensação
tributária Reintegra, voltado a exportadores, de 2 para 0,1 por
cento, afirmando que a indústria teria direito neste ano a uma
elevação de 2 para 3 por cento.
E a indústria de produtos químicos, liderada pela Abiquim,
afirmou que também está inclinada a judicializar a questão,
decisão que deve ser tomada nos próximos dias, após consultas às
empresas associadas.
O presidente-executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes,
citou que a siderurgia brasileira amargou prejuízo de 1,1 bilhão
de reais nos 11 dias da greve dos caminhoneiros, tendo que
paralisar produção de aço em 17 alto fornos sob risco de danos
aos equipamentos. Lopes também afirmou que o tabelamento de
fretes poderá gerar uma perda de 3,2 bilhões de reais ao setor.
A entidade representa siderúrgicas como CSN , Usiminas
, Gerdau e ArcelorMittal.
"Não estamos sendo priorizados, estamos fazendo aqui um
desabafo à luz dessa sequência de medidas tomadas pelo governo e
que afetam diretamente a nossa competitividade", disse o
presidente do IABr, citando além das medidas tomadas para
encerrar a greve dos caminhoneiros decisões que impediram o
Brasil de cobrar tarifas de antidumping e contra subsídios sobre
importação de aço da China.
No setor químico, que inclui a petroquímica Braskem
, a greve deve ter gerado prejuízo de 950 milhões de
reais, disse o presidente da entidade, Fernando Figueiredo. Ele
calculou que a redução do Reintegra vai gerar um prejuízo para a
indústria química de 1,5 bilhão de reais neste ano, além do 1
bilhão de reais em perdas a serem geradas com a extinção do
regime especial Reiq, também a reboque da negociação do governo
para encerrar a greve dos caminhoneiros.
Mais cedo, o presidente da associação de montadoras de
veículos, Anfavea, Antonio Megale, que negocia há meses um
programa de incentivo a investimentos no setor, tentou evitar
críticas às medidas anunciadas pelo governo Temer, mas afirmou
que o tabelamento do frete "não é o melhor caminho" e que
"subsídio ao diesel preocupa. O estabelecimento do preço do
combustível de forma artificial não é boa solução".

(Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Lisandra
Paraguassu, em Brasília, edição xxxxx)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
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