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SÃO PAULO, 21 Nov (Reuters) – A indústria de frango do
Brasil, maior exportador global do produto, tem um cenário
favorável para "colocar a casa em ordem", com preços mais baixos
das matérias-primas após a "tempestade perfeita" de custos
altíssimos em 2016 e os desdobramentos da Operação Carne Fraca
este ano, afirmou nesta terça-feira o analista Guilherme
Bellotti de Melo, do Itaú BBA.
No ano passado, o setor enfrentou preços recordes de milho,
principal matéria-prima para ração, por conta da quebra de safra
no país, além da deterioração da atividade econômica, que deixou
uma série de empresas em dificuldades financeiras.
Agora "o setor avícola brasileiro já vem sentindo ventos
mais favoráveis" e o "cenário surge como uma grande
oportunidade" para os players do setor, destacou Melo.
"De fato, as empresas de frango observam custos
significativamente mais baixos na esteira da produção recorde de
milho de 2ª safra no Brasil, que é estimada em cerca de 70
milhões de toneladas, 65 por cento superior à do ano passado",
afirmou ele.
"O resultado disso é que os preços do grão 'desceram a
ladeira' e encontram-se atualmente em níveis 50 por cento
inferiores a setembro de 2016", acrescentou.
A indústria de frangos do Brasil conta com players como a
BRF , maior exportadora global do produto, e a JBS
, dona da Seara.
Segundo o analista, mesmo se as exportações de milho do
Brasil alcançarem um recorde de 34 milhões de toneladas, os
estoques de passagem para 2018 deverão ser suficientes para
impedir subidas abruptas das cotações.
"Adicionalmente, os sinais de retomada da economia
brasileira podem ajudar a estimular o consumo após a queda de 3
por cento da demanda per capita nos últimos dois anos… A
desaceleração da inflação também tem contribuído para o aumento
da renda disponível da população após anos consecutivos de
corrosão do poder de compra."
E do lado das exportações de frango as expectativas apontam
para uma recuperação do volume vendido após a "ressaca" da
Operação Carne Fraca, que apontou corrupção entre empresas e
fiscais federais que chegou a resultar em embargos temporários à
carne brasileira.
O analista ressaltou ainda que haverá um "impulso" com a
redução dos estoques em importantes destinos da carne
brasileira, como o Japão, e também pela restrição da oferta
local na China, reflexo da redução das importações de genética
desde 2015, após os casos de gripe aviária nos Estados Unidos e
Europa, o que abre oportunidades para os embarques do Brasil.
"Todo esse ciclo positivo que se descortina deve ser
percebido como uma excelente oportunidade para que os players
coloquem a 'casa em ordem' após a aguda crise do ano passado,
que trouxe consigo um aumento da alavancagem e redução dos
níveis de liquidez de parte relevante dos frigoríficos", afirma
o relatório do Itaú BBA.
"Como sabemos, o mercado de frango é cíclico e certamente
anos de 'aves magras' virão no futuro. Assim, estar preparado
para atravessar tais períodos sem grandes sustos e solavancos é
fundamental…".

(Por Roberto Samora; Edição de Luciano Costa)
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