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Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 13 Nov (Reuters) – Novas empresas da Índia têm
demonstrado forte apetite por disputar o próximo leilão em que o
governo oferecerá concessões para a construção de novas linhas
de transmissão de eletricidade, agendado para dezembro, disseram
à Reuters três fontes com conhecimento direto do assunto e
especialistas do mercado.
Os indianos estrearam no país de forma surpreendente em
abril, quando a Sterlite Power Grid arrematou dois
projetos em uma licitação federal e ainda ofereceu o maior
deságio da concorrência, com desconto de quase 60 por cento em
relação à receita máxima oferecida para os empreendimentos. Tal
movimento atraiu interesse de outras empresas da Índia, que
também se preparam para a licitação.
Agora, a Sterlite Power tem avaliado projetos do leilão de
dezembro, assim como ao menos mais duas conterrâneas, Adani
Transmission e Power Grid Corporation of India Limited
, disseram as fontes, que falaram sob a condição de
anonimato porque as tratativas são sigilosas.
"Eles vão ter uma atuação bem relevante… eles vêm bem
competitivos. Até porque os novos competidores vêm com um pouco
mais de apetite, para poder entrar no mercado", disse à Reuters
uma fonte que assessora empreendedores no setor de transmissão.
"Essas novas empresas são maiores que a Sterlite na Índia…
acho que elas vêm e é por coisa maior", disse uma segunda fonte
próxima aos indianos.
Serão oferecidos no leilão 11 lotes de empreendimentos, que
demandarão quase 9 bilhões de reais para serem implementados,
segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Desde a divulgação do certame, tem havido uma significativa
movimentação dos indianos para avaliar esses projetos,
principalmente os de maior porte, disse uma terceira fonte do
setor.
A Sterlite, por exemplo, está de olho no primeiro lote do
leilão, o segundo maior em termos de investimento estimado, de 2
bilhões de reais, disse a fonte.
"Eles estão varando dias e noites (estudando o projeto)…
acho que eles vão levar o lote 1", disse.
Procuradas pela Reuters, Adani Transmission e Power Grid
Corporation of India não responderam a pedidos de comentário.
A Sterlite Power disse, em nota, que "está avaliando
profundamente o próximo leilão", uma vez que possui interesse de
longo prazo em investimentos no setor de transmissão do Brasil.
"A decisão dos lotes exatos para propostas será tomada no
momento do leilão, com base na viabilidade dos projetos, riscos
e outros fatores", adicionou a elétrica.

NOVA ONDA
Para especialistas, as boas condições de retorno e o baixo
risco envolvido nos negócios de transmissão de eletricidade no
Brasil têm atraído muitos investidores, e é normal que a entrada
de novos agentes como a Sterlite atraia outras empresas em seus
países de origem.
"É uma oportunidade de expansão dentro de um negócio que
eles conhecem… um chega lá com a notícia e os outros acabam
olhando. Se meu concorrente está indo para lá, por que eu não?
Acaba atraindo", explicou o diretor da consultoria Excelência
Energética, Erik Rego.
Além disso, há uma aposta de que os indianos provavelmente
são guiados pelo mesmo objetivo que trouxe grandes investidores
chineses ao setor elétrico do país: a possibilidade de
conquistar não só contratos para novos projetos, mas também para
fornecimento de equipamentos e serviços.
"Os chineses pegaram muitos projetos justamente para colocar
produtos deles no país. Os indianos vão vir da mesma forma,
tentando pegar os projetos para colocar equipamentos indianos",
disse o presidente da CEL Engenharia, Célio de Oliveira.
Mas os especialistas alertam para riscos particulares do
Brasil, principalmente os relacionados a atrasos por
dificuldades de licenciamento ambiental.
"A grande dificuldade nossa de implantar projetos no Brasil
é o meio ambiente e a questão fundiária… eles não conhecem e
às vezes não sabem o tamanho que é esse problema", apontou.
O executivo ressaltou que os novos agentes precisam avaliar
bem os riscos para não oferecer descontos exagerados e depois
arriscar problemas de rentabilidade nos empreendimentos.

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(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 5511 5644 7519;
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