Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por José Roberto Gomes e Roberto Samora
SÃO PAULO, 8 Jun (Reuters) – A disparada do dólar ante o
real nos últimos dias, que em outros tempos levaria produtores
de soja e milho do Brasil a intensificar as vendas, não permitiu
uma enxurrada de comercialização desta vez, já que as incertezas
quanto ao tabelamento de fretes proposto pelo governo deixam as
pontas vendedora e compradora em compasso de espera, segundo
especialistas ouvidos pela Reuters.
Dado o peso do transporte rodoviário para a safra do Brasil,
o agronegócio está no aguardo de uma definição sobre os fretes
antes de voltar a negociar, deixando de lado a apreciação do
dólar frente o real, um clássico estimulante às vendas por
proporcionar maiores retornos em moeda local.
Ainda que uma parte dos agentes tenha aproveitado para
negociar vendas para entrega no futuro, a sensação no mercado
foi de paradeira nos últimos dias, apesar de uma alta de cerca
de 5 por cento no dólar na última semana até quinta-feira
–nesta sexta-feira, a moeda despencava ante o real, após o
Banco Central anunciar medidas.
"A valorização (do dólar) levaria a uma melhora de preço e a
uma melhora de comercialização, mas a incerteza com os fretes
limita isso… O comprador não consegue fechar o preço porque
não sabe quanto vai ter de custo logístico", afirmou o analista
de mercado Enilson Nogueira, da Céleres, referindo-se a negócios
com soja e milho.
Ainda que a volatilidade no câmbio também afete os negócios,
é a questão do frete a maior trava. Pairam muitas dúvidas sobre
o funcionamento da tabela anunciada pelo governo entre as
medidas para encerrar os protestos de caminhoneiros. Na véspera,
uma nova versão do tabelamento foi aprovada e, poucas horas
depois, suspensa.
Nesta sexta-feira, houve uma reunião na Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT), mas não há expectativa de uma
nova tabela nas próximas horas, para desespero daqueles que têm
embarques programados nos portos. Associações do setor já
apontam uma queda nos embarques de soja neste mês, devido ao
impasse do frete, que afeta o Brasil em momento em que os
estoques estão baixos nos portos, após os protestos.
O diretor da corretora Cerealpar, Steve Cachia, ressaltou
que a comercialização da safra brasileira de soja 2017/18, que
atingiu um recorde de quase 120 milhões de toneladas, está
"praticamente parada" desde 21 de maio, quando estouraram as
manifestações.
"Sem dúvida nenhuma, o principal fator levando o mercado a
ficar travado é a greve dos caminhoneiros do mês passado e as
consequências disso."
Para ele, contudo, o frete não é a única preocupação do
mercado no momento. "Os produtores estão olhando o preço da soja
em Chicago derreter e isso também contribuiu para deixar o
sentimento mais negativo ainda", adicionou.
Desde fevereiro, a oleaginosa na CBOT já acumula queda
de 12 por cento, saindo de quase 11 dólares para 9,6 dólares por
bushel, em meio a uma maior oferta mundial, perspectivas
favoráveis para a safra dos Estados Unidos e tensões comerciais.
Toda essa conjuntura deve frear as vendas da soja
recém-colhida na safra deste ano, que vinham fortes. Também pode
atrapalhar as negociações da segunda safra de milho, a
"safrinha", em fase inicial de colheita.
Segundo acompanhamento divulgado nesta semana pela Datagro,
a comercialização da soja 2017/18 atingia 73 por cento do volume
produzido, contra 61 por cento há um ano e 70 por cento na média
recente.
A própria consultoria, agora, já alerta que os prêmios da
soja perderam um pouco de embalo e "novos negócios estão sendo
inviabilizados pela alta nos fretes gerada pelo tabelamento". No
mercado de milho, também há lentidão.
Uma fonte do mercado disse até que "o ABCD está fora (dos
négocios)", em uma referência ao quarteto de tradings que se
destaca no mercado mundial: Archer Daniels Midland (ADM)
, Bunge , Cargill CARG.UL e Louis Dreyfus Company
(LDC) AKIRAU.UL .

VENDA A TERMO
Devido às incertezas sobre a tabela e ao dólar forte, uma
parte dos agentes do mercado prefere negociar contratos a termo,
com entrega no segundo semestre, pontuou o Centro de Estudos
Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
"Além da dificuldade no frete, os preços estão mais
atrativos para os meses posteriores", afirmou o centro de
estudos.
Em Paranaguá (PR), a paridade de exportação de soja indica
preços a 93,49 reais/saca de 60 kg para agosto de 2018 e a 99,04
reais/saca para setembro/18, considerando-se o dólar futuro dos
respectivos meses na B3 de quinta-feira, disse o Cepea. Na
última semana, indicador do Cepea registrou alta de 1,3 por
cento, para 87,69 reais/saca.
Outros produtores, por sua vez, preferem já garantir preços
satisfatórios nas negociações da próxima safra
(2018/19). urn:newsml:reuters.com:*:nIGB41F8FE

MetaTrader 300×250

(Com reportagem adicional de Lisandra Paraguassu e Leonardo
Goy, em Brasília)
(([email protected] 5511 5644 7751 Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia

Join the Conversation