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Por Luciano Costa
SÃO PAULO, 15 Mai (Reuters) – A hidrelétrica de Jirau, em
Rondônia, uma das maiores do Brasil, tem sofrido impactos
operacionais e financeiros devido a falhas nas enormes linhas de
transmissão que levam sua produção do Norte até o Sudeste,
segundo um documento da Eletrobras visto pela Reuters
e uma fonte ligada ao empreendimento.
Os linhões receberam mais de 6 bilhões de reais em
investimentos e possuem mais de dois mil quilômetros de extensão
cada, mas um deles teve uma estrutura, o eletrodo de terra,
construída no local errado, o que faz o sistema de transmissão
como um todo operar com limitações.
A estatal Eletrobras, sócia tanto dos linhões quanto de
Jirau, enviou uma carta à Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel) na qual reclama dos impactos que as restrições dos
linhões causam sobre a usina, que recebeu aportes de cerca de 20
bilhões de reais e também tem como acionistas a francesa Engie
e a japonesa Mitsui .
"Em 2018, a UHE Jirau foi impactada por diversas
perturbações sistêmicas originadas no sistema de transmissão…
as quais provocaram mais de uma centena de desligamentos
automáticos –tripas– de unidades geradoras da usina", apontou
no documento o diretor de Transmissão da elétrica, José Antonio
Muniz Lopes.
"Esse cenário, de sucessivas perturbações sistêmicas, tem
como consequência diversos prejuízos ao empreendimento",
acrescentou ele, sobre a usina com cerca de 3,75 gigawatts em
capacidade instalada.
Entre os impactos, ele listou desgastes precoces em
componentes das unidades geradoras e deformações em uma
estrutura da usina que serve para evitar que troncos de árvores
que correm pelas águas do rio Madeira prejudiquem suas máquinas.
No documento, Muniz, que já foi presidente da Eletrobras,
afirmou que uma das consequências dos problemas nas linhas foi
uma rejeição da carga da usina, que mudou o sentido do fluxo da
água do rio e forçou a estrutura que segurava os troncos, o
chamado "log boom", que acabou rompendo em janeiro.
O rio Madeira tem esse nome justamente por conta dos troncos
levados por sua forte correnteza durante a época de cheia, e
segundo a carta da Eletrobras o rompimento do "log boom" após
problemas no sistema de transmissão gerou um acúmulo de madeira
que prejudicou a geração da usina, com "significativo impacto
financeiro" para Jirau.
Segundo uma fonte próxima ao empreendimento no rio Madeira,
os problemas devem continuar até que seja resolvida a questão do
eletrodo de terra em um dos linhões.
"O sistema continua tendo alguns problemas, e essas 'tripas'
(desligamentos) continuam acontecendo por essa falha de
confiabilidade em um dos linhões, por conta dos problemas do
eletrodo de terra", afirmou a fonte, que falou sob anonimato
porque não tem autorização para conversar com a imprensa.
A Energia Sustentável do Brasil (ESBR), que reúne os sócios
de Jirau, disse que não iria comentar o assunto.
A Eletrobras também não quis comentar.

PROBLEMAS NA TRANSMISSÃO
Para o pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ), Roberto
Brandão, a questão do eletrodo é um "problema construtivo" que
impacta as usinas principalmente na época de fortes chuvas na
região do rio Madeira, entre dezembro e maio.
"Isso está limitando as usinas em uma época como agora, em
que você tem muita água. Limita a exportação de energia pelas
usinas do Madeira (para o Sudeste), mesmo elas já estando a
plena capacidade", afirmou.
O linhão de transmissão que enfrenta o problema com o
eletrodo foi construído pela IEMadeira, uma sociedade entre a
Cteep, majoritária, e a Eletrobras.
"A solução da referida restrição se dará com a construção de
um novo eletrodo de terra no terminal de Rondônia, previsto para
o quarto trimestre de 2018, desde que sejam liberadas as
licenças ambientais para sua implantação", afirmou a IEMadeira
em nota após questionamentos da Reuters.
A empresa disse que "os desligamentos citados… vêm
ocorrendo, na maioria das vezes, devido a falhas na linha de
transmissão do bipolo 2, que pertence a outro agente de
transmissão".
O segundo linhão pertence à Norte Brasil Transmissora
(NBTE), sociedade entre a espanhola Abengoa e a Eletronorte, da
Eletrobras.
Mas a própria IEMadeira admite que "por conta da restrição
operativa do eletrodo de terra da IEMadeira" o segundo linhão
tem operado com o chamado "trip cruzado", um esquema de operação
em que a estrutura é bloqueada em casos de falha em qualquer um
dos linhões.
Procurada, a Norte Brasil não respondeu a pedidos de
comentário.
A IEMadeira tem visto um desconto de 10 por cento em sua
receita referente às estações conversoras do linhão devido ao
problema com o eletrodo de terra, que é considerado uma
"pendência não impeditiva" para a operação do empreendimento. A
receita será restabelecida quando a estrutura estiver
corretamente implementada.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não quis
comentar o assunto.

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(Edição de Roberto Samora)
(([email protected]; 5511 5644 7519;
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– Twitter: @AnaliseEnergia))


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