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Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 16 Abr (Reuters) – Cientistas a bordo de um
navio do Greenpeace documentaram a existência de corais na área
onde a petroleira francesa Total planeja explorar
petróleo, a 120 km da costa norte do Brasil, afirmou a
organização ambiental em nota nesta segunda-feira.
"A presença de rodolitos, algas calcárias que formam o
habitat para peixes e outras espécies do recife, confirmam que
os Corais da Amazônia se estendem para além do que era conhecido
anteriormente, conforme será publicado nos próximos dias pela
revista científica Frontiers in Marine Science", afirmou o
Greenpeace.
"Agora que sabemos que os Corais da Amazônia se sobrepõem ao
perímetro dos blocos da Total, não há outra opção para o governo
brasileiro que não negar a licença da empresa para explorar
petróleo na região", disse o especialista do Greenpeace em
Energia Thiago Almeida, em nota.
A Total é a operadora de cinco blocos na Bacia da Foz do Rio
Amazonas, adquiridos na 11ª Rodada de licitação de blocos
exploratórios de petróleo, em 2013, em parceria com a brasileira
Petrobras e a britânica BP .
No entanto, a exploração na região enfrenta forte
resistência de ambientalistas, devido a presença de ecossistemas
sensíveis, como corais de águas profundas, ainda pouco
conhecidos na região.
A petroleira vem tentando, nos últimos anos, sem sucesso,
obter licença do órgão ambiental federal Ibama para realizar
perfurações exploratórias em seus blocos.
Procurada, a Total não respondeu imediatamente aos pedidos
de comentários sobre a publicação do Greenpeace.
No passado, a empresa havia informado que o programa inicial
de exploração na bacia da Foz do Amazonas previa a perfuração de
dois poços, sendo o primeiro a 28 km e o segundo a 38 km de
distância da formação recifal mais próxima.
Em um evento no Rio de Janeiro mais cedo, nesta
segunda-feira, o diretor-geral da Total, Maxime Rabilloud,
reiterou a jornalistas o interesse da petroleira no Brasil,
destacando que irá avaliar todos os leilões que possam ser
realizados no país.
No entanto, o executivo evitou responder perguntas
relacionadas à Foz do Rio Amazonas.

(Por Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)
(([email protected]; +55 21 2223 7104; Reuters
Messaging: [email protected]))

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