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Por Ana Mano
SÃO PAULO, 15 Set (Reuters) – A preparação para as próximas
safras de soja e milho atrasou no período que antecede o plantio
no Brasil, uma vez que a perspectiva de margens reduzidas em
meio aos baixos preços dos grãos afetaram as decisões de
planejamento, disseram analistas e produções.
Fatores que estão atrasando o plantio também incluem a
volatilidade da taxa de câmbio, o que afeta compras de
fertilizantes, e burocracias excessivas para acessar linhas de
crédito rural, disse o analista Enilson Nogueira, da Céleres.
Até 40 por cento dos custos operacionais de produtores são
financiados por empréstimos, disse ele.
Eduardo Godoi, que planta 3.400 hectares de soja no Estado
do Mato Grosso, disse que prefere comprar insumos com
antecedência. Mas neste ano ele adiou as compras devido às
margens possivelmente mais baixas da próxima safra.
Segundo ele, há cautela para assumir custos sem ter uma
renda garantida.
"Vendas antecipadas para a próxima safra estão avançando
timidamente", disse Godoi à Reuters.
O plantio de soja do Mato Grosso deve começar nas próximas
semanas, caso as chuvas permitam, enquanto o plantio de milho
verão começou no Sul do Brasil.
Até 8 de setembro, produtores haviam plantado apenas 4 por
cento da área de milho verão no Sul, metade da área plantada no
igual período da safra passada, disse Nogueira, da Céleres.
A falta de capital dificultou o planejamento, disse Marcos
da Rosa, representante do setor produtivo, acrescentando que
alguns produtores com problemas financeiros estão com pagamentos
atrasados a fornecedores de sementes.
"Este é um ano de armazéns cheios e bolsos vazios", disse
ele.
Os menores preços dos grãos também afetaram o mercado de
fertilizantes, uma vez que agora produtores precisam de mais
grãos para trocar pela mesma quantidade de produtos nutrientes
para o solo, disse Fábio Rezende, analista da INTL FCStone.
No caso da soja, produtores precisam 12,6 sacas da
oleaginosa para comprar uma tonelada do fertilizante tipo KCI no
porto de Paranaguá, 65 por cento a mais do que no mesmo período
de 2016. Portanto, há uma tendência de redução no uso de
fertilizantes na próxima safra, disse Rezende.
Fertilizantes equivalem a aproximadamente 22 por cento dos
custos operacional de produtores do Mato Grosso, disse a agência
de pesquisa Imea, e 70 por cento é importado. Após uma melhora
nos preços da soja que reviveu a negociação de grãos em julho,
as entregas de fertilizantes para a próxima safra ganharam ritmo
em agosto.
Ainda assim, as vendas de fertilizantes para o milho de
inverno, plantado como uma cultura de após a soja, caíram.
Enquanto na última safra, a maior parte das entregas de
fertilizantes para o milho de inverno aconteceu no fim de 2016,
nesta safra elas deverão acontecer somente no início de 2018,
segundo a INTL FCStone.
((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447765))
REUTERS LM RS


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