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Por José Roberto Gomes e Roberto Samora
SÃO PAULO, 13 Jun (Reuters) – O total de navios em portos
brasileiros aguardando para embarcar produtos do complexo de
soja está quase 60 por cento maior em junho ante igual período
do ano passado, enquanto a quantidade de embarcações
efetivamente recebendo cargas apresenta queda de 42 por cento na
mesma base de comparação, segundo dados da agência Williams
compilados pela Reuters.
Os números refletem os protestos de caminhoneiros no mês
passado e as indefinições quanto ao tabelamento de fretes, uma
das alternativas oferecidas pelo governo para encerrar os
bloqueios de estradas.
A paralisação e o novo regulamento para contratar transporte
rodoviário, contestado pelo setor, têm atrapalhado há cerca de
um mês a comercialização da safra recorde de soja deste ano, de
quase 120 milhões de toneladas, segundo especialistas.
Conforme a Williams, na terça-feira eram 46 navios "na
barra", ou seja, à espera de berços em terminais para poder
carregar soja em grão, farelo, entre outros produtos. Há um ano,
porém, quando a colheita também foi volumosa, eram 29.
Em paralelo, havia 22 embarcações sendo carregadas nos
portos do Brasil, em comparação a 38 em junho de 2017, segundo
os números da agência marítima.
Para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de
Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, essa situação está
totalmente ligada às indefinições quanto ao tabelamento de
fretes, uma das medidas levantadas pelo governo de Michel Temer
para acabar com os protestos de caminhoneiros e que até agora
vem sendo discutida pela reguladora de transportes ANTT.
"Há muitas incertezas nos embarques…", afirmou Nassar,
acrescentando que há um patrulhamento em relação ao cumprimento
da tabela, considerada inconstitucional pela Abiove e já
contestada na Justiça.
Os fretes mínimos vigentes são alvo de críticas de todo o
setor agropecuários, que projeta perdas e recuo nas exportações
neste mês. Nem mesmo a recente disparada do dólar ante o real
conseguiu estimular os negócios, com gigantes como Bunge
e Archer Daniels Midland (ADM) fora do mercado dado o
receio sobre conseguir transporte.

Nassar confirmou que os embarques de soja devem cair em
junho, mas afirmou que ainda é cedo para revisar projeções para
o ano.
A Abiove, ao lado de outras duas associações do setor de
grãos, Anec e Acebra, reforçaram nesta quarta-feira que a tabela
de fretes é prejudicial ao país e fere a Constituição.

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"A imposição de tabelamento de preços de frete vai acabar
com o sistema de financiamento, fixação de preço e
comercialização que permitiu ao Brasil ser o maior produtor de
soja e o terceiro maior produtor de milho do mundo", afirmaram,
em comunicado.
Uma fonte ligada a operações portuárias disse à Reuters que
não só a questão dos fretes responde pela atual situação nos
portos.
Segundo a fonte, que preferiu falar na condição de
anonimato, os próprios protestos atrapalharam as atividades, que
ainda não se normalizaram totalmente, e por isso há mais navios
aguardando para poder embarcar.

(([email protected] 5511 5644 7751 Reuters
Messaging: [email protected]))


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