Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

O Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE) – elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV – avançou 26,6 pontos entre julho e outubro de 2017, para 99,1 pontos. A alta levou o indicador a ficar 10 pontos acima da média dos últimos dez anos e próximo à zona de avaliação favorável. A melhora do ICE é explicada tanto pela situação corrente quanto pelas perspectivas de curto prazo: o Indicador da Situação Atual (ISA) subiu 18,8 pontos, para 56,2 pontos, e o Indicador das Expectativas (IE) avançou 37,4 pontos, para 153,9 pontos. Os números foram apresentados hoje.

No nível agregado mundial, o ICE mantém-se na zona favorável, com um avanço menos expressivo que o da América Latina no trimestre.

MetaTrader 300×250

Todos os principais países do mundo desenvolvido estão na zona de avaliação favorável do clima econômico, exceto o Reino Unido (Gráfico 2). Entre julho e outubro houve avanço em todos os países exceto Japão e Alemanha, com quedas inferiores a 3 pontos. Entre os BRICS, somente a Índia registrou recuo no ICE. O Brasil se destaca no grupo, com aumento de 32,7 pontos na margem, embora se mantenha na zona desfavorável, assim como a África do Sul. Observa-se que, no caso do Brasil, este resultado vem ocorrendo desde julho de 2013.

Segundo a pesquisadora da área de Economia Aplicada do FGV IBRE, Lia Valls, “a América Latina acompanha os ventos favoráveis que predominam no cenário internacional e que sinalizam uma retomada sustentada do crescimento econômico”.

Resultados para os países selecionados da América Latina

O ICE melhorou em sete países dos onze selecionados para o acompanhamento mais detalhado do clima econômico da América Latina. O indicador recuou na Bolívia, México, Uruguai e ficou estável no Paraguai. O recuo máximo foi de 4 pontos (Bolívia e México). Paraguai e Uruguai continuam com clima econômico favorável.

Na Sondagem de outubro, quatro países registraram altas expressivas de ICE, com avanços tanto no indicador da situação corrente quanto no de expectativas: Peru (55 pontos), Chile (52 pontos), Argentina (44 pontos) e Brasil (33 pontos).

Todos os países se beneficiaram do aumento dos preços das commodities, em especial do petróleo e de minerais. Além disso, fatores domésticos contribuíram para a melhora do clima econômico como: a aprovação das diretrizes do governo Macri, na Argentina; a recuperação do setor de mineração no Chile, após a greve nos meses iniciais de 2017, e estímulos fiscais com investimentos na área de infraestrutura; e dados da indústria que apontam recuperação da economia brasileira. O conjunto de fatores positivos externos e domésticos levaram à melhora do ICE e dos indicadores da situação corrente e das expectativas.

Observa-se que o México registrou piora nas expectativas e no clima econômico, apesar da recuperação da economia dos Estados Unidos. No caso, dificuldades relacionadas às negociações para rever o Acordo de Livre Comércio com os Estados Unidos (NAFTA) tem criado um cenário negativo para as expectativas do clima econômico.

A Sondagem de outubro traz a enquete sobre os principais problemas que dificultam o crescimento econômico do país. Foram considerados os resultados para os dez países selecionados (excetuando-se a Venezuela). Os problemas que foram considerados importantes (pontuação acima de 50 pontos): falta de inovação (em 10 países); falta de competitividade internacional (9 países); corrupção (8 países); infraestrutura inadequada (7 países); falta de mão de obra qualificada (7 países); falta de confiança na política do governo (6 países); expansão da desigualdade e de renda (6 países); barreiras legais/administrativas (5); falta e capital (4); demanda insuficiente (4); instabilidade política (3); clima desfavorável ao investidor estrangeiro (2); barreira às exportações (2); dívida (1); e, banco central (1).

Os especialistas brasileiros consideraram que dez são os problemas “engessam” o crescimento do país, com destaque para corrupção e infraestrutura inadequada. “O clima econômico melhorou no Brasil, mas temos ainda um longo caminho a percorrer para assegurarmos um ciclo de crescimento sustentado”, conclui Lia Valls.


Assuntos desta notícia

Join the Conversation