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Por Gram Slattery e Jeffrey Dastin
SÃO PAULO, 14 Jun (Reuters) – A Amazon.com está
recrutando importantes empresas brasileiras de cosméticos como o
Grupo Boticário e a Natura para vender seus produtos
na plataforma logística que está desenvolvendo no Brasil,
disseram à Reuters três fontes familiarizadas com o assunto,
ensaiando uma entrada no quarto maior mercado de beleza do
mundo.
A Amazon está disposta a abocanhar uma parte dos quase 30
bilhões de dólares gastos em maquiagem, tratamentos de cabelo e
outros itens de cuidados pessoais no Brasil, um mercado que fica
atrás somente dos Estados Unidos, da China e do Japão.
A agressiva incursão da gigante de ecommerce em cosméticos
no país, menos de um ano após ter expandido sua atuação além de
livros e streaming de vídeos na maior economia da América
Latina, transforma o roteiro habitual da companhia.
Em outros mercados, a Amazon se concentrou em produtos de
beleza décadas após se estabelecer em segmentos relevantes como
eletrônicos, brinquedos e itens domésticos.
Procurada pela Reuters, a Amazon disse que "nos últimos
cinco anos, desde o lançamento da Amazon.com.br, realizamos
centenas de reuniões com potenciais vendedores e fornecedores
sobre seus negócios no Brasil e possíveis planos futuros",
acrescentando que a companhia não especula sobre os planos
futuros.
Nem a Natura nem o Boticário responderam aos pedidos de
comentários.
Uma parceria com a Amazon aceleraria a abordagem cautelosa
das principais empresas brasileiras de cosméticos em relação ao
ecommerce, enquanto tentam proteger as margens de lucro e as
relações de longa data com tradicionais canais de venda.
A Natura vinha relutando em modificar sua rede de mais de 1
milhão de "consultoras" para venda direta, atendo-se a um modelo
de negócios iniciado pela Avon Products .
Em 2014, a Natura começou a oferecer aos vendedores
independentes ferramentas para permitir compras online, que
agora respondem por menos de 4 por cento do total de vendas.
Uma fonte com conhecimento direto dos planos da Natura disse
que a companhia se reuniu na semana passada com a Amazon, mas
que ainda estava avaliando a proposta.
O Grupo Boticário, de capital fechado, contou com
franqueados para montar uma rede de cerca de 4 mil lojas. A
empresa agora pode vender produtos sem marca própria por meio
das plataformas da Amazon no Brasil, assim como a fabricante de
maquiagens Revlon , disse uma das fontes, que pediu
anonimato porque as discussões ainda estão em andamento.
A pessoa disse que as conversas entre as companhias
começaram "bem recentemente" e que o Grupo Boticário não queria
vender produtos de marca própria nas plataformas da Amazon "por
enquanto".
Até o momento, a Amazon dependia de terceiros vendendo os
próprios produtos por meio do seu site, mas várias medidas este
ano sugerem que a companhia está intensificando a presença
logística no país.
Em fevereiro, a Reuters reportou que a Amazon estava
buscando locar um galpão perto de São Paulo, em um sinal de que
poderia em breve se encarregar da distribuição de produtos
vendidos em seu site brasileiro.
Em abril, a Reuters noticiou também que a gigante
norte-americana estava em conversas com a companhia aérea
brasileira Azul para o envio de mercadorias
para todo o país, à medida que estrutura uma grande rede de
distribuição no Brasil.
(Reportagem adicional de Gabriela Mello)
((Edição Redação São Paulo; 55 11 56447553))
REUTERS GM FB


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