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Por Yara Bayoumy e Brian Love
WASHINGTON/PARIS, 9 Mai (Reuters) – Países europeus se
empenhavam nesta quarta-feira em tentar salvar o acordo nuclear
internacional com o Irã depois que o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, retirou seu país do pacto histórico, e
Teerã expressou desprezo pelo líder norte-americano.
"O acordo não está morto. Existe uma saída norte-americana
do acordo, mas o acordo ainda está de pé", disse o ministro das
Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que sempre foi
relutante em seu apoio ao acordo e continuava desconfiado de
Washington, acusou Trump de mentir, dizendo: "Senhor Trump, digo
a você em nome do povo iraniano: você cometeu um erro".
O presidente da França, Emmanuel Macron, deve conversar mais
tarde nesta quarta-feira com o presidente iraniano, Hassan
Rouhani, informou Le Drian. Teerã também sinalizou sua
disposição para conversar.
Trump anunciou na terça-feira que vai retomar sanções
econômicas contra o Irã para minar o que classificou como "um
acordo horrível e unilateral que nunca, nunca deveria ter sido
feito".
O pacto de 2015, negociado pelos EUA, cinco potências
mundiais e o Irã, suspendeu sanções impostas a Teerã em troca da
limitação de seu programa nuclear. Fruto de mais de uma década
de diplomacia, o entendimento foi concebido para impedir os
iranianos de obterem uma bomba nuclear.
Trump criticou o acordo, a principal conquista de política
externa de seu antecessor Barack Obama, pelo fato de não abordar
a questão dos mísseis balísticos do Irã, suas atividades
nucleares depois de 2025 e seu papel nos conflitos da Síria e do
Iêmen.
A decisão eleva o risco de um aprofundamento nos conflitos
no Oriente Médio, cria atrito entre os EUA e interesses
diplomáticos e empresariais europeus e provoca incerteza a
respeito dos suprimentos globais de petróleo. Os preços do
petróleo subiram mais de 2 por cento nesta quarta-feira, e o
Brent teve sua maior alta em três anos e meio.
A saída dos EUA ainda pode fortalecer a linha-dura do regime
iraniano à custa dos reformistas de sua arena política.
Le Drian disse que o Irã está honrando seus compromissos com
o pacto.
"A região merece mais do que uma nova desestabilização
provocada pela retirada americana. Por isso queremos aderir a
ele e levar o Irã a fazê-lo também, fazer com que o Irã se
comporte com moderação", disse ele à rádio francesa RTL.
A União Europeia disse que continuará comprometida com o
acordo e que fará com que as sanções impostas ao regime
continuem suspensas contanto que Teerã cumpra seus compromissos.
(Por Steve Holland; Reportagem adicional de Tim Ahmann,
Makini Brice, Warren Strobel, Jonathan Landay e Arshad Mohammed,
Patricia Zengerle, David Lawder, Mohammad Zargham, em
Washington; Ayenat Mersie, em Nova York; Sybille de La Hamaide,
John Irish e Tim Hepher, em Paris; Parisa Hafezi, em Ancara;
David Milliken e Bozorgmehr Sharafedin, em Londres; e Andrew
Torchia, em Dubai)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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