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Por Koh Gui Qing e Salvador Rodriguez
NOVA YORK/SAN FRANCISCO, 17 Mai (Reuters) – A fome
insaciável de Pequim por novas tecnologias estimulou a
proliferação de "aceleradores" no Vale do Silício que visam
identificar startups promissoras e levá-las para a China.
O aumento no número de aceleradores focados na China – que
apoiam, orientam e investem em startups em estágio inicial – faz
parte de uma onda maior de investimentos chineses no Vale do
Silício. Pelo menos 11 desses programas foram criados na área da
Baía de San Francisco desde 2013, de acordo com a empresa de
dados do setor de tecnologia Crunchbase.
Alguns trabalham diretamente com governos chineses, que
fornecem financiamento. Entrevistas da Reuters com as
incubadoras mostraram que muitas estão focados em levar startups
dos Estados Unidos para a China.
Para autoridades do governo dos Estados Unidos desconfiadas
da influência crescente da China no setor de alta tecnologia, o
boom das aceleradoras reafirma temores de que o know-how
tecnológico dos EUA esteja sendo transferido para a China por
meio de investimentos, joint ventures ou acordos de
licenciamento.
"Nossa propriedade intelectual é o futuro de nossa economia
e segurança", disse o senador democrata Mark Warner,
vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA, em
comunicado à Reuters sobre aceleradoras chinesas. "O governo da
China claramente priorizou a aquisição da maior quantidade de
propriedade intelectual possível. Seus esforços contínuos,
legais ou ilegais, representam um risco que temos que encarar
com muita seriedade".
Os EUA já tentaram bloquear muitas aquisições chinesas no
setor de tecnologia e estão considerando várias medidas que
podem impor novas restrições ao investimento chinês no Vale do
Silício.
As medidas restritivas impostas pelo presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, à concessão de vistos para trabalhadores
estrangeiros de tecnologia e as ameaças de uma guerra comercial
com a China também estão mudando a paisagem.
E, com certeza, os programas chineses são uma pequena parte
desse quadro. Existem 159 aceleradoras e 70 incubadoras de todos
os tipos na área da Baía de San Francisco, de acordo com a
Crunchbase.
No entanto, as aceleradoras refletem laços estreitos entre
empresários, investidores em tecnologia e os principais talentos
em engenharia nos EUA e na China.
As universidades norte-americanas continuam sendo um
importante campo de treinamento para engenheiros chineses, por
exemplo, e empresas norte-americanas como a Microsoft há muito
tempo têm laboratórios de pesquisa na China.
Executivos de várias aceleradoras apoiadas pela China
disseram à Reuters que seu objetivo é ajudar startups a ter
acesso ao mercado chinês e cultivar relacionamentos entre
empresários e investidores em ambos os países.
"Estamos construindo a porta ou ponte para o mercado da
China", disse Wei Luo, vice-presidente de operações da ZGC
Capital Corp, que administra o Centro de Inovação da ZGC.
O centro é apoiado pelo Zhongguancun Development Group, uma
entidade financiada pelo governo local de Pequim; seu nome
refere-se ao bairro de Zhongguancun, que às vezes é chamado o
Vale do Silício da China.
Aceleradores como o ZGC "ajudam empreendedores
norte-americanos a entender melhor a China", disse Luo.

CONEXÃO DA CHINA
Ethan Schur, um empreendedor norte-americano e cofundador da
Grush, uma escova de dentes inteligente que combina escovação
com jogos para encorajar as crianças a limpar os dentes,
juntou-se à ZGC e chamou a parceria de "muito útil".
A ZGC ajudou a Grush a se instalar na China, disse Schur.
"Somos capazes de atender os fabricantes com quem queremos
trabalhar, somos confiáveis, seguros e temos um bom preço",
disse ele.
Para os empresários David Lee e Grace Wang, que fundaram um
aplicativo de planejamento de viagens apoiado pela ZGC chamado
The Explorer.io, administrar uma empresa que não tem boa ligação
com a China é ruim para os negócios.
"É tudo sobre colaboração", disse Wang, que nasceu na China
e se mudou para os Estados Unidos em 2011 para cursar a
faculdade antes de fazer pós-graduação na Universidade da
Califórnia em Berkeley. "Deveria haver um jeito de ajudar os
países a crescer juntos e trabalhar uns com os outros."

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PROPRIEDADE INTELECTUAL
Muitos governos locais na China – como seus pares nos
Estados Unidos – estão ansiosos para apoiar startups em nome do
desenvolvimento econômico.
As aceleradoras trabalham com empresas em áreas como
inteligência artificial, tecnologia de condução autônoma, big
data e ciências da saúde.
Elas costumam ajudar empresas dos EUA a criar joint ventures
ou acordos de licenciamento para entrar na China – o tipo de
acordo que alguns políticos dos EUA dizem que serve como
condutores para a transferência de propriedade intelectual.
O Shanghai Lingang Overseas Innovation Center "servirá como
intermediário na transferência de tecnologia", disse o governo
de Xangai em um breve comunicado em seu site em maio de 2016
para marcar a abertura do centro no coração de San Francisco.
Não há exemplos de roubos importantes de empresas ajudadas
por aceleradoras chinesas. Mas pesos-pesados ?norte-americanos,
como a Apple, a GM e até Michael Jordan, enfrentam disputas na
China pela proteção de sua propriedade intelectual.
Xiao Wang, cofundadora da InnoSpring Silicon Valley, uma
aceleradora com sede em Xangai que investiu 3,5 bilhões de
dólares em 70 startups norte-americanas e 15 chinesas nos
últimos cinco anos, disse que aqueles que acreditam que roubo de
propriedade intelectual é o preço para entrar "precisam entender
melhor a China".
Embora a proteção de propriedade intelectual da China não
seja tão boa quanto nos Estados Unidos, ela melhorou, disse Xiao
Wang. Os riscos para as startups são superados pelos benefícios
de se mudar para a China, que incluem o acesso a um enorme
mercado e um crescente grupo de talentos, disse ela.
Sue Xu, uma sócia da Amino Capital, disse que sua empresa
investiu em mais de 130 startups e ajudou mais de 30 por cento
delas a entrar na China.
"O mercado chinês é enorme, então as empresas em que
investimos dizem 'não vamos parar até entrarmos no mercado
chinês'", disse ela.
Mesmo assim, até mesmo acordos nos quais as startups
norte-americanas dão as boas-vindas aos investidores chineses
preocupam algumas autoridades em Washington.
Um estudo realizado pela Defense Innovation Unit
Experimental, que investe em tecnologia comercial em nome do
Departamento de Defesa dos EUA, disse em um relatório em janeiro
que o investimento chinês em startups atingiu um recorde de 11,5
bilhões de dólares em 2015, ou 16 por cento de todos os negócios
tecnológicos naquele ano.
Para empreendedores como Lee, cofundador da Explorer.io, que
se mudou para os Estados Unidos da Coreia do Sul há 15 anos, a
esperança é que as suspeitas sobre os investidores chineses
desapareçam.
É apenas uma questão de tempo, disse ele, antes que as
pessoas percebam que a suspeita de investimento chinês é
"prejudicial para os Estados Unidos".
((Tradução Redação São Paulo, +5511 56447719))
REUTERS RBS FB


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