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Por Ben Blanchard
PEQUIM, 10 Nov (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, comemorou suas reuniões em Pequim sobre o comércio
e a Coreia do Norte por vê-las como "muito produtivas",
encerrando uma visita que a mídia chinesa afirmou ter criado um
"novo roteiro" para o relacionamento bilateral, apesar de a Casa
Branca parecer prestes a endurecer sua postura com a China.
Trump pressionou Pequim a fazer mais para conter as ambições
nucleares norte-coreanas e disse que o comércio bilateral tem
sido injusto com os EUA, mas também louvou a promessa do líder
chinês, Xi Jinping, de que a China será mais aberta a empresas
estrangeiras.
Horas depois de Trump deixar a capital chinesa nesta
sexta-feira, a China disse que anulará os limites para a
propriedade estrangeira de bancos locais e de empresas de
administração de bens, além de afrouxar as restrições à posse de
ações de firmas de bens financeiros e seguradoras — medidas
esperadas há tempos por companhias financeiras estrangeiras.
A China é cada vez mais pressionada por governos e lobbies
empresariais ocidentais para retirar barreiras a investimentos e
outras regras que dificultam a operação de empresas do exterior
no país, além do roubo de propriedade intelectual.
Os Estados Unidos vêm evitando endurecer na arena comercial
porque precisa da cooperação chinesa com a Coreia do Norte, mas
Xi, ao menos em público, não foi além de reiterar a determinação
de sua nação para realizar conversas sobre uma desnuclearização.
Trump e Xi, que se chamam de amigos, também acompanharam a
assinatura de cerca de 250 bilhões de dólares em acordos
comerciais, uma conquista que membros da comunidade empresarial
dos EUA e outros dizem inibir a abordagem dos impedimentos
estruturais que os deixam em desvantagem diante de seus rivais
chineses.
A China pode estar equivocada ao pensar que fez o suficiente
para tratar das preocupações norte-americanas, e Trump pode
encontrar pessoas decepcionadas em casa por não ter feito mais
progresso em itens como acesso ao mercado e a questão
norte-coreana, disse Paul Haenle, diretor do Centro
Carnegie-Tsinghua de Política Global em Pequim.
"Minha preocupação é que podemos ver uma guinada rumo a uma
postura muito mais dura do governo dos EUA. Isso será uma grande
surpresa para a China e o presidente Xi, especialmente dado que
Xi provavelmente sente que fez muito por Trump nesta visita".
Pouco antes de deixar Pequim para ir à cúpula da Cooperação
Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec, na sigla em inglês) no
Vietnã, Trump reiterou em um tuíte que não culpa a China pelo
déficit comercial dos EUA.
(Reportagem adicional de Steve Holland e Matthew Miller; e
Michael Martina, em Danang, Vietnã)
((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))
REUTERS PF


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