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SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) – A indústria brasileira de
veículos está preocupada com o desempenho de seus dois
principais mercados de exportação, Argentina e México, neste ano
enquanto tenta se recuperar dos impactos da greve dos
caminhoneiros na produção e nas vendas internas no país em maio,
afirmou nesta quarta-feira a associação que representa o setor,
Anfavea.
A preocupação com o México decorre de uma queda acumulada
nos primeiros cinco meses do ano da ordem de 46 por cento sobre
o mesmo período de 2017. No caso da Argentina, o temor deve-se à
forte desvalorização cambial no país que obrigou o governo de
Buenos Aires a elevar os juros para 40 por cento em maio.
Segundo o presidente da Anfavea, Antonio Megale, cuja
entidade segue prevendo recorde de vendas externas neste ano, as
exportações para o México, segundo maior mercado de veículos do
Brasil, caíram para 21 mil unidades de janeiro a maio deste ano
ante 39 mil no mesmo período de 2017.
"Essa queda é decorrente do próprio mercado mexicano, que
não está vindo muito bem neste ano", afirmou Megale a
jornalistas. "Estamos olhando para isso com muita atenção e
buscando alternativas", acrescentou, citando possibilidade de
incremento de vendas para outros destinos como o Chile.
Na Argentina, embora as vendas externas do Brasil ainda não
tenham mostrado impacto da alta dos juros e da desvalorização do
peso, a preocupação decorre da participação de 76 por cento
deste mercado nas exportações totais de veículos do Brasil.
O país vizinho ampliou em 9 por cento as compras de veículos
brasileiros no acumulado de janeiro a maio em relação ao mesmo
período de 2017, para 233 mil.
"A Argentina preocupa pela desvalorização e pelo aumento dos
juros muito grande… Qualquer impacto na Argentina, tem impacto
na nossa produção", disse Megale.
Atualmente, cerca de um terço da produção brasileira de
veículos é destinada à exportação. O setor vem se recuperando de
quatro anos de quedas seguidas no mercado interno, encerrados em
2017. De janeiro a maio, o Brasil embarcou para o exterior 314
mil veículos, expansão de 2 por cento sobre o forte desempenho
do ano passado.
Mais cedo, a Anfavea divulgou que a produção de veículos de
maio foi impactada pela greve dos caminhoneiros, que deixou o
setor paralisado durante pelo menos uma semana no mês passado.
Segundo Megale, a indústria deverá recuperar a produção perdida
para a greve dos caminhoneiros, de cerca de 70 mil a 80 mil
veículos, nos próximos dois meses.
A entidade tem expectativa de crescimento de 13,2 por cento
na produção de veículos em 2018, para 3,055 milhões de unidades.
Já a expectativa para as exportações é de expansão de 5 por
cento, para o nível recorde de 800 mil veículos.
Megale afirmou que a Anfavea deverá alterar suas projeções
para 2018 em julho e, por ora, segue com um "viés positivo" para
comercialização de veículos no mercado interno, uma vez que as
vendas nos primeiros dias de junho retornaram ao patamar de 10
mil unidades diárias.

(Por Alberto Alerigi Jr.; Edição de Gabriela Mello)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))

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