Clicky

Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

(Repete notícia divulgada no Sábado)
Por Sergio Goncalves
LISBOA, 11 Jun (Reuters) – O 'management' da EDP vê
méritos no projecto de estratégia industrial proposto pela China
Three Gorges (CTG) no 'bid' de 9.000 milhões de euros (ME), mas
há aspectos que ainda têm de ser clarificados e o preço
oferecido é baixo.
No relatório ao 'bid', o Conselho de Administração Executivo
(CAE) adiantou que, "assim, o CAE não pode recomendar que os
accionistas vendam as suas acções ao preço actualmente
oferecido", frisando que procurará obter mais informação sobre
as intenções estratégicas da CTG e o seu impacto na EDP.
A 15 de Maio, a CTG, lançou uma OPA geral sobre a EDP a 3,26
euros por acção, ou um modesto prémio de cinco pct face à
cotação de fecho anterior.
A cotação da EDP tem estado sistematicamente acima da
contrapartida e fechou nos 3,38 euros, com os investidores a
apostarem num aumento do 'bid' da CTG ou até numa contra-oferta.

OFERECE POUCO
O CAE frisou que o preço "não reflecte adequadamente o valor
da EDP e que o prémio implícito na Oferta é baixo, considerando
a prática seguida no mercado Europeu das utilities nas situações
onde existiu aquisição de controlo".
Este prémio implícito é "significativamente abaixo do que é
a prática em transacções em dinheiro no sector europeu das
utilities, no mercado ibérico e mais genericamente no mercado
europeu, em casos em que o oferente adquire controlo".
Disse que, nas OPAs com aquisição de controlo consideradas,
os accionistas receberam um prémio médio sobre o preço Spot
entre 32 pct e 40 pct, e um prémio sobre o Volume Weighted
Average Price (VWAP) dos últimos 6 meses entre 36 pct e 45 pct.
"Mesmo considerando ofertas públicas bem-sucedidas lançadas
por accionistas com uma participação minoritária significativa e
com o intuito de adquirir controlo, o prémio médio varia entre
27 pct e 33 pct, sobre o preço Spot e o VWAP dos últimos 6
meses, respectivamente", explicou.
Adiantou que o múltiplo de EBITDA implícito no 'bid' – 9,3x
EV/EBITDA de 2017 – está abaixo da média paga em transacções
precedentes relevantes para aquisição de controlo no sector
europeu das utilities, entre 10,6x e 10,7x.
O múltiplo de EBITDA implícito em transacções precedentes
com base numa avaliação de 'Sum of the Parts' "também indica que
a Oferta da CTG subvaloriza a EDP".
"Os múltiplos de avaliação implícitos na Oferta encontram-se
relativamente em linha com os múltiplos de mercado das empresas
comparáveis da EDP, o que implica que a Oferta da CTG não
incorpora um prémio de controlo para os accionistas da EDP".
Realça que o preço é inferior aos 3,45 euros por acção que a
CTG pagou em 2011 pela participação minoritária de 21,35 pct.

MetaTrader 300×250

EDPR A DESCONTO
O grupo chinês lançou também uma OPA geral sobre a EDP
Renováveis , que é detida em 82,6 pct pela casa-mãe
EDP, a 7,33 euros por acção, ou seja um valor até abaixo dos
7,845 euros a que tinha fechado.
Neste caso, o CAE da EDP Renováveis é mais directo e
"recomenda não aceitar o preço da oferta", destacando que "as
potenciais implicações e desfechos regulatórios, em particular
aqueles que poderão afectar a actividade nos Estados Unidos, não
são claros e poderão ter impacto na estratégia e perspectivas de
crescimento da EDP Renováveis".
Lembrou que, "dada a exposição global do portefólio da EDP
Renováveis, a oferta está sujeita a várias condições e
autorizações regulatórias", em vários países da Europa, nos EUA
e Brasil.
"Esta situação poderá ser mais relevante nos negócios dos
Estados Unidos, onde as medidas de correcção e/ou de mitigação
podem ser impostas pelo CFIUS e/ou FERC", explicou.

PLAYER GLOBAL
A CTG diz que quer preservar a identidade portuguesa da EDP
e a natureza autónoma do centro de decisões, que as acções
tenham liquidez e um free-float significativo, querendo
"posicionar a EDP como líder das operações e do crescimento do
Grupo CTG na Europa, na América, nos PALOP, bem como em
determinados mercados Asiáticos".
Quer "eventualmente contribuir com activos regidos por
contratos de longo prazo do Grupo CTG em geografias onde se
verifique uma sobreposição de mercado com a EDP, ao abrigo de um
acordo quadro a celebrar com a EDP.
Estes activos incluem centrais hídricas controladas pelo
Grupo CTG no Brasil com a capacidade de 8 GW, participações
conjuntamente detidas com a EDP em três activos hídricos no
Brasil com capacidade bruta de 1,3 GW, participação minoritária
de 49 pct em onze centrais eólicas no Brasil controladas pela
EDP com capacidade bruta de 0,3 GW.
Incluem ainda uma participação maioritária de 80 pct no
projecto eólico offshore na Alemanha com capacidade bruta de 0,3
GW e uma participação de 49 pct na EDPR Portugal com capacidade
bruta de 0,6 GW.
A CTG quer "criar opções de crescimento, facilitando a
entrada da EDP no mercado eólico offshore chinês, no qual a
Oferente pretende assumir um papel activo".
"Este novo tipo de activos seria consistente com o actual
enfoque estratégico da EDP e poderia representar uma nova
plataforma de desenvolvimento para a empresa (…) (mas) o CAE
necessita de mais informações de forma a poder formar uma
opinião suportada", disse o CAE.

GOVERNO FACILITA
A CTG tem uma posição de 23,27 pct na EDP e a chinesa CNIC
4,98 pct, tendo a cláusula de sucesso desta Oferta Pública de
Aquisição (OPA) sido fixada em 50 pct mais uma acção.
Contudo, numa adenda às condições da Oferta, a CTG referiu
que se reserva "o direito de, por sua livre e discricionária
decisão, renunciar" àquela condição de sucesso nos termos
legalmente admissíveis".
Instantes antes do anúncio das OPAs, o primeiro-ministro
António Costa disse que o Governo não tinha "nada a opor", pois
"os investidores chineses têm sido bons investidores quer na
REN, quer na EDP, quer em outros" e Portugal é "um país aberto".
Em Julho de 2017, o Governo já tinha feito uma crucial
alteração ao Código de Valores Mobiliários, que facilita o
'movimento' dos chineses pois passou a permitir à CTG votar
isoladamente com os 23,27 pct que tem na EDP e à chinesa CNIC
com os 4,98 pct.
Se não fosse esta alteração, as duas empresas detidas pelo
Estado chinês teriam de agrupar os votos num total de 28,25 pct,
mas apenas votariam com 25 pct – o limite imposto nos Estatutos
da EDP.
Alguns analistas têm referido que, no âmbito da Assembleia
Geral (AG) para desblindar os Estatutos da EDP, aquela norma
pode gerar polémica entre accionistas, tendo o presidente da
mesa da AG a palavra decisiva sobre a sua interpretação, ou seja
se permite ou não aos chineses votarem separadamente.
O segundo maior accionista da EDP é a norte-americana
Capital Group Companies com 9,97 pct, seguida da Oppidum Capital
com 7,19 pct e da private equity BlackRock com cinco pct.
Os analistas têm dito que, num movimento de consolidação do
sector europeu, empresas como a italiana Enel ou a francesa
Engie estariam interessadas em 'cobiçar' activos da EDP.

GESTÃO NORMAL
A 1 de Junho, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários
(CMVM) disse que o 'management' da EDP não fica limitado na
gestão pela regra de 'neutralidade' de 'takeovers' durante o
'bid' da chinesa CTG dado que esta não é cotada e é dominada
pelo Estado chinês.
Assim, ao contrário do que é habitual em operações destas, o
'management' não fica em mera 'gestão corrente', mantendo todos
os seus poderes.
O regulador frisou que "isto não significa, no entanto, que o
órgão de administração da EDP deixe de estar obrigado a gerir de
boa fé, cumprindo os seus deveres de cuidado e lealdade, e
defendendo em qualquer circunstância os interesses dos
accionistas".

(Por Sérgio Gonçalves)
(([email protected]; +351213509204; Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia

Join the Conversation