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(Repete texto publicado na noite de quarta-feira sem
alterações)
Por Aluisio Alves
SÃO PAULO, 2 Mai (Reuters) – A Cielo teve no
primeiro trimestre mais uma rodada de queda da lucratividade,
refletindo a crescente concorrência no mercado de meios de
pagamentos e os efeitos da queda do juro sobre antecipação de
recebíveis.
A maior empresa de meios eletrônicos de pagamentos do país
informou nesta quarta-feira que teve lucro líquido ajustado de
932 milhões de reais no período, uma queda de 7 por cento ante
mesma etapa de 2017. O lucro líquido, referência para remunerar
acionistas, somou 1,06 bilhão de reais, avanço de 1,1 por cento
ano a ano, mas influenciado por efeito extraordinário.
O volume financeiro pago com cartões de débito e de crédito
por meio dos terminais da Cielo subiu 5,6 por cento, a 152,7
bilhões de reais, refletindo a lenta recuperação da economia.
No entanto, a tática da Cielo de se concentrar em grandes
clientes e de limpar a base, com a desativação de terminais com
pouco ou nenhum uso, deixou suas consequências. No fim de março,
a base instalada de terminais de pagamentos da Cielo era de
1,594 milhão de dispositivos, 13,6 por cento a menos do que um
ano antes.
Além disso, mudanças no pagamento do Imposto Sobre Serviços
(ISS) fizeram o desembolso da Cielo nessa linha crescer 19,4 por
cento, para 340,3 milhões de reais. Com isso, embora a receita
bruta tenha subido 1,3 por cento, a líquida caiu 0,6 por cento.
O desempenho operacional da companhia medido pelo Ebitda
(lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização, na
sigla em inglês) foi de 1,24 bilhão de reais nos três primeiros
meses do ano, queda de 6 por cento na comparação anual. A margem
Ebitda caiu 2,6 pontos percentuais, para 44,6 por cento.
No relatório, a Cielo atribuiu a queda à "contração da
receita de aluguel, reflexo da queda do parque de terminais, bem
como pelo efeito de mix de clientes e fraca recuperação do mix
de produtos".
Em outra frente, a receita líquida da Cielo com aquisição de
recebíveis foi de 463,3 milhões de reais, recuo de 25,2 por
cento contra um ano antes, impactado por uma Selic menor, maior
participação de grandes contas e redução das taxas cobradas.
Ainda assim, a empresa afirmou que espera que a base de
clientes, bem como o número de terminais instalados, "retome
trajetória positiva em algum momento mais adiante".
Nos últimos meses, as ações da Cielo têm refletido a
preocupação de investidores com a crescente concorrência no
setor de meios de pagamentos no país.
Esse receio cresceu após o Banco Central anunciar em março
que a partir de 1 de outubro as tarifas pagas por credenciadoras
para emissoras de cartões de débito, a tarifa de intercâmbio
terá um teto. Esse é um dos componentes do preço que as
adquirentes cobram dos lojistas nas vendas pagas com cartões.
Em abril, o JPMorgan cortou a recomendação da ação da Cielo,
citando entre outros fatores a expectativa de entrada de cerca
de 30 novos concorrentes nesse mercado.
Para tentar conter a perda de mercado para rivais, a Cielo
tende a elevar gastos do marketing e pode conceder maiores
desconto a clientes.
A própria Cielo afirmou no relatório de resultados prever
"gastos, ou melhor, investimentos crescentes em marketing se
façam presentes em nossos planos para o futuro".

(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; + 55 11 5644-7712;
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