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Por Tatiana Bautzer
SÃO PAULO, 9 Jan (Reuters) – A recuperação da economia
brasileira e juros em queda provavelmente vão mudar a natureza
da atividade de fusões e aquisições no país em 2018, de vendas
pressionadas por escândalos a transações motivadas por apostas
de investidores na retomada do crescimento econômico, afirmam
executivos de bancos de investimento e advogados especializados
na área.
Conglomerados pressionados por escândalos de corrupção e
dívida elevada foram forçados a vender importantes ativos no ano
passado, o que ajudou a aumentar o valor das operações de fusões
e aquisições no Brasil em 2017 para 61,77 bilhões de dólares,
alta de 33 por cento sobre 2016. O valor médio das transações
aumentou, já que o número de operações caiu de 615 para 544.
Executivos de bancos de investimento esperam um volume
similar de operações no Brasil neste ano, mas com o estímulo
destes novos motivos, conforme a economia brasileira se
posiciona para crescer no maior ritmo em pelo menos cinco anos.
"Acredito que 2018 continuará a ter um grande volume de
fusões e aquisições nas áreas de infraestrutura e energia, mas a
retomada da economia deve estimular também negócios com empresas
vinculadas ao consumo e varejo", afirmou Roderick Greenlees,
chefe da área de banco de investimento do Itaú BBA, que liderou
o ranking de operações em 2017 apurado pela Thomson Reuters, em
número de transações.
Alguns dos primeiros acordos de 2018 ressaltam o novo tipo
de interesse dos compradores pelo país.
A chinesa Didi Chuxing anunciou na semana passada a compra
do controle da operadora de aplicativo de transporte urbano 99,
como parte de uma expansão pela América Latina. A Boeing
também está negociando com a Embraer , de olho nos
jatos regionais e cargueiro militar da fabricante brasileira.
No ano passado, alguns dos maiores negócios foram vendas
feitas pelo conglomerado J&F Investimentos, que acertou o
pagamento da maior multa de leniência da história por seu papel
em escândalos de corrupção como o desencadeado pela operação
Lava Jato.
A J&F vendeu a Vigor Alimentos para a mexicana Grupo Lala
em agosto e a fabricante de celulose Eldorado Brasil
para a Paper Excellence em setembro.
Apesar das operações relacionadas aos escândalos de
corrupção estarem diminuindo, alguns grandes grupos brasileiros
ainda precisam vender ativos para reduzir seu alto
endividamento, disse Leandro Miranda, diretor-gerente do
Bradesco BBI, o líder do ranking de 2017 em valores das
transações.
Os juros em queda neste ano também podem favorecer
compradores financeiros, como fundos de private equity, em
relação a investidores estratégicos. Os juros baixos também
podem facilitar o financiamento dos acordos de fusão e
aquisição, acrescentou Miranda.
Embora a volatilidade gerada pela eleição presidencial de
outubro possa pesar sobre a atividade dos mercados de capitais,
Greenlees, do Itaú BBA, não espera um impacto significativo
sobre a atividade de fusões e aquisições. Apesar disso, ele
disse que investidores vão observar os esforços do governo
federal para aprovação da reforma da previdência para ajudar a
equacionar o déficit fiscal.
"Neste sentido, a aprovação da reforma da previdência é mais
importante do que a eleição para os investidores de longo prazo
que são compradores em processos de fusão e aquisição", disse
Greenlees.
O rali da Ibovespa nesta semana para novo recorde
também levou o valor das empresas para níveis que podem
estimular mais movimentos semelhantes ao maior negócio fechado
em 2017.
Naquela transação, a Vale migrou para uma
estrutura de apenas ações ordinárias, entrando no segmento Novo
Mercado, da B3. A operação incluiu a fusão da holding
controladora Valepar na Vale. A mineradora também está tomando
passos graduais para a extinção do acordo de acionistas e sua
transformação em uma empresa de capital pulverizado. A melhora
da governança corporativa e o isolamento da companhia de
influência do governo, ajudou a ação da Vale a acumular alta de
64 por cento no ano passado.
"Acredito que mais empresas se espelhem no exemplo da
operação da Vale, que foi bem sucedida em mudar o paradigma de
governança entre as maiores empresas brasileiras. Poderemos ver
outras companhias que hoje são penalizadas pelo mercado querendo
fazer o mesmo", afirmou Alessandro Zema, responsável pelo Banco
de Investimento do Morgan Stanley no Brasil.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))

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