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Por Claudia Violante e Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 8 Mai(Reuters) – O dólar operava em alta e já bem
próximo dos 3,60 reais nesta terça-feira diante da maior tensão
no exterior com a chance de os EUA deixarem o acordo nuclear com
o Irã. As taxas dos contratos de DI seguiam o movimento de alta
do dólar, enquanto, na bolsa, uma bateria de resultados
corporativos, incluindo os números da Petrobras, deixava a
sessão sem uma direção única.
No exterior, os preços do petróleo caíam após a CNN noticiar
que o presidente norte-americano Donald Trump espera anunciar
que permitirá sanções ao Irã. A expectativa é de que Trump
anuncie sua decisão nesta tarde. Em Wall Street, os principais
índice de ações recuavam também pressionados por ações de
tecnologia e bens de consumo discricionários.

Veja como estavam os principais mercados financeiros pouco
depois das 12h40 desta terça-feira:

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CÂMBIO
O dólar operava em alta e já se aproximava dos 3,60 reais
nesta terça-feira diante da maior tensão nos mercados externos
com a possibilidade de os Estados Unidos deixarem o acordo
nuclear com o Irã, aumentando os riscos geopolíticos e que podem
influenciar o fluxo de capital no mundo.
O dólar tocou 3,5945 reais na máxima da sessão.
"Há uma grande probabilidade de Washington deixar o acordo,
assumindo riscos geopolíticos de forte impacto nos mercados, que
podem ampliar a pressão já existente no petróleo, com reflexo na
inflação e nos juros norte-americanos", escreveu a corretora
Correparti em relatório.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciará
nesta terça-feira se vai retirar seu país do acordo nuclear
firmado com o Irã ou se o manterá filiado e trabalhará com
aliados europeus que vêm se empenhando em convencê-lo de que o
pacto conseguiu frear as ambições nucleares de Teerã.

O dólar subia para a máxima de 2018 contra uma cesta de
moedas e também avançava sobre moedas de países
emergentes, como o peso mexicano e a lira turca .
Por outro lado, o iene subia ante a moeda
norte-americana, com a cautela dos investidores sobre o anúncio
de Trump sobre o Irã.
A retirada dos EUA elevaria as sanções econômicas ao Irã,
reduzindo a produção do país, o que poderia afetar a produção e
exportação de petróleo do país.
Preços mais caros de petróleo impactam a inflação e podem
levar o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, a ser
mais austero e elevar mais do que o esperado os juros, o que
poderia atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados
em mercados considerados de maior risco, como o brasileiro.
O BC vendeu pelo quarto dia a oferta integral de até 8.900
mil contratos em swaps cambiais tradicionais, equivalentes à
venda futura de dólares, rolando 1,780 bilhão de dólares do
total de 5,650 bilhões de dólares que vence em junho.

Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês,
o BC terá rolado integralmente os contratos que vencem no mês
que vem e terá colocado o equivalente a 2,8 bilhões de dólares
adicionais.
. Dólar/Real : +0,99%, a 3,5887 reais na venda;
. Euro/Dólar : -0,5%, a 1,186 dólar;
. Dólar/Cesta de moedas : +0,42%

BOVESPA
A bolsa brasileira não mostrava uma direção firme nesta
terça-feira, em meio a uma bateria de resultados corporativos,
incluindo os números da Petrobras, e um viés mais cauteloso nos
mercados globais.
O índice já oscilou nesta sessão da máxima de 83.280 pontos
à mínima de 82.201 pontos.
A equipe da Guide Investimentos disse enxergar um quadro
externo um pouco mais desfavorável para emergentes, destacando o
dólar mais forte e cautela ante decisão de Donald Trump
sobre sanções ao Irã.
O presidente dos Estados Unidos disse na véspera que
anunciará sua decisão sobre se vai retirar o país do acordo
nuclear com o Irã às 14h desta terça-feira (15h no horário de
Brasília).

– PETROBRAS PN e PETROBRAS caíam 0,2 e
1,4 por cento, respectivamente, revertendo ganhos de mais cedo
em reação ao balanço trimestral e anúncio de que o conselho de
administração aprovou Juros sobre o Capital Próprio (JCP) no
valor de 652,2 milhões de reais. Para o Itaú BBA, o resultado
foi sólido. A piora das ações acompanhou a ampliação das perdas
dos preços do petróleo no exterior.

– MAGAZINE LUIZA disparava quase 10 por cento,
após a varejista lucro líquido trimestral de 147,5 milhões de
reais no período de janeiro a março, salto anual de 152 por
cento. A empresa "reportou mais um trimestre de resultados
fortes", escreveram analistas da Brasil Plural, destacando o
crescimento da receita.

– CIELO avançava 1,5 por cento, tendo relatório
de analistas do JPMorgan elevando a recomendação das ações para
'neutra', apesar de corte nas estimativas de lucro e no
preço-alvo, de 20 para 19 reais.

– BRADESPAR PN caía mais de 5 por cento,
pressionada ainda por preocupações com processo envolvendo ações
da Vale . O jornal Valor Econômico noticiou nesta
terça-feira que quatro fundos de pensão ligados a estatais
avaliam acionar na Justiça a Bradespar por causa de disputa
envolvendo a Elétron, do grupo Opportunity. A 5ª Vara
Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio homologou, segundo o
jornal, laudo pericial que fixa em 4 bilhões de reais uma
indenização à Elétron, porque supostamente a Elétron não teria
conseguido exercer opção de compra de ações da extinta Valepar.

– SMILES caía quase 4 por cento, tendo no radar
lucro líquido de 155 milhões de reais de janeiro a março, queda
de 0,8 por cento ante mesmo período de 2017. Analistas do BTG
Pactual destacaram que o resultado trimestral da administradora
de programas de fidelidade de clientes ficou em linha com o
esperado, mas com algumas ressalvas.

– MRV tinha acréscimo de 0,69 por cento,
ensaiando melhora após recuar mais cedo, em meio à repercussão
do resultado do primeiro trimestre da construtora especializada
em imóveis econômicos, de modo geral em linha com as
expectativas dos analistas, com lucro de 160 milhões de reais,
alta de 22,3 por cento ante um ano antes.
. Ibovespa : -0,24%, a 82.513 pontos;
. Volume financeiro: R$ 5,35 bi.
. Índice dos principais ADRs brasileiros : -1,34%, a
22.697 pontos.
. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em

. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em

BOLSAS DOS EUA
Os mercados acionários dos Estados Unidos recuavam nesta
terça-feira, pressionados por ações de tecnologia e bens de
consumo discricionários, enquanto investidores aguardavam a
decisão do presidente Donald Trump sobre o acordo nuclear com o
Irã.
Trump anunciará às 15h (horário de Brasília) se Washington
vai se retirar de um acordo que aliviou as sanções econômicas ao
Irã em troca de Teerã limitar seu programa nuclear.
A saída dos EUA endurecerá as sanções econômicas ao Irã,
restringindo a produção de petróleo do país, o que poderia
impulsionar a alta de 13 por cento deste ano na commodity. Os
preços do petróleo recuavam mais de 1 por cento.
O índice de energia do S&P caía nesta terça-feira,
mas continuava entre os melhores desempenhos do trimestre,
graças ao aumento dos preços do petróleo.
"(A questão do Irã) tem sido tão bem coberta, provavelmente
está tudo precificado agora. E o comentário mais recente parece
ser que, depois de todo o tumulto, Trump pode apenas se retirar
parcialmente do acordo", disse Frances Hudson, estrategista da
Aberdeen Standard Investments.
Entre as ações, a Comcast recuava depois que a
Reuters informou que a operadora de TV a cabo está se preparando
para fazer uma oferta em dinheiro para ativos de mídia que a
Twenty-First Century Fox concordou em vender para
Disney por 52 bilhões de dólares.
A Disney, que vai divulgar seus resultados depois que os
mercados fecharem, perdia. As ações da Fox subiam.
O índice de consumo discricionário do S&P tinha
queda.
. Dow Jones : -0,12%, a 24.328 pontos;
. Standard & Poor's 500 : -0,16%, a 2.668 pontos;
. Nasdaq : -0,17%, a 7.253 pontos;

BOLSAS DA EUROPA
O índice FTSEurofirst 300 fechou em alta de 0,03
por cento, a 1.528 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,02 por
cento, a 7.565 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,28 por cento, a
12.912 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,17 por cento, a
5.521 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de
1,64 por cento, a 24.142 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,11
por cento, a 1.152 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,21 por
cento, a 5.539 pontos.

JUROS
A forte alta do dólar, que já ia ao patamar de 3,58 reais
nesta terça-feira, içava também as taxas dos contratos futuros
de juros com os investidores adotando posição de cautela e
levando a apostas praticamente iguais de corte e manutenção da
Selic na próxima semana.
"O mercado está na defensiva porque Ilan vai dar entrevista
hoje. Ele vai entrar no período de silêncio antes do Copom e o
investidor teme que ele possa sinalizar que o ciclo de
afrouxamento acabou", disse um gestor de derivativos de uma
corretora local, referindo-se à entrevista prevista para esta
noite do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, à
GloboNews.
Em março, última reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) e quando cortou a Selic para 6,50 por cento, o BC
indicou que faria mais uma redução em maio antes de encerrar o
ciclo de afrouxamento monetário, em meio ao cenário de inflação
e atividade baixa.
Naquele momento, no entanto, ponderou que a reversão do
cenário externo favorável para economias emergentes era um risco
para provocar eventual pressão inflacionária.
Neste pregão, o dólar subia cerca de 1 por cento, depois de
acumular valorização de 10 por cento só entre fevereiro e abril,
movimento que pode afetar a inflação. A tensão no cenário
internacional puxava o mercado agora, com a possibilidade de os
Estados Unidos deixarem o acordo nuclear com o Irã, aumentando
os riscos geopolíticos e de maiores preços do petróleo.
Preços mais caros da commodity impactam a inflação e podem
levar o Federal Reserve, banco central norte-americano, a ser
mais austero e elevar mais do que o esperado os juros, o que
poderia atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados
em mercados considerados de maior risco, como o brasileiro.
Diante disso, os DIs reduziram a precificação para corte de
0,25 ponto percentual na Selic na semana que vem a 52 por cento,
ante cerca de 60 por cento mais cedo, com o restante indicando
manutenção da taxa, informaram operadores.
Para a reunião de junho, os DIs precificavam 24 por cento de
apostas de outro corte de 0,25 ponto da Selic, ante 13 por cento
mais cedo, com o restante indicando manutenção.
Mais cedo, o Bank of America Merrill Lynch mudou sua
estimativa para manutenção da Selic na próxima semana em 6,50
por cento, sobre corte de 0,25 ponto percentual previsto até
então, com aumento das incertezas globais e domésticas, a poucos
meses das eleições presidenciais de outubro.
Dado mais salgado de inflação também ajudava a pressionar o
trecho mais curto da curva a termo neste pregão. O IGP-DI subiu
0,93 por cento em abril depois de subir 0,56 por cento em março,
com pressão maior dos preços tanto no atacado quando ao
consumidor. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de
0,62 por cento.
As taxas dos DIs também subiram pelo forte movimento de
zeragem de posição vendida. "Vimos 'stop' sobretudo no (DI com
vencimento em) janeiro de 2020 2DIJF20", comentou o chefe da
mesa de renda fixa de uma corretora local.

mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (%) (p.p.)
JUL8 6,272 6,245 0,027
JAN9 6,36 6,3 0,06
JAN0 7,31 7,13 0,18
JAN21 8,32 8,16 0,16
JAN23 9,47 9,33 0,14

DÍVIDA
Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos avançavam
nesta terça-feira, à medida que a incerteza sobre o destino do
acordo nuclear norte-americano com o Irã e as eleições italianas
provocaram vendas moderadas.
Os rendimentos acompanhavam a alta do dólar contra uma cesta
de moedas , para nova máxima em 2018 nesta sessão,
conforme o pessimismo em relação à permanência dos EUA no acordo
nuclear com o Irã estimulou a demanda por refúgio pelo dólar.
"O que o mercado está precificando neste momento, embora não
esteja precificando totalmente, é a saída do acordo (do Irã),
mas sem um plano B em vigor", disse o estrategista de taxa de
juros do Société Générale, Bruno Braizinha.
O presidente norte-americano, Donald Trump, deve anunciar
nesta terça-feira que deixará acordo, disseram autoridades
europeias, depois que tentaram persuadi-lo de que o acordo
suspendeu as ambições nucleares do Irã.
O aumento nos rendimentos dos títulos italianos também
pressionava, atingindo também os pares do sul da Europa, já que
a possibilidade de uma eleição antecipada na Itália aumentou com
os principais partidos de oposição do país ganhando força nas
pesquisas.
. Treasuries de 10 anos : rendimento em alta a
2,976%, ante 2,95% no dia anterior;
. Global 27 : rendimento em alta a 4,9366%, ante
4,884% no dia anterior.

PETRÓLEO
Os preços do petróleo recuavam de máximas de três anos e
meio nesta terça-feira, com investidores esperando por uma
decisão do presidente norte-americano Donald Trump mais tarde
sobre sanções contra o Irã.
As cotações ampliaram a queda após a CNN noticiar que Trump
espera anunciar que permitirá sanções ao Irã. O New York Times
também informou que Trump comunicou ao presidente francês que os
EUA sairão do acordo.
. Nymex – JUN/17 : -2,76%, a 68,78 dólares por barril;
. ICE Futures Europe – Brent JUL/18 : -2,19%, a 74,5
dólares por barril.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de
notícias da Reuters pelo código PAN/SA )

(Edição de Claudia Violante)
(([email protected]; +55 11 5644 7764; Reuters
Messaging: [email protected]))


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