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Tesouro Direto Taxa Zero 970×250

Por Claudia Violante e Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 5 Jun (Reuters) – Após saltar 1,70 por cento e
bater no patamar de 3,80 reais, por conta do cenário externo e
político local, a alta do dólar perdia força nesta terça-feira
com a atuação mais forte do Banco Central. O movimento no câmbio
também influenciava a alta das taxas dos DIs, mesmo com a ação
do Tesouro Nacional.
Na bolsa, o Ibovespa recuava 1 por cento, com declínio das
ações de bancos privados entre as maiores pressões negativas.
Nos Estados Unidos, fortes ganhos em gigantes de tecnologia
levavam a Nasdaq para uma máxima recorde, enquanto as quedas no
setor financeiro e de energia pesavam sobre o S&P e Dow Jones.
Veja como estavam os principais mercados financeiros pouco
depois das 12:35 desta terça-feira:

CÂMBIO
Após saltar 1,70 por cento e bater no patamar de 3,80 reais,
por conta do cenário externo e político local, a alta do dólar
perdia força nesta terça-feira com a atuação mais forte do Banco
Central.
O dólar alcançou 3,8076 reais na máxima do dia, maior nível
intradia desde março de 2016.
A moeda norte-americana já vinha operando em alta desde a
abertura do negócios, influenciada pelo cenário político local,
a poucos meses das eleições presidenciais, e pelo movimento no
exterior, que ganhou força após dados mais robustos sobre a
economia norte-americana.
No exterior, o dólar subia ante uma cesta de moedas e
também divisas de países emergentes, como o rand sul-africano
e o peso mexicano .
Pela manhã, foi divulgado que o índice de atividade de
serviços nos Estados Unidos ficou em 58,6 em maio, ante previsão
de 57,5 em pesquisa Reuters. Já o índice PMI final de serviços
do país subiu a 56,8 no mesmo mês, ante 54,6 em abril e
preliminar de 55,7.
Dados fortes de emprego dos Estados Unidos divulgados
recentemente já haviam reavivado apostas de que o Federal
Reserve, banco central do país, pode aumentar a taxa de juros
mais três vezes este ano. As expectativas do mercado, por
enquanto, são de mais dois aumentos até dezembro.
Juros elevados têm potencial para atrair à maior economia do
mundo recursos aplicados hoje em outros mercados, como o
brasileiro.
Com isso, o dólar disparou no mercado brasileiro também,
desencadeando um movimento conhecido como "stop loss", quando os
investidores desfazem suas posições rapidamente diante de sinais
que consideram mais negativos. Segundo o diretor de operações da
Mirae Asset, Pablo Spyer, não houve saída de recursos do
mercado, apenas esse movimento técnico.
Assim, o BC brasileiro decidiu entrar mais pesado e anunciou
novo leilão de até 30 mil novos swaps cambiais tradicionais,
equivalentes à venda futura de dólares, ainda nesta sessão.
Vendeu 16.210 contratos e, em seguida, anunciou outro leilão
para tentar vender o restante de 13.790 swaps.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Com isso, o dólar era negociado perto da mínima do dia,
rondando o patamar de 3,75 reais.
A autoridade monetária já havia feito leilão de novos swaps
neste pregão e vendeu a oferta integral de até 15 mil contratos,
totalizando 3,061 bilhões de dólares neste mês.
E também vendeu integralmente a oferta de até 8.800 swaps
para rolagem, já somando 1,320 bilhão de dólares do total de
8,762 bilhões de dólares que vence em julho. Se mantiver esse
volume até o final do mês, rolará integralmente o volume.
Do lado doméstico, a cena política também influenciava, após
a divulgação da pesquisa de intenção de votos do DataPoder360
que mostrou o candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) na
segunda posição, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), com Geraldo
Alckmin (PSDB), visto pelo mercado como candidato com perfil
reformista, sem decolar.
Além disso, a pesquisa mostrou o ex-prefeito de São Paulo
João Doria, também do PSDB, como um dos possíveis candidatos,
mas também sem força.
"A questão é que o candidato de esquerda tem se mostrado
mais competitivo do que um candidato pró-mercado", afirmou o
gestor de derivativos de uma corretora local.
Os investidores ainda continuavam cautelosos com os
desdobramentos da greve dos caminhoneiros, que afetou o
abastecimento do país nas últimas semanas. O governo acabou
cedendo na maioria das reivindicações da categoria para baixar
os preços do diesel, gerando uma conta bilionária que impactará
os cofres públicos, prejudicando o ajuste fiscal.
Agora, o governo trabalha para mudar a periodicidade dos
reajustes de preços de gasolina sem mudar a política de preços
da Petrobras.
. Dólar/Real : +0,48%, a 3,7619 reais na venda;
. Euro/Dólar : -0,19%, a 1,1676 dólar;
. Dólar/Cesta de moedas : +0,11%

BOVESPA
O principal índice de ações da B3 abandonava a tentativa de
melhora e tocava mínimas da sessão nesta terça-feira, caindo
cerca de 1 por cento, em meio a piora generalizada no pregão,
com as ações de bancos privados entre as maiores pressões
negativas.
Mais cedo, ajudado pelas ações de siderúrgicas e
mineradoras, o índice subiu 0,4 por cento, máxima até o momento.
De acordo com profissionais da área de renda variável, a
bolsa segue fragilizada pela saída de estrangeiros, com maio
registrando saldo negativo de 8,4 bilhões de reais e junho
começando com saída líquida de quase 1 bilhão de reais.
Além disso, permanece o receio com o desfecho das eleições
em outubro, com nova pesquisa mostrando os pré-candidatos
considerados reformistas pelo mercado mostrando desempenho
fraco, enquanto nomes de oposição, vistos como 'mais arriscados'
ganhando espaço na preferência dos eleitores.
A disparada do dólar ante o real também pesava no pregão de
acordo com um dos gestores ouvidos pela Reuters. Na máxima, a
moeda norte-americana subiu 1,7 por cento, a 3,8076 reais, mas
reduziu o avanço com a atuação do Banco Central.
"Há também o impasse em resolver a questão relacionada aos
preços dos combustíveis, o que acaba pesando em Petrobras, papel
com peso relevante no Ibovespa", disse o gestor Marco Tulli
Siqueira, da mesa de operações de Bovespa da Coinvalores.
No final da manhã, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia,
afirmou que não há espaço para subsídio para a gasolina.

No exterior, o índice MSCI de ações de mercados
emergentes caía 0,14 por cento, enquanto o dólar tinha leve alta
ante uma cesta de moedas .
Em Wall Street, os principais índices acionários tinham
leves variações, sem direção única.

– BRADESCO PN caía 2,78 por cento e ITAÚ UNIBANCO
PN recuava 1,76 por cento, em meio à piora no pregão,
pesando no Ibovespa dada a elevada participação que ambos detêm
no índice. BANCO DO BRASIL perdia 2,44 por cento.

– PETROBRAS PN e PETROBRAS ON caíam
0,91 e 0,9 por cento, em sessão sem viés definido, enquanto
seguem as incertezas em relação à autonomia da petroleira de
controle estatal. Investidores seguem monitorando notícias sobre
a política de preços da companhia.

– ELETROBRAS PNB e ELETROBRAS ON
recuavam 6,4 e 5,35 por cento, após decisão do Tribunal Regional
do Trabalho 1ª Região suspendendo o processo de privatização de
distribuidoras de eletricidade da companhia que atuam no Norte e
Nordeste.

– MAGAZINE LUIZA caía 2,7 por cento, em sessão
negativa para o setor de consumo como um todo , tendo
ainda no radar relatório do Credit Suisse cortando a
recomendação das ações para 'neutra', embora os analistas sigam
positivos sobre o desempenho da varejista.

– GERDAU PN valorizava-se 2,3 por cento, em
sessão de alta das siderúrgicas, tendo como pano de fundo
relatório do Morgan Stanley elevando a classificação das ações
para 'overweight', com preço-alvo de 19 reais ante 18,3 reais
anteriormente. O papel fechou a segunda-feira a 15,87 reais. CSN
avançava 2,6 por cento e USIMINAS tinha
alta de 0,85 por cento.

– VALE subia 1,33 por cento, em meio à alta do
preço do minério de ferro à vista na China .

. Ibovespa : -1,07%, a 77.758 pontos;
. Volume financeiro: R$4,6 bi.
. Índice dos principais ADRs brasileiros : -1,27%, a
20.543 pontos.
. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em

. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em

BOLSAS DOS EUA
Fortes ganhos em gigantes de tecnologia levavam a Nasdaq
para a máxima recorde nesta terça-feira, enquanto as quedas no
setor financeiro e de energia pesavam sobre o S&P e Dow Jones.

O grupo de grandes empresas de tecnologia conhecido como
FAANG – Facebook , Apple , Amazon ,
Netflix e Google, da Alphabet – avançava,
sustentando ganhos do índice de tecnologia do S&P .
No entanto, os investidores ainda estavam cautelosos sobre
as discussões comerciais e os futuros sobre índices de ações
interromperam seus ganhos depois que o assessor econômico da
Casa Branca, Larry Kudlow, disse que o presidente Donald Trump
pode buscar negociações separadas com o Canadá e o México em uma
tentativa de obter acordos comerciais individuais com os dois
países.
"O mercado está um pouco no limite quando se trata de
negociações comerciais", disse Robert Pavlik, estrategista-chefe
de investimentos e gerente sênior de portfólio da SlateStone
Wealth LLC.
No entanto, a força na economia dos EUA, como mostrado pelo
último relatório de empregos, ajudou os investidores a voltarem
seus focos para fundamentos econômicos.
As ações financeiras recuavam, no pior desempenho
setorial, com Bank of America , JPMorgan e
Goldman Sachs em queda.
Outro obstáculo eram as empresas de energia, que caíam
depois que os preços do petróleo atingiram o menor nível em
quase um mês, diante de informações de que os EUA pediram à
Arábia Saudita e outros grandes exportadores para aumentar a
produção de petróleo.
O índice de energia do S&P operava na estabilidade.
O Twitter valorizava-se na inclusão da rede social
no S&P 500, enquanto o Netflix , que deve se juntar ao
S&P 100 subia .
. Dow Jones : -0,35%, a 24.726 pontos;
. Standard & Poor's 500 : -0,19%, a 2.741 pontos;
. Nasdaq : +0,01%, a 7.607 pontos;

BOLSAS DA EUROPA
O índice FTSEurofirst 300 fechou em queda de 0,25
por cento, a 1.513 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,70 por
cento, a 7.686 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 0,13 por cento, a
12.787 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,22 por cento, a
5.460 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de
1,18 por cento, a 21.750 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,66
por cento, a 9.686 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 0,01 por
cento, a 5.584 pontos.

JUROS
Os contratos futuros de juros subiam nesta terça-feira,
influenciados pelo avanço do dólar ante o real e após mais uma
pesquisa de intenção de voto mostrar que candidatos à
Presidência vistos pelo mercado como favoráveis a reformas não
decolaram ainda.
"Não tem um reformista liderando e há um esquerdista
avançando", afirmou o profissional da mesa de renda fixa de um
banco nacional.
Levantamento do DataPoder360 mostrou que o candidato à
Presidência Ciro Gomes (PDT) estava na segunda posição, atrás de
Jair Bolsonaro (PSL), com Geraldo Alckmin (PSDB), visto pelo
mercado como candidato com perfil reformista, sem decolar.

Além disso, a pesquisa mostrou o ex-prefeito de São Paulo
João Doria, também do PSDB, como um dos possíveis candidatos,
mas também sem força.
Os mercados financeiros temem que assuma um governo com
menos preocupação em dar continuidade ao ajuste fiscal, em meio
aos sucessivos déficits primários que o país tem registrado nos
últimos anos.
E esse cenário pode ficar ainda mais sensível para os
investidores no curto prazo. Depois de cortar o preço do diesel
por meio de subsídios para atender um dos pleitos dos
caminhoneiros, que paralisaram o país por mais de dez dias em
maio, o governo criou um grupo para estudar a redução de preços
outros combustíveis, sem interferir na política de preços da
Petrobras.
Uma primeira conta feita pelo Planalto aponta para 30
bilhões de reais até o final do ano o custo de adotar para
gasolina a mesma política feita para o diesel.
O avanço dos DIs também era impactado pela alta do dólar
ante o real nesta terça-feira, que chegou a ir ao nível de 3,80
reais e levar o Banco Central a atuar com mais força no mercado.

O Tesouro Nacional realizou nesta sessão seu último leilão
de recompra de Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), com
oferta de até 1,5 milhão de papéis. Diferentemente dos dois
anteriores, quando não adquiriu nada, agora comprou 401 mil
títulos do total.
O papel com vencimento em 2027 < NTF010127=ANDS> foi o que
teve a maior recompra, de 300 mil, e saiu com taxa de 11,47 por
cento, abaixo do consenso de 11,48 a 11,50 por cento. O DI com
esse vencimento subia 0,33 ponto percentual.
A curva a termo de juros precificava, segundo dados da
Reuters, chances praticamente divididas de manutenção da Selic
em 6,50 por cento e aumento de 0,25 ponto percentual neste mês,
quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne
novamente.

mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (%) (p.p.)
JUL8 6,429 6,43 -0,001
JAN9 6,77 6,712 0,058
JAN0 7,73 7,623 0,107
JAN21 8,85 8,764 0,086
JAN23 10,76 10,574 0,186

DÍVIDA
Os rendimentos dos Treasuries reduziram as quedas nesta
terça-feira após dados inesperadamente fortes sobre a atividade
de serviços dos EUA em maio terem sustentando a visão de
crescimento econômico sólido nos Estados Unidos no segundo
trimestre.
A queda do rendimento dos títulos norte-americanos era
favorecida pela promessa do novo primeiro-ministro da Itália de
que adotará políticas econômicas que poderão aumentar a já forte
carga da dívida do país fazendo que os operadores optassem por
títulos públicos de menor risco.
Operadores diminuam suas posições em bônus italianos em
favor dos Treasuries e Bunds alemães depois que a promessa do
premiê da Itália, Giuseppe Conte, de reduzir impostos e realizar
mais gastos com bem estar social ofuscaram dados encorajadores
da Itália e Espanha.
. Treasuries de 10 anos : rendimento em queda a
2,9077%, ante 2,937% no dia anterior;
. Global 27 : rendimento em queda a 5,3613%,
ante 5,399% no dia anterior.

PETRÓLEO
Os preços do petróleo tocaram mínimas em um mês nesta
terça-feira, após um relatório de que o governo dos EUA pediu à
Arábia Saudita e outros grandes exportadores para aumentar a
produção de petróleo.
. Nymex – JUL/17 : +0,22%, a 64,89 dólares por barril;
. ICE Futures Europe – Brent AGO/18 : -1,2%, a 74,39
dólares por barril.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de
notícias da Reuters pelo código PAN/SA )

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; +55 11 5644 7764; Reuters
Messaging: [email protected]))


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