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Tesouro Direto Taxa Zero 728×90

Por Claudia Violante e Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 8 Jun (Reuters) – O dólar despencava mais de 4
por cento nesta sexta-feira, já ao redor do patamar de 3,75
reais, após o presidente do Banco Central anunciar reforço na
atuação no mercado nos próximos dias e lembrar os agentes que a
autoridade tem outros instrumentos para ampliar a liquidez. Os
DIs, contudo, abandonaram a queda do início dos negócios e
engataram forte elevação, enquanto o Ibovespa recuava pelo
quarto pregão consecutivo.
Os mercados acionários dos Estados Unidos mostravam pouca
variação, pressionados pelas ações da Apple e seus fornecedores
após informações de que a fabricante de iPhones planeja produzir
menos aparelhos este ano.

Veja como estavam os principais mercados financeiros pouco
depois das 12h40 desta sexta-feira:

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CÂMBIO
O dólar despencava mais de 4 por cento nesta sexta-feira, já
ao redor do patamar de 3,75 reais, após o presidente do Banco
Central, Ilan Goldfajn, anunciar reforço na atuação no mercado
nos próximos dias e lembrar os agentes que a autoridade tem
outros instrumentos para ampliar a liquidez.
Nos três últimos pregões, o dólar havia saltado 4,87 por
cento, encerrando a véspera em 3,9258 reais, maior nível desde
1º de março de 2016.
"O BC demorou a vir a público, deixando o mercado num ponto
de tensão tão violenta que chegou muito perto de 4 reais… Mas
foi só aparecer, dizer que estava a atento, já deu uma
tranquilizada", comentou o diretor da mesa de câmbio da
corretora MultiMoney, Durval Correa.
Na noite passada, Ilan informou que serão ofertados 20
bilhões de dólares adicionais em swaps cambiais tradicionais
–equivalentes à venda futura de dólares– até o fim da próxima
semana. E acrescentou que, se necessário, o BC poderá fazer
leilões de linha, venda de dólares com compromisso de recompra,
ou até mesmo vender dólares das reservas no mercado à vista.
Ele ainda afastou a possibilidade de reunião extraordinária
do Comitê de Política Monetária (Copom) para mudar a taxa de
juros, e reforçou as mensagens nesta sexta-feira.

O mercado ficou mais nervoso nos últimos dias em meio a
preocupações com a situação fiscal do país, após a greve dos
caminhoneiros gerar impacto bilionário sobre as contas públicas.
A cena política também pesava, a poucos meses da eleição
presidencial e sem que um candidato que o mercado considera mais
reformista decolando nas pesquisas de intenção de voto. E essas
preocupações ainda continuavam entre os investidores.
"As condições que levaram o dólar a esticar não mudaram… O
BC conseguir tranquilizar, (mas) não significa que a moeda vai
voltar a 3,50 reais. É possível ele voltar a trabalhar entre
3,75 e 3,80 reais", afirmou Correa.
Nesta sessão, o BC já vendeu integralmente o lote de até 15
mil novos swaps, e também a oferta integral de até 60 mil
contratos, dentro da nova estratégia de vender mais 20 bilhões
de dólares em swaps até a próxima sexta-feira. Dessa forma, já
injetou 10,306 bilhões de dólares neste mês no mercado.

Desde que começou a ofertar novos contratos de swap, no dia
14 de maio passado, o BC havia injetado no sistema até a véspera
o equivalente a pouco mais de 14 bilhões de dólares.
E ainda vendeu os 8.800 swaps para rolagem do vencimento de
julho, já somando 2,640 bilhões de dólares do total de 8,762
bilhões de dólares que vence em julho. Se mantiver esse volume
até o final do mês, rolará integralmente o total.
O cenário externo também continuava como uma luz amarela
para os mercados, em meio a temores de altas de juros além do
esperado nos Estados Unidos ainda este ano.
Na próxima semana, o Federal Reserve, banco central do país,
volta a se reunir e as apostas majoritárias são de que ele
promoverá a segunda alta de juros neste ano. A dúvida é se
indicará que vai acelerar o passo até o final do ano ou fará
apenas mais uma elevação até o fim do ano.
Juros elevados têm potencial de atrair à maior economia do
mundo recursos aplicados hoje em outras praças financeiras
consideradas de maior risco, como a brasileira.
Nesta sessão, o dólar operava em alta ante uma cesta de
moedas e também divisas de países emergentes, como o rand
sul-africano e o peso mexicano .
"A expectativa com o Fed e também com nova pesquisa de
intenção de voto no final de semana seguram um pouco a correção
do dólar", afirmou o operador da mesa de câmbio de uma corretora
local, ao citar a pesquisa Datafolha para as eleições
presidenciais que deve ser divulgada no final de semana.
. Dólar/Real : -4,29%, a 3,7581 reais na venda;
. Euro/Dólar : -0,29%, a 1,1763 dólar;
. Dólar/Cesta de moedas : +0,22%

BOVESPA
O principal índice de ações da B3 dava continuidade à
trajetória negativa pelo quarto pregão seguido nesta
sexta-feira, com o cenário externo adverso e preocupações com a
cena política-eleitoral e o ritmo da economia minando o
sentimento dos investidores.
Nesse patamar, o Ibovespa caminhava para terminar a semana
com perda de cerca de 6 por cento.
No exterior, o tom hostil do presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, com aliados pressionava as bolsas no exterior,
além de dado mais fraco sobre a economia da Alemanha. Em Wall
Street o índice S&P 500 em baixa de 0,12 por cento.
O índice MSCI para ações de mercados emergentes
cedia 1,26 por cento, a 1,135 pontos.
O Credit Suisse cortou o preço-alvo do MSCI de mercados
emergentes para o fim de dezembro a 1.250 pontos versus 1.300
pontos anteriormente, enquanto reiterou classificação
'underweight' para Brasil no grupo, citando entre os fatores um
calendário político intenso e desestabilizador.
Do noticiário político-eleitoral, pesquisa encomendada pela
XP Investimentos mostrou o deputado Jair Bolsonaro,
pré-candidato do PSL à Presidência, liderando a disputa
eleitoral nos cenários sem a presença do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) com até 23 por cento de apoio,
enquanto o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) salta
de 3 para 11 por cento quando associado diretamente a Lula.

"…um cenário ainda indefinido e sem conclusões positivas a
luz dos mercados financeiros locais", disse o gestor de uma
administradora de recursos no Rio de Janeiro.

– PETROBRAS PN cedia 1,8 por cento e PETROBRAS
ON caía 3 por cento, em sessão de queda nos preços do
petróleo no exterior, com as ações ainda afetadas
pelas incertezas sobre a autonomia da petrolífera de controle
estatal. O conselho da companhia aprovou a adesão à segunda fase
do programa de subvenção do diesel. Na véspera, o UBS cortou a
recomendação dos papéis para 'neutra'.

– ELETROBRAS PNB e ELETROBRAS ON
recuavam 6,2 e 5,3 por cento, respectivamente, ainda afetadas
pelo ceticismo dos investidores quanto à capitalização da
estatal elétrica, mas também pela percepção de dificuldades na
privatização de suas distribuidoras no Norte e Nordeste.

– BRF caía 5,25 por cento, tendo no radar decisão
da China de impor direito antidumping provisório sobre as
importações de carne de frango do Brasil. Analistas Credit
Suisse destacaram em nota a clientes que, embora a China não
seja o principal mercado da BRF, a companhia poderia ser afetada
negativamente, uma vez que o volume inicialmente exportado para
a China poderia ser parcialmente direcionado para outros
mercados, pressionando as margens para baixo.

– JBS subia 6,9 por cento. Em nota a clientes,
analistas do Itaú BBA disseram que o impacto para JBS é mais
limitado do que para BRF e pode até ser positivo no médio prazo.
Eles citam que a Seara, unidade de frangos e suínos da JBS,
representa menos de 15 por cento do Ebitda consolidado da
empresa, enquanto a Pilgrim's, subsidiária avícola
norte-americana da JBS, pode se beneficiar se a China retomar as
importações de frango dos EUA. No setor de proteínas, MARFRIG
subia 6,5 por cento.

– CSN perdia 3,5 por cento, em dia de queda das
ações de siderúrgicas, em meio à queda dos futuros do vergalhão
de aço na Bolsa de Xangai e conforme o dólar recuava forte ante
o real após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn,
prometer reforço na atuação no mercado de câmbio nos próximos
dias e lembrar os agentes que a autoridade tem outros
instrumentos para ampliar a liquidez.

– VALE cedia 4,2 por cento, no segundo pregão de
queda, apesar da alta do preço do minério de ferro
, acompanhando a queda de outras exportadoras em
meio à trégua no fortalecimento da moeda norte-americana ante o
real. SUZANO PAPEL E CELULOSE perdia 5,95 por cento.

– ITAÚ UNIBANCO recuava 1 por cento e BRADESCO PN
cedia 0,95 por cento.
. Ibovespa : -1,5%, a 72.742 pontos;
. Volume financeiro: R$ 6,2 bi.
. Índice dos principais ADRs brasileiros : +2,19%, a
19.409 pontos.
. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em

. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em

BOLSAS DOS EUA
Os mercados acionários dos Estados Unidos mostravam pouca
variação nesta sexta-feira, pressionados pelas ações da Apple e
seus fornecedores após informações de que a fabricante de
iPhones planeja produzir menos aparelhos este ano.
A Apple perdia depois que um jornal disse que a
empresa pediu à sua cadeia de suprimentos para fabricar cerca de
20 por cento menos componentes para iPhones no segundo semestre
de 2018.
Os investidores também estavam cautelosos antes de uma
conturbada cúpula do G7, com o presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, atacando o Canadá e a União Europeia nesta
sexta-feira e elevando as tensões de uma guerra comercial.
"Hoje vemos um pouco de pressão porque há muita incerteza e
mais vendas em tecnologia", disse Adam Sarhan, diretor executivo
da 50 Park Investments.
O índice de tecnologia do S&P 500 , que na
quinta-feira interrompeu seis dias de altas, perdia 0,30 por
cento e caminhava para o segundo dia seguido de queda.
Os investidores também estão atentos à reunião do banco
central dos EUA sobre a taxa de juros e uma cúpula entre Trump e
o líder norte-coreano, Kim Jong Un, ambas marcadas para a semana
que vem.
Embora a expectativa seja de que o Federal Reserve aumente
os juros pela segunda vez este ano, o foco é se o Fed indicará
que haverá um total de quatro altas em 2018.
. Dow Jones : -0,07%, a 25.223 pontos;
. Standard & Poor's 500 : -0,12%, a 2.767 pontos;
. Nasdaq : -0,22%, a 7.618 pontos;

BOLSAS DA EUROPA
O índice FTSEurofirst 300 fechou em queda de 0,25
por cento, a 1.505 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,30 por
cento, a 7.681 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,35 por cento, a
12.766 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,03 por cento, a
5.450 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de
1,89 por cento, a 21.355 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,73
por cento, a 9.756 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,16 por
cento, a 5.615 pontos.

JUROS
As taxas dos contratos futuros de juros de abandonaram a
queda do início dos negócios, influenciada pelo tombo do dólar
ante o real, e engataram forte elevação nesta sexta-feira, com
os investidores ampliando os prêmios na curva diante da
perspectiva de que a Selic terá que subir em breve.
"Os investidores estão especulando nos juros, já que o dólar
está mais calmo, mas continuará em patamares elevados, obrigando
talvez o Banco Central a elevar a Selic", afirmou o gestor de
derivativos de uma corretora local.
Mais cedo, o DI com vencimento em janeiro de 2021 ,
um dos mais líquidos, chegou a cair 0,30 ponto percentual na
mínima desse pregão. Mas inverteram o rumo e subiam. (Veja
tabela)
Apesar de o dólar estar despencando mais de 3 por
cento nesta sessão, abaixo de 3,80 reais, ele deu um salto nas
últimas semanas, com potencial para pressionar a inflação. Até a
véspera, desde fevereiro, a valorização havia sido de mais de 20
por cento.
A recente e forte turbulência nos mercados locais foi
alimentada por temores com o quadro fiscal do país, além da cena
política. Pesquisas eleitorais têm mostrado dificuldade dos
candidatos que o mercado considera como mais comprometidos com
ajustes fiscais de ganharem tração na corrida presidencial.
Pesava ainda nos DIs a divulgação do IPCA de maio acima do
esperado, com alta de 0,40 por cento sobre o mês anterior.

"O resultado do IPCA reforça a percepção de que uma alta de
juros venha acontecer e que ela se manterá no longo prazo",
comentou o gestor de renda fixa da gestora GGR, Thiago
Figueiredo.
O BC tem indicado que não vai elevar a Selic tão cedo,
mensagem reforçada na noite passada pelo presidente da
autoridade monetária, Ilan Goldfajn. Ele afastou ainda a
possibilidade de encontros extraordinários do Comitê de Política
Monetária (Copom) antes dos 45 dias regulamentares de intervalo.
O próximo encontro está previsto para 19 e 20 de junho.

A curva a termo precificava nesta sessão quase 100 por cento
de chance de alta de 0,50 ponto percentual da Selic em junho,
segundo dados da Reuters. Hoje, a Selic está na mínima histórica
de 6,50 por cento.
O trecho mais longo da curva também era influenciado pelo
exterior mais negativo nesta sessão, além da expectativa para
pesquisa Datafolha no final de semana.
O Tesouro continuou com sua atuação e fez novo leilão de
compra e venda de Notas do Tesouro Nacional Série-F, com oferta
de, respectivamente, até 1,5 milhão e até 300 mil papéis, com
vencimentos entre 2023 e 2029.
Vendeu e comprou apenas papéis com vencimento em 2029. Foram
168 mil comprados, à taxa de 12,091 por cento, e 10 mil
vendidos, à taxa de 12 por cento.
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (%) (p.p.)
JUL8 6,59 6,645 -0,055
JAN9 7,55 7,593 -0,043
JAN0 9,04 8,846 0,194
JAN21 9,9 9,795 0,105
JAN23 11,32 11,324 -0,004

DÍVIDA
A rentabilidade dos Treasuries rondava a estabilidade nesta
sexta-feira, com os operadores aguardando o resultado da cúpula
do G7 dada a preocupação com a crescente tensão comercial entre
os Estados Unidos e seus principais aliados.
O presidente norte-americano, Donald Trump, atacou o Canadá e
a União Europeia antes do encontro do G7, depois de ter imposto
tarifas na semana passada sobre as importações de aço e alumínio
do Canadá, México e União Europeia.
Com o aumento da tensão no comercio, os operadores de
títulos estão nervosos com a oferta de 66 bilhões de dólares em
bônus da semana que vem e possíveis sinais com reuniões de
política monetária do Federal Reserve e do Banco Central Europeu
(BCE).
Os operadores também estão cautelosos antes do encontro de
Trump com o líder norte-coreano Kim Jong Un em uma conversa
sobre o programa nuclear de Pyongyang.
Os rendimentos dos Treasuries 10 anos caminham para uma alta
de cerca de 4 pontos básicos nesta semana, revertendo a queda da
semana passada e a mínima de sete semanas ligada a temores sobre
a crise política na Itália.
Os investidores também estão aguardando o resultado do
debate do BCE na quinta-feira sobre o fim do seu programa de
compra de títulos de 2,55 trilhões de euros em setembro.
Operadores esperam ainda que o Fed sinalize quantos aumentos
dos juros fará ainda em 2018, à medida que as condições do
mercado doméstico de trabalho se apertam e a inflação se
aproxima da meta de 2 por cento.
. Treasuries de 10 anos : rendimento em queda a
2,9278%, ante 2,933% no dia anterior;
. Global 27 : rendimento em queda a 5,532%, ante
5,57% no dia anterior.

PETRÓLEO
Os preços do petróleo recuavam nesta sexta-feira, com o
enfraquecimento da demanda na China e a alta da produção nos
Estados Unidos, apesar dos problemas de abastecimento na
Venezuela e Irã, além dos cortes de produção da Organização de
Países Exportadores de Petróleo (Opep).
. Nymex – JUL/17 : -0,41%, a 65,68 dólares por barril;
. ICE Futures Europe – Brent AGO/18 : -0,96%, a 76,58
dólares por barril.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de
notícias da Reuters pelo código PAN/SA )

(Edição de Iuri Dantas)
(([email protected]; +55 11 5644 7764; Reuters
Messaging: [email protected]))


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