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Por Claudia Violante e Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 2 Mai(Reuters) – O dólar avançava e chegou
superar 3,55 reais nesta quarta-feira, seguindo o exterior, em
dia de expectativa pelo desfecho do encontro de política
monetária do banco central dos EUA. O movimento endossava a alta
das taxas dos DIs.
Na Bovespa, o tom negativo prevalecia, em sessão também
marcada por ajustes ao movimento de ADRs na véspera, quando foi
feriado no Brasil, e pela temporada de resultados, com o balanço
do Itaú Unibanco, maior banco privado do país.
Wall Street não mostrava uma direção única, com os
investidores cautelosos antes da decisão do Federal Reserve,
enquanto os resultados fortes da Apple repercutiam
positivamente.

Veja como estavam os principais mercados financeiros pouco
depois das 12h30 desta quarta-feira:

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CÂMBIO
O dólar ampliou a alta e chegou ao patamar de 3,55 reais, o
maior em quase dois anos, acompanhando o cenário externo em dia
de expectativa pelo desfecho do encontro de política monetária
do banco central dos Estados Unidos e que pode afetar o fluxo de
recursos global.
O dólar acumulou alta de 6,16 por cento em abril, maior
valorização mensal em quase um ano e meio.
Na máxima desta sessão, a moeda norte-americana foi a 3,5544
reais, maior nível intradia desde junho de 2016.
O Federal Reserve, banco central norte-americano, deve
manter a taxa de juros nesta tarde, mas provavelmente
incentivará ainda mais as expectativas de que elevará os custos
dos empréstimos em junho, devido à aceleração da inflação e ao
desemprego baixo.
De acordo com a corretora H.Commcor, qualquer indicação
otimista do Fed além do que já é considerado sobre a atividade
pode levar o mercado a "uma sensação 'hawkish' em termos de
política monetária, seja para eventual guinada para um total de
quatro altas de juros no ano, seja para uma condução mais
agressiva no próximo ano".
O Fed aumentou sua taxa básica de juros na reunião de 20 e
21 de março em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre
1,50 e 1,75 por cento. Atualmente, o banco central prevê outros
dois aumentos dos juros este ano, embora número crescente de
autoridades veja três altas como uma possibilidade.
Mais juros nos Estados Unidos pode afetar o fluxo global de
recursos, tirando dinheiro de praças como a brasileira e
encarecendo o dólar ante o real.
"Tudo gira em torno da decisão do Fed", afirmou o operador
da Spinelli Corretora José Carlos Amado.
No exterior, o dólar atingiu a máxima desde 29 de dezembro,
a 92,655, ante uma cesta de moedas, e firmou alta ante
praticamente todas as moedas emergentes, com destaque para a
lira turca .
Internamente, os investidores também seguiam de olho no
cenário político, a poucos meses das eleições presidenciais
envoltas em grandes incertezas.
Apesar da alta do dólar a 3,55 reais, o Banco Central
brasileiro ainda não anunciou intervenção no mercado de câmbio,
por enquanto. Segundo profissionais, a expectativa era de que o
BC role integralmente o vencimento de junho de swap cambial
tradicional, equivalente à venda de dólares no mercado futuro. O
volume total é de 5,650 bilhões de dólares.
Vencem ainda na quinta-feira 2 bilhões de dólares em leilão
de linha, que é a venda de dólares com compromisso de recompra.

. Dólar/Real : +1,14%, a 3,5462 reais na venda;
. Euro/Dólar : -0,16%, a 1,1974 dólar;
. Dólar/Cesta de moedas : +0,16%

BOVESPA
O tom negativo prevalecia na bolsa brasileira nesta
quarta-feira, na volta de feriado, em meio a um cenário sem viés
claro no exterior antes da decisão de juros do banco central
norte-americano e tendo ainda no radar a temporada de
resultados, com destaque para o balanço de Itaú Unibanco.
A sessão também era marcada por ajustes ao movimento de ADRs
(recibo de ação negociado nos Estados Unidos) brasileiros na
véspera, quando Wall Street operou normalmente, mas a B3 ficou
fechada em razão do Dia do Trabalho.
Na visão da Guide Investimentos, investidores mostram maior
cautela, à espera de decisão do Federal Reserve. "As atenções se
voltam ao comunicado, que deve trazer mais sinalizações sobre os
próximos passos do Fed", disse em nota a clientes, acrescentando
que, no Brasil, é dia de agenda macro esvaziada.
O Fed anunciará sua decisão às 15h (horário de Brasília). O
chairman do Fed, Jerome Powell, não falará à imprensa.

– ITAÚ UNIBANCO PN caía 3,31 por cento, mesmo
após balanço do primeiro trimestre com lucro líquido recorrente
de 6,419 bilhões de reais. Para analistas, o desempenho foi de
modo geral em linha com as expectativas, mas ajudado pela
performance de tesouraria, o que "tirou um pouco o brilho" do
resultado, mas não muda a visão construtiva para o
banco.

– PETROBRAS PN e PETROBRAS ON recuavam
1 e 0,16 por cento, respectivamente, após queda de mais de 2 por
cento de seus ADRs na véspera, tendo ainda de pano de fundo a
fraqueza dos preços do petróleo no mercado
internacional nesta sessão.

– B3 caía 2,21 por cento, pesando também no
Ibovespa. A ação foi excluída da carteira recomendada do BTG
Pactual para o mês de maio.

– RD ON perdia 4,51 por cento, após analistas do
JPMorgan cortarem a recomendação das ações para 'neutra' e
reduzirem o preço-alvo para 73 reais ante 86 reais
anteriormente. A rede de varejo farmacêutico divulga resultado
nesta quarta-feira, após o fechamento do mercado.

– CSN ON e USIMINAS PNA subiam 3,64 e
1,28 por cento, respectivamente, tendo como pano de fundo acordo
dos EUA sobre tarifas de aço e alumínio com alguns países,
incluindo o Brasil. GERDAU PN , que tem parcela
relevante de sua receita no mercado norte-americano, perdia 0,6
por cento.

– VALE ON avançava 0,58 por cento, apesar da
queda de seu ADR na véspera, ajudada pelo avanço do preço do
minério de ferro à vista na China .
. Ibovespa : -1,27%, a 85.025 pontos;
. Volume financeiro: R$ 4,5 bi.
. Índice dos principais ADRs brasileiros : -1,31%, a
23.618 pontos.
. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em

. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em

BOLSAS DOS EUA
Os mercados acionários dos Estados Unidos não mostravam uma
direção única nesta quarta-feira com os investidores cautelosos
antes da decisão de política monetária do Federal Reserve,
enquanto os resultados fortes da Apple limitavam as perdas.
As expectativas de que o banco central dos EUA seja mais
"hawkish" em relação ao aperto da política monetária mantinham
os investidores reticentes em relação a grandes movimentações do
mercado, especialmente depois que os mercados cambiais se
agitaram esta semana com a alta do dólar para uma máxima de três
meses e meio contra uma cesta de moedas.
Os rendimentos dos Treasuries de dois anos , mais
sensíveis à política monetária, atingiram a máxima de nove anos
e meio após dados mostrarem que a criação de vagas no setor
privado dos EUA em abril ficou praticamente em linha com as
projeções, fortalecendo as expectativas de um aumento dos juros
em junho.
Apesar de as empresas norte-americanas estarem no caminho
para registrar o crescimento mais forte do lucro trimestral em
sete anos, as preocupações com a inflação e o aumento dos custos
das matérias-primas pesavam entre os investidores.
O ponto forte era a Apple , que avançava depois de
ter apresentado fortes vendas do iPhone diante da redução da
demanda global e de prometer 100 bilhões de dólares em recompras
de ações adicionais.
Suas fornecedoras Cirrus Logic , Lumentum Holdings
e Skyworks Solutions também subiam.
Os ganhos mantinham o índice de tecnologia do S&P
no território positivo.
. Dow Jones : -0,17%, a 24.057 pontos;
. Standard & Poor's 500 : -0,17%, a 2.650 pontos;
. Nasdaq : +0,11%, a 7.138 pontos;

BOLSAS DA EUROPA
O índice FTSEurofirst 300 fechou em alta de 0,60
por cento, a 1.519 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,49
por cento, a 7.557 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 1,59 por cento, a
12.812 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,29 por cento, a
5.536 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de
1,19 por cento, a 24.263 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 1,07
por cento, a 1.087 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,17 por
cento, a 5.502 pontos.

JUROS
As taxas dos contratos futuros de juros subiam nesta
quarta-feira, em meio ao avanço do dólar ante o real, com os
investidores à espera da decisão do Federal Reserve, que deve
dar mais pistas sobre como o aperto monetário nos Estados Unidos
será conduzido à frente.
"A decisão… tende a ser uma das mais emblemáticas dos
últimos tempos, em vista à recente pressão dos preços
internacionais do petróleo e na possível inflação a ser captada
por tal processo", afirmou o economista-chefe da gestora
Infinity, Jason Vieira.
O Fed deve manter a taxa de juros nesta tarde, mas
provavelmente incentivará ainda mais as expectativas de que
elevará os custos dos empréstimos em junho, devido à aceleração
da inflação e ao desemprego baixo.
Atualmente, o banco central norte-americano prevê outros
dois aumentos este ano, embora número crescente de autoridades
veja três altas como uma possibilidade.
O desemprego no país está na mínima de 17 anos de 4,1 por
cento e a expectativa é de que os cortes de impostos e o
estímulo fiscal do governo do presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, estimulem ainda mais a economia.
O Fed anunciará sua decisão às 15:00 (horário de Brasília),
sem coletiva de imprensa de seu chairman, Jerome Powell.
Neste cenário, o dólar subia nesta sessão e chegou a
bater o patamar de 3,53 reais. Esse movimento tende a pressionar
mais a inflação e, assim, os DIs.
Os DIs mais curtos operavam com oscilações mais tímidas
neste pregão, sem alterações nas apostas para o próximo encontro
do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em
maio.
A curva a termo precificava cerca de 65 por cento de chances
de redução de 0,25 ponto percentual da Selic no mês que vem,
ante cerca de 70 por cento na segunda-feira, com o restante
indicando manutenção, segundo operadores.
Para a reunião de junho, os DIs precificavam cerca de 20 por
cento de apostas de outro corte de 0,25 ponto da Selic, ante
cerca de 25 por cento no pregão anterior, com o restante
indicando manutenção.
Em março, o BC cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto
percentual, para o piso histórico de 6,50 por cento ao ano.
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (%) (p.p.)
JUL8 6,252 6,242 0,01
JAN9 6,255 6,225 0,03
JAN0 7,02 6,96 0,06
JAN21 8,01 7,96 0,05
JAN23 9,19 9,16 0,03

DÍVIDA
Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos tinham
leves variações nesta quarta-feira, após dados mostrarem que as
contratações do setor privados dos EUA ficaram praticamente em
linha com as previsões do mercado, elevando ainda mais as
expectativas de aumento da taxa de juros em junho.
O emprego no setor privado dos EUA cresceu 204 mil no mês
passado, superando ligeiramente as expectativas de 200 mil
empregos.
O Departamento de Trabalho dos EUA divulgará seu próprio
relatório sobre as vagas de trabalho no setor privado, sem
incluir o setor agrícolas, na sexta-feira, com o mercado
esperando abertura de 192 mil postos de trabalho, segundo
pesquisa da Reuters.
Os rendimentos dos Treasuries chegaram a cair um pouco mais
cedo, depois que o governo dos Estados Unidos informou que
aumentará o tamanho de seus leilões de dívidas nos próximos
meses para levantar mais dinheiro à medida que o Federal
Reserve, banco central norte-americano, reduz suas compras de
dívida pública.
Autoridades também disseram que o governo começaria a vender
títulos de 2 meses no final deste ano e que estava estudando a
possibilidade de venda adicional de títulos de 5 anos ligados à
taxa de inflação, conhecidos como TIPS.
. Treasuries de 10 anos : rendimento em queda a
2,9719%, ante 2,976% no dia anterior;
. Global 27 : rendimento em queda a 4,7101%,
ante 4,741% no dia anterior.

PETRÓLEO
Os preços do petróleo Brent recuavam nesta quarta-feira,
devolvendo ganhos iniciais após evidências de novos aumentos na
oferta de petróleo dos Estados Unidos e um aumento nas
exportações iranianas antes de uma possível renovação das
sanções norte-americanas a Teerã.
. Nymex – JUN/17 : -0,09%, a 67,19 dólares por barril;
. ICE Futures Europe – Brent JUL/18 : -0,66%, a 72,65
dólares por barril.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de
notícias da Reuters pelo código PAN/SA )

(Edição de Iuri Dantas)
(([email protected]; +55 11 5644 7764; Reuters
Messaging: [email protected]))


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