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SÃO PAULO, 17 Mai (Reuters) – As taxas dos contratos futuros
de curto prazo saltavam nesta quinta-feira, num movimento de
correção depois que o Banco Central contrariou as expectativas e
manteve em 6,50 por cento a Selic na véspera, encerrando o ciclo
de afrouxamento monetário antes do esperado diante do cenário
externo mais difícil. O dólar chegou a recuar ante o real, mas
sucumbiu à cena externa e já encostava em 3,7 reais. O Ibovespa
recuava.
Os mercados acionários dos Estados Unidos reverteram as
perdas iniciais e subiam, com a alta das ações de energia,
depois que o preço do petróleo atingiu 80 dólares por barril
pela primeira vez desde novembro de 2014. Os ganhos do mercado,
contudo, eram limitados pela alta dos rendimentos dos títulos
dos Estados Unidos para a máxima de sete anos.

Veja como estavam os principais mercados financeiros pouco
depois das 12h40 desta quinta-feira:

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CÂMBIO
Após abrir em queda reagindo à manutenção da Selic em 6,50
por cento pelo Banco Central, o dólar voltou a sucumbir à cena
externa e firmou trajetória de alta nesta quinta-feira, já
encostando no patamar de 3,70 reais, o maior em pouco mais de
dois anos.
Na máxima do dia, a moeda norte-americana foi a 3,6974
reais, maior patamar intradia desde abril de 2016.
"A decisão do BC foi acertada, mas o dólar está com a
dinâmica das moedas lá fora", comentou o analista econômico da
gestora Rio Gestão, Bernard Gonin.
No cenário internacional, o dólar subia ante uma cesta de
moedas e também divisas de países emergentes, como o peso
mexicano e a lira turca .
O rendimento do Treasury dos Estados Unidos de 10 anos
também subia e se mantinha acima do nível de 3 por
cento nesta sessão. Os investidores têm reforçado suas apostas
de mais altas de juros no país este ano, depois de dados firmes
sobre a economia norte-americana.
Taxas mais elevadas na maior economia do mundo têm o
potencial de atrair recursos aplicados hoje em praças
financeiras consideradas de maior risco, como o Brasil.
Por isso, pelo menos no início deste pregão, o dólar chegou
a recuar, batendo 3,6438 reais na mínima. O BC surpreendeu na
noite passada ao manter a Selic em 6,50 por cento ao ano,
contrariando as apostas majoritárias de novo corte de 0,25 ponto
percentual.
Assim, o diferencial de juros com os Estados Unidos pode não
ficar tão pequeno, mantendo os ativos brasileiros com rendimento
que possa continuar atraindo investidores.
Mas o movimento durou pouco. Para Gonin, a manutenção da
Selic pode não ser suficiente para segurar os recursos aplicados
no Brasil diante da perspectiva de alta de juros mais firme este
ano nos Estados Unidos.
O BC vendeu a oferta integral de até 4.225 de swaps
tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para
rolagem do vencimento de junho. Dessa forma, já rolou 3,96
bilhões de dólares do total de 5,650 bilhões de dólares que
vencem mês que vem.
Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês,
o BC terá rolado integralmente os contratos que vencem no mês
que vem.
A autoridade já vendeu 5 mil novos contratos de swap,
totalizando 1 bilhão de dólares em quatro dias de leilões.

. Dólar/Real : +0,38%, a 3,6916 reais na venda;
. Euro/Dólar : -0,1%, a 1,1795 dólar;
. Dólar/Cesta de moedas : +0,12%

BOVESPA
O tom negativo prevalecia na bolsa paulista na manhã desta
quinta-feira, um dia após o Ibovespa atingir máxima desde meados
de março, em meio a um ambiente desfavorável a emergentes e com
investidores repercutindo a decisão inesperada do Banco Central
de manter os juros em 6,50 por cento ao ano.
O Copom manteve na quarta-feira a taxa básica de juros Selic
em 6,50 por cento ao ano, justificando que o cenário externo
tornou-se mais desafiador e apresenta volatilidade, apesar de
reconhecer que a atividade econômica do país perdeu força e o
comportamento da inflação continua favorável.
"Parece que este é o piso da Selic e que o próximo
movimento, quando acontecer, será de alta", disse o economista
do Itaú Unibanco Luka Machado Barbosa, em nota a clientes, ainda
no final da quarta-feira.
A queda dos juros vinha sendo citada por analistas e
estrategistas como um dos componentes positivos para o mercado
acionário, potencial destino de investidores em busca de maior
rentabilidade.
A cena política também respingava na bolsa, em meio a
apreensões sobre eventual avanço do pré-candidato à Presidência
da chamada centro-esquerda Ciro Gomes (PDT). A equipe XP
Política disse em nota a clientes que há possibilidade concreta
de uma aliança de Ciro com o PT.
Ciro não está na lista dos candidatos pró-reformas do
mercado. Em entrevista mais cedo neste mês, ele questionou o
chamado tripé macroeconômico, dizendo que essa política não leva
em conta questões relevantes como a queda nos preços das
commodities no mercado internacional.

– VALE caía 0,9 por cento, na esteira do recuo
dos preços do minério de ferro à vista na China .
O papel acumula em 2018 alta ao redor de 40 por cento.

– PETROBRAS PN tinha variação positiva de 0,04
por cento e PETROBRAS ON recuava 1,3 por cento, após
forte ganhos recentes, com o mercado ainda na expectativa da
renegociação do contrato de cessão onerosa. O ministro da Casa
Civil, Eliseu Padilha, disse nesta quinta-feira que o acordo
dever ser concluído na semana que vem.

– BRADESCO PN caía 2,5 por cento, em sessão
negativa para o setor bancário de modo geral, pesando no
Ibovespa em razão da participação relevante que detém no índice.
ITAÚ UNIBANCO PN , que também tem fatia importante,
cedia 2,9 por cento.

– BRF recuava 5 por cento, conforme o papel segue
sendo pressionado pelo prognóstico de um horizonte ainda
desafiador para a empresa de alimentos, após uma lista de
adversidades que culminaram com a troca do conselho de
administração recentemente e mudança no comando da empresa.

– KROTON perdia 4,5 por cento, ampliando a
trajetória negativa para a ação do maior grupo de ensino do
país, que já acumula perda de quase 40 por cento no ano,
atingida entre outros fatores por dados fracos de captação de
alunos. O setor de educação com um todo no Ibovespa segue
pressionado. ESTÁCIO caía 5,3por cento, mesmo após
anúncio de um programa de recompra de ações.

– ELETROBRAS ON subia 0,4 por cento, tendo no
radar notícia do jornal Valor Econômico de que o governo
pretende se valer de uma norma do regimento da Câmara dos
Deputados para acelerar a votação da proposta de privatização da
companhia. ELETROBRAS PNB abandonou os ganhos e cedia
0,5 por cento.
. Ibovespa : -1,81%, a 84.967 pontos;
. Volume financeiro: R$ 6,7 bi.
. Índice dos principais ADRs brasileiros : -1,72%, a
22.999 pontos.
. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em

. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em

BOLSAS DOS EUA
Os mercados acionários dos Estados Unidos reverteram as
perdas iniciais e subiam nesta quinta-feira com a alta das ações
de energia, depois que o preço do petróleo atingiu 80 dólares
por barril pela primeira vez desde novembro de 2014.
O setor de energia subia, mas os ganhos do mercado
eram limitados pela alta dos rendimentos dos títulos dos Estados
Unidos para a máxima de sete anos.
Também pesava a queda das ações da Cisco depois que
a previsão da empresa indicou que a transição para um negócio
focado em software é um trabalho em andamento.
O título de 10 anos dos EUA tinha rendimento de
3,1131 por cento, ante 3,095 por sento na sessão anterior, com o
petróleo mais caro apontando para uma inflação mais forte e na
esteira de números otimistas das vendas de varejo dos EUA.
"Há muito falatório de que os Treasuries de 10 anos de
alguma forma explodirão para cima, e é por isso que estão
chamando a atenção de todos", afirmou Kim Forrest, gerente de
portifólio do Fort Pitt Capital Group.
Também mantém a cautela o fato de EUA e China retomarem as
negociações para resolver suas questões comerciais, e
autoridades de ambos os lados sinalizaram recentemente que estão
buscando um acordo.
. Dow Jones : +0,11%, a 24.796 pontos;
. Standard & Poor's 500 : +0,192106%, a 2.727 pontos;
. Nasdaq : +0,17%, a 7.411 pontos;

BOLSAS DA EUROPA
O índice FTSEurofirst 300 fechou em alta de 0,50
por cento, a 1.551 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times avançou 0,70
por cento, a 7.787 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX subiu 0,91 por cento, a
13.114 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 ganhou 0,98 por cento, a
5.621 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de
0,29 por cento, a 23.801 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou alta de 0,83
por cento, a 1.195 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 valorizou-se 1,02 por
cento, a 5.753 pontos.

JUROS
As taxas dos contratos futuros de curto prazo saltavam nesta
quinta-feira, num movimento de correção depois que o Banco
Central contrariou as expectativas e manteve em 6,50 por cento a
Selic na véspera, encerrando o ciclo de afrouxamento monetário
antes do esperado diante do cenário externo mais difícil.
"A decisão do BC foi uma clara resposta à queda do real
(frente ao dólar) nas últimas semanas e à forte onda vendedora
nos mercados emergentes em geral", escreveu o economista-chefe
da empresa de pesquisas macroeconômicas Capital Economics (CE),
Neil Shearing.
Na noite passada, o BC justificou sua decisão com o cenário
externo mais desafiador e volátil, apesar de reconhecer que a
atividade do país perdeu força e o comportamento da inflação
continua favorável.
Pesquisa Reuters com 42 analistas mostrou que 40 deles
esperavam mais um corte de 0,25 ponto percentual agora e, nos
DIs, as apostas eram de 60 por cento de chances neste movimento
sobretudo após o presidente do BC, Ilan Goldfajn ter advertido
na semana passada que a autoridade observava inflação e
atividade para decidir sua política monetária.
Assim, o mercado trabalhava com o cenário de que o próximo
movimento da Selic será de alta, tendo em mente que a retomada
econômica, quando ganhar tração, deve reacender a inflação, que
também pode ser afetada com a continuidade do atual movimento de
alta global do dólar.
A curva a termo de juros precificava nesta sessão
praticamente 100 por cento de chances de manutenção da Selic no
próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), em
junho, mas já embutia 60 por cento de alta de 0,25 ponto
percentual da Selic em setembro, ante 36 por cento na véspera.
Até então, os DIs precificavam chances majoritárias de alta
da taxa básica de juros apenas em outubro, segundo operadores.
"Não significa necessariamente que vai subir em setembro…
Significa apenas que o mercado está colocando no preço que o
próximo movimento é de alta da taxa", explicou o
economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano.
Os DIs mais longos chegaram a subir mais cedo, mas já
operavam em baixa, movimento de desinclinação da curva após a
manutenção da Selic auxiliado pelo recuo do dólar ante o real.
A força do dólar no mercado internacional e o avanço dos
Treasuries dos Estados Unidos, principalmente o de 10 anos
acima de 3 por cento, também pesavam.
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (%) (p.p.)
JUL8 6,405 6,224 0,181
JAN9 6,56 6,32 0,24
JAN0 7,52 7,34 0,18
JAN21 8,58 8,46 0,12
JAN23 9,67 9,63 0,04

DÍVIDA
. Treasuries de 10 anos : rendimento em alta a
3,1131%, ante 3,095% no dia anterior;
. Global 27 : rendimento em alta a 4,9906%, ante
4,962% no dia anterior.

PETRÓLEO
Os preços do petróleo chegaram a atingir 80 dólares o barril
nesta quinta-feira, máximas desde novembro de 2014, em meio a
preocupações de que as exportações iranianas possam cair com a
volta de sanções pelos EUA, reduzindo a oferta em um mercado
apertado.
. Nymex – JUN/17 : +0,55%, a 71,88 dólares por barril;
. ICE Futures Europe – Brent JUL/18 : +1,39%, a 80,38
dólares por barril.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de
notícias da Reuters pelo código PAN/SA )

(Edição de Iuri Dantas)
(([email protected]; +55 11 5644 7764; Reuters
Messaging: [email protected]))


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