Clicky

MetaTrader 728×90

Por Claudia Violante e Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 3 Mai(Reuters) – O dólar tinha leves oscilações e
mas se mantinha no patamar de 3,56 reais nesta quinta-feira,
marcada por atuação mais firme do Banco Central no mercado de
câmbio, mas com o mercado ainda cauteloso com o exterior e o
cenário político no país. Na bolsa, resultados corporativos
também pressionavam as ações, com destaque para Ultrapar e
Cielo.
As taxas dos DIs subiam nesta sessão, sobretudo os de médio
prazo, com o mercado passando a avaliar que o BC pode
interromper antes a trajetória de corte de juros básicos com a
recente valorização do dólar.
Veja como estavam os principais mercados financeiros pouco
depois das 12:45 desta quinta-feira:

CÂMBIO
O dólar tinha leves oscilações e voltou a se mantinha no
patamar de 3,55 reais nesta quinta-feira, marcada por atuação
mais firme do Banco Central no mercado de câmbio, mas com o
mercado ainda cauteloso com o exterior e o cenário político no
país.
Entre fevereiro e abril, o dólar acumulou alta de 10 por
cento sobre o real, sendo que só no mês passado saltou 6,16 por
cento.
"O BC mostrou desconforto com o nível da moeda, mas trata-se
de um alívio pontual", afirmou o operador da Advanced Corretora,
Alessandro Faganello.
Os mercados têm mostrado preocupações com a trajetória de
alta de juros nos Estados Unidos, que podem atrair para a maior
economia do mundo recursos aplicados hoje em praças financeiras
consideradas de maior risco, como a brasileira.
Na véspera, o Federal Reserve, banco Central
norte-americano, não mudou sua taxa de juros e expressou
confiança de que o recente aumento da inflação para nível
próximo à meta de 2 por cento será sustentado. O Fed prevê
atualmente mais dois aumentos dos juros este ano, embora número
crescente de autoridades veja três como possível.
O mercado estará atento a novos números sobre a economia dos
EUA, que tem mostrado força. Na dia seguinte, serão divulgados
números sobre o mercado de trabalho fora do setor agrícola.
No exterior, o dólar subia ante uma cesta de moedas e
também sobre a maioria das divisas de países emergentes.
A cena política local também pesava sobre o mercado, diante
das incertezas que rondam as eleições presidenciais de outubro.
Os investidores temem que um candidato que eles considerem menos
comprometido com o ajuste fiscal possa ser eleito.
Na mínima dessa sessão, o dólar chegou a cair a 3,5234 reais
logo após a abertura dos negócios, com o mercado reagindo à
maior intervenção do BC. Mas o movimento acabou perdendo força.
"No exterior, dólar se fortaleceu ante outras moedas e aqui
não teve como não acompanhar", afirmou um profissional da mesa
de câmbio de uma corretora nacional.
A autoridade monetária anunciou na noite passada que vai
ofertar quantidade de swaps cambiais –equivalentes à venda
futura de dólares– superior à necessária para a rolagem
integral do vencimento de junho "com o objetivo de suavizar
movimentos no mercado de câmbio".
Nessa sessão, vendeu a oferta integral de até 8.900 mil
contratos em swaps, somando o equivalente a 445 milhões de
dólares do total de 5,650 bilhões de dólares que vence em junho.

Tesouro Direto Taxa Zero 300×250

Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês,
o BC terá colocado 8,455 bilhões de dólares em swaps.

Vencem ainda nesta quinta-feira 2 bilhões de dólares em
leilão de linha, venda de dólares com compromisso de recompra,
mas o BC não anunciou leilão dessa natureza.
"O BC jogou essa arma para ver se o mercado cria um piso, se
estabiliza. Se ele vai ter sucesso, só o tempo dirá", afirmou o
diretor da mesa de câmbio da corretora MultiMoney, Durval
Correa.
. Dólar/Real : +0,1%, a 3,5523 reais na venda;
. Euro/Dólar : +0,1%, a 1,1962 dólar;
. Dólar/Cesta de moedas : +0,06%

BOVESPA
A bolsa brasileira trabalhava no vermelho nesta
quinta-feira, em linha com o viés mais negativo no exterior e
com resultados corporativos também pesando sobre as ações, com
destaque para Ultrapar e Cielo.
No exterior, os mercados refletiam alguma cautela de agentes
financeiros ante a chegada de uma delegação norte-americana a
Pequim para debater tarifas comerciais, com resultados
corporativos também repercutindo nos negócios.
"O movimento da bolsa está mesmo atrelado ao exterior,
enquanto a agenda local não ajuda, com mais um dado de atividade
ruim", afirmou o gestor de uma corretora no Rio de Janeiro,
referindo-se à queda inesperada de 0,1 por cento na produção
industrial brasileira em março ante fevereiro.
Ele também destacou a temporada de resultados, com balanços
que frustraram as expectativas de analistas, notadamente Cielo e
Ultrapar.

– ULTRAPAR ON caía 9,66 por cento, tendo no radar
queda de quase 80 por cento no lucro do primeiro trimestre ante
o mesmo período do ano anterior. O resulado "surpreendeu
negativamente mesmo com o mercado já esperando resultados
fracos", escreveu o Credit Suisse.

– CIELO ON recuava 5,84 por cento, após frustrar
analistas com queda no lucro no primeiro trimestre, refletindo a
crescente concorrência no mercado de meios de pagamentos e os
efeitos da queda do juro sobre antecipação de recebíveis.

– RD ON subia 0,73 por cento, mesmo após
resultado considerado fraco por analistas, com crescimento de
apenas 2,7 por cento nas vendas mesmas lojas no primeiro
trimestre. A ação havia caído nas últimas três sessões, tendo
acumulado no período recuo de 5,7 por cento.

– EMBRAER ON subia 0,36 por cento, com o
noticiário trazendo que o grupo norte-americano American
Airlines fez um pedido firme para mais 15 jatos E175, no
valor de 705 milhões de dólares com base nos preços de
lista.

– PETROBRAS PN tinha variação negativa de 1,99
por cento e PETROBRAS ON cedia 2,12 por cento, tendo
de pano de fundo a queda dos preços do petróleo
no exterior.

– ITAÚ UNIBANCO PN caía 1,66 por cento, após
forte queda na véspera, enquanto BRADESCO PN recuava
2,14 por cento.

– VALE ON tinha acréscimo de 0,27 por cento,
apesar do recuo nos preços do minério de ferro à vista na China
.
. Ibovespa : -1,41%, a 83.357 pontos;
. Volume financeiro: R$5,38 bi.
. Índice dos principais ADRs brasileiros : -1,51%, a
23.143 pontos.
. Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em

. Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em

BOLSAS DOS EUA
Os mercados acionários dos Estados Unidos recuavam nesta
quinta-feira, com investidores permanecendo cautelosos com o
resultado das negociações comerciais entre os EUA e a China,
enquanto uma série de resultados corporativos decepcionantes
pesava sobre os índices.
As ações da Caterpillar e da Boeing estavam
entre os piores desempenhos do Dow Jones, que foi abaixo da
média móvel de 200 dias pela primeira vez desde 2 de abril.
A AIG recuava depois que a seguradora registrou
lucro trimestral menor do que o esperado, enquanto a Cardinal
Health perdia após a distribuidora de medicamentos
reduzir sua previsão de lucro anual.
As ações da Tesla tinham queda, ampliando as perdas
de quarta-feira, após o presidente-executivo Elon Musk
interromper os analistas que perguntavam sobre o potencial de
lucro da empresa, apesar das processas de que a produção do
problemático carro elétrico Model 3 estava no caminho certo.
"Nós enfraquecemos após a reunião do Federal Reserve e é um
pouco do mesmo continuando hoje", disse Mark Luschini,
estrategista-chefe de investimentos da Janney Montgomery Scott.
"Juntamente com isso, estão algumas preocupações sobre as
negociações comerciais com a China que estão em andamento e o
que pode vir daí".
Uma delegação norte-americana, liderada pelo secretário do
Tesouro, Steven Mnuchin, chegou a Pequim nesta quinta-feira para
negociações sobre tarifas, com a mídia estatal dizendo que a
China resistirá às ameaças dos EUA.
No entanto, um avanço é considerado altamente improvável,
especialmente porque a embaixada norte-americana disse que a
delegação retornaria aos EUA na noite de sexta-feira.
. Dow Jones : -1,16%, a 23.646 pontos;
. Standard & Poor's 500 : -1,06%, a 2.607 pontos;
. Nasdaq : -1,01%, a 7.029 pontos;

BOLSAS DA EUROPA
O índice FTSEurofirst 300 fechou em queda de 0,73
por cento, a 1.508 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 0,54 por
cento, a 7.502 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,88 por cento, a
12.690 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,50 por cento, a
5.501 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de
0,83 por cento, a 24.064 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 0,50
por cento, a 10.038 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,21 por
cento, a 5.486 pontos.

JUROS
Os contratos futuros de juros subiam nesta quinta-feira,
sobretudo os de médio prazo, com o mercado passando a avaliar
que o Banco Central pode interromper antes a trajetória de corte
de juros básicos depois de o dólar subir e encostar no patamar
de 3,55 reais.
"Por causa do movimento do dólar, o mercado começou a se
questionar se o BC vai cortar mesmo ou não (a Selic). Pela
sinalização, entretanto, o mais provável ainda é ele cortar
(neste mês)", afirmou o economista-sênior do Banco Haitong,
Flávio Serrano, acrescentando que o BC deve enfatizar, a partir
daí, o fim do atual ciclo de afrouxamento monetário.
Os DIs precificavam nesta sessão cerca de 60 por cento por
cento de chances de redução de 0,25 ponto percentual da Selic
neste mês, ante cerca de 65 por cento na véspera, com o
restante indicando manutenção, segundo operadores.
Para a reunião de junho do Comitê de Política Monetária
(Copom) do BC, os DIs precificavam cerca de 20 por cento de
apostas de outro corte de 0,25 ponto da Selic, sobre cerca de 25
por cento no pregão anterior, com o restante indicando
manutenção.
Em março, o BC cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto
percentual, para o piso histórico de 6,50 por cento ao ano.
Entre fevereiro e abril passados, o dólar saltou 10 por
cento frente ao real e, só na véspera, subiu 1,30 por cento e
encostou em 3,55 reais. O movimento levou o BC a intervir com
mais força no mercado para suavizar a pressão no câmbio.

Dólar mais caro tem potencial para pressionar a inflação e,
assim, impedir mais cortes nos juros básicos.
mês ticker último fechamento variação
(%) anterior (%) (p.p.)
JUL8 6,261 6,249 0,012
JAN9 6,285 6,25 0,035
JAN0 7,08 6,99 0,09
JAN21 8,08 8 0,08
JAN23 9,25 9,2 0,05

DÍVIDA
Os rendimentos dos Treasuries recuavam nesta quinta-feira,
pressionados por perdas na Europa após desaceleração inesperada
na inflação da zona do euro, o que pode coibir os esforços do
Banco Central Europeu (BCE) para encerrar seu programa de
estímulo econômico este ano.
Dados econômicos norte-americanos positivos divulgados nesta
quinta-feira chegaram a impulsionar os rendimentos, mas o
movimento não durou. Analistas disseram que é improvável que os
investidores façam grandes apostas antes do relatório sobre o
mercado de trabalho nos Estados Unidos que será divulgado na
sexta-feira.
"As movimentações de hoje eram em geral orientadas pelo
exterior", disse Justin Lederer, analista de Treasury do Cantor
Fitzgerald. "Tivemos uma inflação mais fraca na Europa e o
impacto se espalhou para os títulos dos EUA".
A inflação na zona do euro caiu para 1,2 por cento em abril,
de acordo com a estimativa da Eurostat. Economistas consultados
pela Reuters esperavam que ela repetisse a taxa de 1,3 por cento
registrada em março.
Isso levou os rendimentos dos títulos de 10 anos dos
governos da França e da ALemanha MDE10YT=RR> a
mínimas de duas semanas após os dados.
Os rendimentos dos EUA subiram um pouco a partir de mínimas
depois da divulgação dos dados norte-americanos. Os relatórios
mostraram que o déficit comercial dos EUA diminuiu drasticamente
em março, com as exportações aumentando para uma máxima recorde
em meio a um aumento nas entregas de aeronaves comerciais e
soja.
Embora outros dados na quinta-feira tenham mostrado um
aumento modesto nos novos pedidos de auxílio-desemprego na
semana passada, o número de norte-americanos recebendo ajuda
caiu para o nível mais baixo desde 1973, indicando aperto das
condições do mercado de trabalho.
. Treasuries de 10 anos : rendimento em queda a
2,9364%, ante 2,964% no dia anterior;
. Global 27 : rendimento em alta a 4,8515%, ante
4,71% no dia anterior.

PETRÓLEO
Os preços do petróleo recuavam nesta quinta-feira, com
aumento dos estoques de petróleo e produção semanal recorde nos
Estados Unidos compensando os cortes de oferta da Organização de
Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a possibilidade de
novas sanções norte-americanas contra o Irã.
. Nymex – JUN/17 : -0,26%, a 67,75 dólares por barril;
. ICE Futures Europe – Brent JUL/18 : -0,26%, a 73,17
dólares por barril.

(PANORAMA1 e PANORAMA2 são localizados no terminal de
notícias da Reuters pelo código PAN/SA )

(Edição de Patrícia Duarte)
(([email protected]; 55 11 5644-7727; Reuters
Messaging: [email protected]))


Assuntos desta notícia