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SÃO PAULO, 7 Mai (Reuters) – As montadoras de veículos
instaladas no Brasil estão preocupadas com o salto dos juros na
Argentina, mercado que é responsável atualmente por mais de 70
por cento das exportações brasileiras no setor.
O banco central da Argentina elevou na semana passada a taxa
de juros do país para 40 por cento, em medida para conter a
desvalorização do peso ante o dólar e em meio aos esforços da
autoridade monetária para atingir a meta de inflação de 15 por
cento para este ano. Foi a terceira alta dos juros da Argentina
apenas em 2018.
Segundo o presidente da associação de montadoras de veículos
do Brasil, Anfavea, Antonio Megale, nos próximos dois meses o
setor vai ter mais claro quais serão os impactos dos juros
argentinos sobre a demanda por veículos produzidos no Brasil.
De janeiro a abril, 75 por cento das exportações
brasileiras, de 253,4 mil veículos, foram para a Argentina, que
por sua vez tem 70 por cento de sua produção de veículos
destinada ao Brasil.
"Por enquanto, (a alta dos juros na Argentina) não teve
nenhum impacto, nenhum cancelamento, mas ainda é muito cedo para
isso", disse Megale a jornalistas, se referindo aos embarques
de veículos do Brasil para a Argentina.
Junto com o crescimento da demanda interna, as exportações
brasileiras ajudaram a elevar a produção das montadoras no
Brasil no primeiro quadrimestre em 20,7 por cento sobre um ano
antes, para 965,7 mil veículos.
"Nos preocupa o impacto que (a alta de juros na Argentina)
poderá ter no nosso setor, deve impactar o financiamento dos
produtos…Estamos olhando isso com bastante atenção porque a
Argentina é parceiro comercial importantíssimo para o Brasil",
disse Megale.
Segundo ele, a projeção da Anfavea para as vendas de
veículos no mercado interno da Argentina é de 850 mil veículos
em 2018 ante projeção da indústria do país vizinho de um volume
próximo de 1 milhão de unidades.
Ele afirmou que a indústria brasileira vem buscado novos
mercados neste ano para diversificar suas vendas externas, como
o Oriente Médio, onde o Brasil já foi um importante fornecedor
de veículos décadas atrás.
Atualmente a capacidade ociosa da indústria de veículos do
Brasil é de 39 por cento, bem abaixo dos mais de 50 por cento do
início de 2017, ano em que o setor interrompeu um ciclo de
quatro anos de quedas nas vendas internas. Segundo os dados da
Anfavea, a produção em abril cresceu na comparação anual pelo
18º mês consecutivo.
Megale afirmou que a Argentina ganhou mais importância para
as exportações brasileiras neste ano porque o México está
comprando menos do Brasil, em meio às discussões do país para
reformulação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte
(Nafta), que está sendo exigida pelos Estados Unidos.
Na avaliação do presidente da Anfavea, o aumento dos juros
na Argentina tem um lado positivo, pois sinaliza que Buenos
Aires está agindo para combater a inflação em meio ao movimento
de desvalorização do peso influenciado pela alta de juros nos
EUA.
Em abril, a produção argentina de veículos subiu 21,4 por
cento, acumulando no quadrimestre expansão de 20,4 por cento
sobre o mesmo período de 2017, segundo dados da contraparte
argentina da Anfavea, a Adefa. Enquanto isso, as exportações da
Argentina de janeiro a abril subiram 31,4 por cento.

(Por Alberto Alerigi Jr., edição Paula Arend Laier)
(([email protected]; 5511-5644-7753; Reuters
Messaging: [email protected]))

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