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Por Andreina Aponte e Corina Pons
CARACAS, 15 Fev (Reuters) – Widerven Villegas e seu irmão
lavam cerca de 30 carros por dia em um estacionamento em
Caracas. Apesar de cobrar menos de 0,50 dólar, ninguém paga em
dinheiro.
Nos centros tecnológicos de San Francisco a Tóquio, o
pagamento é feito convenientemente através de softwares em
celulares e relógios de forma rotineira. Em meio a uma crise
econômica grave na Venezuela, uma inovação semelhante está
surgindo, embora por razões muito diferentes.
As pessoas desde verdureiros até taxistas se registraram
para usar aplicativos de pagamento móvel para atrair clientes
que não possuem papel-moeda suficiente, que é escasso devido ao
aumento dos preços. A quantidade máxima diária que os
venezuelanos podem retirar dos caixas eletrônicos é de cerca de
10 mil bolívares, cerca de 0,04 dólar à taxa de câmbio do
mercado negro.
A hiperinflação da Venezuela, uma das primeiras da era
digital, está produzindo vencedores surpreendentes em um clima
comercial difícil: pequenas empresas de tecnologia baseadas no
país impactado pela crise.
"Eu aceito transferências. Eu tenho Tpago, Vippo e quase
todos os aplicativos lá de fora!" disse Villegas, de 35 anos,
enquanto segurava um tablet desgastado e um celular básico.
"Nós não lidamos com dinheiro porque nossos clientes não têm
isso", acrescentou. "Com os aplicativos que uso, recebo o
dinheiro antes mesmo de terem deixado o estacionamento".
Sem esses aplicativos, mesmo as transações simples, como a
cobrança de um garçom ou o pagamento de estacionamento,
tornam-se pesadelos. Ainda assim, sites bancários e aplicativos
móveis geralmente falham, já que a infraestrutura de
telecomunicações desatualizada não pode lidar com a crescente
demanda.
O Vippo, um aplicativo de pagamento baseado em Caracas, viu
um crescimento superior a 30 vezes no número de pessoas se
registrando no ano passado. O Citywallet, que surgiu como um
projeto piloto para pagamento online de estacionamento em uma
universidade privada, foi ampliado para diversos shopping
centers.
"A crise do dinheiro está piorando a cada dia, mas está nos
dando a oportunidade de capturar mais e mais transações com
nossa solução", disse a co-fundadora da Citywallet Atilana
Pinon, de 29 anos. Ela e dois sócios criaram o app que agora
está expandindo para o Chile, após receberem uma bolsa do
governo.
((Tradução Redação São Paulo; +55 11 56447745))
REUTERS TH FB


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