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Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – O governo federal não atendeu a recomendação do Ministério Público Federal de trocar todos os vice-presidentes da Caixa Econômica Federal, em uma decisão tomada pelo presidente Michel Temer, disseram à Reuters fontes com conhecimento do tema.

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Em nota enviada ao MPF, a Casa Civil informa que não tem competência para demitir ou nomear dirigentes do banco público, uma atribuição da presidência do órgão. De acordo com informações obtidas pela Reuters, a CEF deve responder também nesta segunda negativamente ao pedido.

A Caixa tem 12 vice-presidentes, sendo que quatro, além do presidente, Gilberto Occhi, estão sendo investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O pedido de afastamento dos dirigentes foi feito em dezembro e assinado pelas forças tarefa das operações Greenfield, Cui Bono e Sépsis – as duas últimas derivadas da primeira.

As diretorias da Caixa estão divididas entre indicações feitas pelo MDB, PR, PRB e o PP, partido de Gilberto Occhi. O Palácio do Planalto resiste a fazer mudanças que podem desagradar os partidos da base em um momento em que ainda briga para tentar convencer os parlamentares a aprovar a reforma da Previdência.

Fonte do Ministério da Fazenda afirmou que a decisão sobre os diretores cabe ao presidente da república e que esta não é atribuição da pasta. "Quando o novo estatuto da Caixa estiver valendo, caberá ao conselho (da Caixa) essas indicações. Até lá, é o presidente da República."

Os vice-presidentes citados nas investigações são Deusdina Pereira, de Fundos e Loterias, Roberto Derziê de Santana, de Governo, Antonio Carlos Ferreira, Corporativo e José Henrique Marques da Crus, de Clientes, Negócios e Transformação Digital.

Procurada, a Caixa afirmou em comunicado à imprensa que "inexiste fato concreto que reforce a necessidade de substituição dos atuais vice-presidentes" e que os atuais vice-presidentes tiveram seus nomes aprovados pelo conselho de administração do banco "que os encaminhou ao Ministério da Fazenda que, por sua vez, fez a respectiva indicação ao presidente da República".

Quando cobrou a troca de todos os vice-presidentes do banco, o MPF também pediu melhoria no processo de seleção de altos executivos da instituição por meio de processo seletivo e que reuniões de negócios entre os dirigentes do Caixa ocorram nas dependências da instituição, entre outros pontos.

O banco afirmou nesta segunda-feira que respondeu ao MPF comentando que tem um sistema de governança "adequado à Lei das Estatais, fazendo com que a maior parte das recomendações (do MPF) já estejam implementadas, em implementação ou em processo de estudo pelas suas instâncias decisórias, antes mesmo de qualquer manifestação do MPF".

(Com reportagem adicional de Marcela Ayers, em Brasília)
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