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Por Gabriela Mello e Gram Slattery
SÃO PAULO, 5 Jun (Reuters) – A Cyrela está
entrando no segmento de empréstimos com imóveis em garantia este
ano por meio de uma startup que terá capacidade de financiamento
de até 150 milhões de reais, disse à Reuters o diretor
administrativo financeiro da incorporadora, Juliano Bello.
A plataforma batizada de "CashMe" já está em fase de testes
e será 100 por cento detida pela Cyrela, contou o executivo, que
se encarrega das iniciativas de tecnologia e inovação dentro da
companhia.
A construtora, uma das maiores no segmento de médio e alto
padrão, está estruturando um fundo para levantar cerca de 50
milhões de reais em uma primeira rodada de financiamento para a
CashMe, prevista para acontecer até o fim do ano.
"Temos aprovação para 150 milhões de reais, dos quais 50
milhões de reais serão levantados até o fim do ano e o restante
depois via captação externa ou caixa", explicou Bello, lembrando
que a posição de caixa da Cyrela é "confortável". Ao fim de
março, a companhia tinha caixa total de 1,116 bilhão de reais.
De acordo com ele, o mercado de empréstimos com imóveis em
garantia atualmente movimenta cerca de 16 bilhões de reais no
Brasil e tem potencial para chegar a 100 bilhões de reais em
crédito concedido nos próximos 10 anos.
Em apenas dois meses de operação, a CashMe já soma mais de
40 milhões de reais em propostas de crédito e iniciará no
segundo semestre campanhas digitais para ampliar a atuação. A
proposta da startup é viabilizar a análise e aprovação do
crédito em até dois dias.
Além da CashMe, a Cyrela atualmente trabalha com mais de 20
startups, entre elas a Quinto Andar, por meio da qual mais de
1.500 clientes investidores da construtora já conseguiram alugar
os imóveis adquiridos.
Há cerca de um ano a companhia também automatizou todo o
sistema de pagamento de IPTU com um projeto de inteligência
artificial desenvolvido pela startup Nuveo, que permitiu uma
redução de 1 milhão de reais por ano em custo com multas de
atraso.
Mais recentemente, a Cyrela firmou parceria com a Homelande
para uma ferramenta já integrada com a maioria dos bancos que
analisa todos os documentos do cliente e já determina a melhor
alternativa de financiamento bancário, acelerando o processo que
normalmente leva até 45 dias.
Outra iniciativa em fase de desenvolvimento é uma joint
venture com a startup Wed.Biz que permitirá presentear casais
com a parcela de entrada na compra de imóvel de qualquer
construtora. A Cyrela ainda não fez um aporte no projeto, que
segundo Bello terá uma estrutura de custo baixo de cerca de 3
milhões a 4 milhões de reais.
Na avaliação do executivo, a atuação de startups no setor
imobiliário ainda é incipiente e são muitas as oportunidades no
Brasil. "Temos cerca de 10 mil startups no país e só 80 atuam no
setor", afirmou Bello, acrescentando que há mais espaço para o
desenvolvimento de soluções em processos burocráticos que de
negócios.

LANÇAMENTOS
Para 2018, a Cyrela espera lançar mais imóveis. "Nós temos
expectativa muito positiva para São Paulo esse ano, com projetos
mais assertivos", destacou o executivo. De acordo com ele, a
construtora já conseguiu reduzir o volume dos estoques, que
estão concentrados em praças com maior liquidez, incluindo São
Paulo, Rio de Janeiro e cidades no sul do país.
No primeiro trimestre, a empresa lançou seis
empreendimentos, o equivalente a um Valor Geral de Vendas (VGV)
de 434 milhões de reais, 29 por cento menor em relação ao mesmo
período de 2017, conforme prévia operacional divulgada em 12 de
abril.

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(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; 551156447553; Reuters
Messaging: [email protected]))


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