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Por Flavia Bohone
SÃO PAULO, 23 Mai (Reuters) – A Lojas Renner vê
impacto limitado da recente alta do dólar em seus custos nos
próximos meses, uma vez que tem hedge em torno de 3,30 reais
para praticamente 80 por cento das importações, disse à Reuters
nesta quarta-feira o presidente da varejista de moda, José
Galló.
No entanto, o executivo destacou que se o movimento se
prolongar a empresa pode ter impacto no custo, levando a
eventual repasse para o preço final.
"Essa questão do dólar é algo a verificar se vai continuar,
se vai se estender, mas… vai ser igual para nós e para os
concorrentes", disse Galló.
Segundo o executivo, a compra de tecidos para confecção das
peças atualmente é feita 70 por cento no mercado interno,
enquanto 30 por cento vem de importação, com parte relevante
desse percentual sendo mercadoria de inverno.
Desta forma, uma eventual manutenção da valorização do dólar
poderia pressionar principalmente as coleções de inverno, uma
vez que o tecido representa cerca de 30 do custo de uma peça de
roupa. No entanto, o impacto para a atual coleção foi limitado,
uma vez que a empresa tinha a maior parte protegida.
No primeiro trimestre, a varejista percebeu algum impacto
nas vendas devido à temperatura mais alta que o normal nas
regiões Sul e Sudeste em março. No entanto, com o frio recente a
empresa já vê uma recuperação nas vendas de inverno.

"Com o frio é impressionante a recuperação das vendas. Tem
dias de frio que ultrapassa em 30 por cento ou 40 por cento a
meta e realmente vai ajustando a venda que não foi feita", disse
Galló.

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MULTICANAL
A Lojas Renner planeja abrir cerca de 70 lojas este ano no
país e já considera no cálculo de rentabilidade de cada unidade
que uma parte das vendas será feita online.
Galló reforçou que a participação da multicanalidade deve
atingir 5 por cento das vendas antes da meta inicial, de 2021,
embora não tenha dado um prazo para isso.
Apesar de ver aumento na participação do comércio eletrônico
no total de vendas, a Lojas Renner não pretende investir em
logística própria, mantendo a entrega em lojas ou o uso de
transportadoras, disse o presidente da companhia.

SUCESSÃO
Um sucessor de Galló, cujo contrato termina no fim do ano,
deve ser conhecido "em breve", disse o executivo, que minimizou
os impactos de uma mudança de comando na varejista. Ele é
presidente da Lojas Renner desde março de 1999.
"Já ouviu falar de sustentabilidade? É a mesma coisa com o
processo de sucessão. A continuidade", disse Galló, brincando
com a nova coleção lançada esta semana pela Lojas Renner que
inclui jeans reciclados.
O executivo destacou que a questão da sucessão é importante
na empresa e ganhou destaque nos últimos cinco anos, não só para
o presidente, mas também para os principais cargos de liderança
da companhia.
"Isso facilita as coisas e, no fundo, quem faz a Renner não
sou eu, é uma equipe e vai chegar o momento que o sucessor vai
ser conhecido e eu irei para o conselho de administração", disse
Galló, acrescentando que não há possibilidade de prorrogar sua
posição no cargo de presidente da companhia.

SUSTENTABILIDADE
A Lojas Renner lançou nesta quarta-feira a Re Jeans, uma
coleção de jeans reciclado, com reaproveitamento do sobras de
tecidos usados na cadeia de fornecimento da própria Renner.
Apesar de envolver mudanças em processo de produção, a
Renner conseguiu manter na nova linha o custo para confecção de
peças e, desta forma, o preço para o consumidor final na mesma
faixa de produtos convencionais.
Segundo o gerente sênior de sustentabilidade da Lojas
Renner, Vinicios Malfatti, a manutenção do custo decorre do
ganho de eficiência e da busca por fornecedores que aceitaram as
inovações envolvidas no processo, incluindo a maneira de
separação das sobras de corte de tecido para garantir um fio de
qualidade para o reuso.
"O grande desafio é montar uma cadeia… A gente precisa de
alguém que desfie, que faça de novo", disse Malfatti
O investimento envolvido no lançamento da coleção, segundo
Galló, "não é relevante", assim como a participação das vendas
da nova linha na receita total da empresa, uma vez que trata-se
de uma coleção pequena.
"Não é relevante para a Renner, mas são 120 mil peças de
economia circular", disse Galló.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)
(([email protected]; 55 11 5644-7727; Reuters
Messaging: [email protected]))


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